A Fox precisava de uma série médica para o lugar de House, M.D., que chegou ao fim no primeiro semestre. A aposta para essa missão muito difícil está em The Mob Doctor, que tem um piloto “normal”, com personagens “normais” e um enredo que é bem decifrável após 42 minutos de episódio. No final das contas, o piloto até que tem saldos positivos.

O drama mostra a história da Dra. Grace Delvin (Jordana Spiro), que desde pequena está envolvida com a máfia, mas dessa vez, o enrosco é bem maior. Seu irmão, Nate (Jesse Soffer) tem uma dívida com a máfia dos jogos de Chicago. Ou melhor, tinha, pois como toda dívida que você tem com a máfia, essa era impossível de ser paga com dinheiro. Logo, Grace decidiu que seria mais “prático”, que ela pagasse a dívida com pequenos serviços médicos para os membros da máfia dos jogos, como por exemplo pequenas cirurgias emergenciais para remoção de balas, retirar chaves de fenda da testa de bandidos, e outros pequenos contratempos.

Até que ela é recrutada para matar um “X9”, ou dedo duro, que vai denunciar o chefão dessa máfia para o FBI. E ela se recusa a cometer o assassinato do cidadão. E aí, a história segue (não vou dar muitos spoilers).

A prova que, para mim, The Mob Doctor está na média é que, mesmo com muito sono, consegui assistir o piloto inteiro sem cochilar em nenhum momento. A série até consegue prender o telespectador por causa da dualidade da personagem principal. Grace, que ainda é residente no hospital onde trabalha, precisa lidar com os problemas ditos normais do hospital, que aparecem todos os dias, e com a politicagem de outros médicos que querem derrubá-la.

Por outro lado, ela tem a tal dívida com a máfia dos jogos de azar, que só vai piorar daqui para frente. A sorte de Grace é que ela já é protegida de outra máfia, cujo chefão, Constantine (William Forsythe), vê Grace com bons olhos, mas diante do cenário recém apresentado, vai ter trabalho daqui para frente para seguir protegendo a doutora. Mesmo porque é ele quem vai passar a cobrar Grace sobre a dívida do irmão.

O problema é que The Mob Doctor não faz com que você tenha uma empatia pelos personagens. Jordana Spiro até se esforça, mas não consegui me simpatizar com sua causa. Mesmo porque, ao longo do piloto, ela tem momentos onde pode escolher o seu destino. O piloto escorrega feio em pelo menos uma cena nada crível (quando você ver a cena, você vai concordar comigo, e a única coisa que posso dizer é que “envolve carros”), mas esse nem é o problema desse episódio inicial.

Em compensação, pelo menos na situação apresentada no piloto, a tensão criada foi boa o suficiente para querer acompanhar até o final. E se a série mantiver esse componente ao longo da temporada, pode ser o suficiente para agradar os fãs de séries que gostam de dramas procedurais. Afinal de contas, não basta só ter o caso do dia. Grace precisa escolher quem é mais importante de ser salvo: se é a criancinha de 8 anos de idade que leva um tiro acidental, ou o bandido da máfia que pode matar a sua mãe a qualquer momento.

Isso, sem falar que a própria Grace tem um passado que não é nada agradável: o pai, alcoólatra, morreu cedo, a mãe superou o câncer, e o irmão… bem, o irmão vocês já imaginam como ele é, envolvido com a máfia da jogatina. Resumindo: a vida da doutora é barra, mas vamos ver se nos próximos episódios ela consegue convencer o público disso.

Resumindo: The Mob Doctor é um drama do tipo “caso do dia”, mas que ao menos promete mostrar uma evolução na história de sua protagonista. Não é o tipo de série que vai me agradar, mas prometo ver pelo menos o segundo para confirmar minhas suspeitas. Se você gosta dos elementos séries médicas + dramas procedurais, pode cair no seu gosto.