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Mudou tudo.

Essa frase pode resumir o piloto da segunda temporada de The Leftovers. Mudou tanto, que nem a abertura é a mesma. É outra série. Há quem diga que é um spinoff da trama apresentada na primeira temporada. Olha, eu acredito com muita força. Talvez a salvação do projeto de Damon Lindelof e Tom Perrotta seja transformar a série em uma limited series, onde cada temporada conta um cenário diferente do mesmo evento sobrenatural, mostrando diferentes dinâmicas e motivações.

A segunda temporada só lembra a primeira na questão “onde essas pessoas foram parar?”. É o único ponto comum entre as duas tramas. The Leftovers agora tem nova abertura, novo elenco, nova cidade, nova trama inicial, novos protagonistas, novas motivações e novos mistérios.  É claro que temos alguns elos de ligação com a primeira temporada, principalmente nos novos moradores da pequena cidade texana, que a audiência da primeira temporada facilmente vai identificar quais são. A boa notícia é que dessa vez eles fizeram um primeiro episódio mais acessível e menos pedante. Sim, pois o piloto da primeira temporada é algo chato pra c*c*t* na minha opinião, por mais que digam que é “genial” e “maravilhoso”. Nesse caso, preferi ser burro, e nem ver o resto.

Já a nova temporada de The Leftovers apresenta um cenário menos complexo na apresentação dos personagens, mas mantendo o mistério que tanto alegram algumas pessoas. E não estou sendo jocoso nessa afirmativa. Uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, cuja população tem valores religiosos fortes (pelo menos na teoria), começam a ficar com medo/pânico quando eventos totalmente inexplicáveis e aleatórios acontecem. Mas não sem antes eles terem que lidar com os seus próprios problemas, mazelas e viciações.

Exemplos? Uma família toda envolvida em pequenos segredos já serve. O pai, bombeiro, tem um amigo que consegue prever o futuro, e decide ganhar dinheiro com isso. Porém, surta completamente quando esse mesmo amigo prevê que o futuro do bombeiro terá um incidente trágico, e que nada ele poderá fazer para evitar. O filho do bombeiro está envolvido com o maluco religioso local, onde a água batizada de um rio teria propriedades curativas.

A filha mais nova é uma baladeira convicta. Fala para a mãe que vai dormir na casa da amiga, e vai para sabe lá Deus aonde. Resultado: quando o grande evento acontece, ela é diretamente envolvida (confirmando assim a previsão do vidente, amigo do seu pai). Aparentemente, a única pessoa centrada em valores minimamente cristãos é a mãe – e toda família precisa de um ponto de equilíbrio -, que até agora tem a sensatez de manter uma vida mais ou menos correta.

Por outro lado, até ela sabe que alguma coisa muito bizarra acontece ali, envolvendo os membros de sua família. No final, fatalmente boa parte da pequena cidade está envolvida, e veremos como essa comunidade vai lidar com esses eventos inacreditáveis.

The Leftovers se reformulou para se salvar. É uma série que, de novo, muita gente gostou, mas muita gente detestou também. Não é uma série fácil de acompanhar, eu admito. Mas para muitos, se tornou impossível. E o reflexo disso foi a sua audiência apenas mediana na primeira temporada, e uma estreia de segunda temporada que registrou apenas a metade dessa média (pouco mais de 700 mil telespectadores).

Para a HBO, é pouco. Eles mesmos sabem que erraram na primeira temporada de The Leftovers. Senão, não teriam mudado tudo. E a diferença entre os dois pilotos é gritante. Como disse antes, a nova temporada é mais acessível, e mesmo contando com uma narrativa lenta, tem uma trama inicial com potencial para atrair um público maior. É uma temporada que se propõe a combinar o mistério do inexplicável com a importância da fé de cada um em não se perder diante desse inexplicável. E isso pode ser muito interessante para o público mais adulto do canal.

Os primeiros 10 minutos do piloto não apresentam qualquer tipo de diálogo, mas são tão bem detalhados, que merecem ser apreciados com atenção. Sem falar que podem explicar parte do mistério da temporada. Além disso, uma coisa que não podemos negar é que mais uma vez a produção da HBO acertou em cheio na ambientação da série, e na sua riqueza de detalhes.

Ao meu ver, The Leftovers apresentou algo diferente, o que é bom. Se vai apresentar algo melhor, uma evolução em relação ao ano passado, só o tempo vai dizer. Não vou acompanhar porque não é o meu tipo de série (para mim, já bastou a experiência com Resurrection), mas acho que para quem tem disposição e paciência para esse tipo de trama, vale a pena conferir o piloto para saber se vale a pena prosseguir.

Uma coisa é fato: se a audiência da série não melhorar, só teremos terceira temporada se a série sofrer do mesmo efeito que Halt and Catch Fire (AMC) recentemente sofreu: audiência ridícula, mas aclamada pela crítica. E isso garantiu uma renovação.