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Eu sei que praticamente todos os blogs de séries começaram suas reviews com essa mesma frase. Logo, não seremos diferentes deles… “Se você fosse o último ser humano da Terra, o que você faria?”. E isso que Will Forte pretende responder com The Last Man on Earth, nova comédia da Fox que pretende não só divertir, mas te colocar para pensar, apresentando o hipotético como real, em um mundo cheio de possibilidades, porém (e ao mesmo tempo), com limitações emocionais severas.

Funciona assim: em 2019, a Terra foi acometida por algum vírus bizarro, que acabou com a raça humana. Todo mundo morreu… exceto Phil Miller (Will Forte), um cara comum, que mora em Tucson, e que, por algum motivo (que provavelmente vamos conhecer no futuro) sobreviveu ao vírus. E já que todo mundo morreu, ele tem como ‘lar’ o planeta Terra inteiro. Bom, Phil não foi atrás de outro ser humano ao redor de todo o planeta, mas ao menos sobreviveu para percorrer todos os estados norte-americanos na busca de outro alguém. Sem sucesso.

O primeiro efeito imediato em ter um planeta só para você é a liberdade de fazer o que se quer. Afinal de contas, quem vai se importar se você vai ‘pegar emprestado’ um quadro famoso, se a sua piscina vai virar uma marguerita gigante, ou se você vai dormir embaixo de uma montanha de salgadinhos?

Porém, isso tudo cansa, por mais divertido que possa parecer. Phil sente falta de alguém. Sente falta de uma mulher. Aliás, sente falta de qualquer coisa viva. Tanto que sofre do ‘efeito Tom Hanks em O Náufrago’ à décima potência, onde qualquer tipo de bola se torna seu amigo. E isso vai minando suas forças e vontade de permanecer nesse mundo que só é dele.

Então, quando todas as esperanças de Phil se esgotam… ele descobre que não está sozinho nesse mundo (BOOOM) – e graças à Deus, pois não imaginava uma série com um único personagem. Phil encontra Carol Pilbasian (Kristen Schaal), a última mulher da Terra, tão comum quanto Phil, mas com uma forma de pensar que ainda está presa em um mundo onde existem outras pessoas a se dar satisfação.

A colisão dessas duas filosofias – e a missão complexa de tentar repovoar a Terra – será a mola propulsora dessa trama, onde devem mostrar não apenas as diferenças entre as duas personalidades, mas principalmente propor várias metáforas da vida. Com vários toques de sarcasmo.

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Foram necessários dois episódios para mostrar a ideia geral de The Last Man on Earth. E foi melhor assim. Eu estava com uma expectativa no zero para ver esses episódios, principalmente com um promo horroroso lançado no meio de 2014. Felizmente, a série (com sua ideia geral apresentada na íntegra) não é algo tão ruim assim.

Eu gosto do Will Forte. Acho ele um bom ator, apesar da maioria conhecê-lo apenas no Saturday Night Live (quem viu Nebraska sabe que ele vai um pouco além do MacGruber). Mas me preocupava ter uma série inteira centrada em um único ser humano. Não sei como isso poderia render boas histórias. Até porque todo mundo sabe que as histórias de nossas vidas são feitas das relações que temos com outras pessoas.

O fato de ele não estar sozinho nessa Terra de ninguém abre margem para algumas possibilidades. Não só em mostrar a convivência dos dois nesse mundo modificado, mas de propor a grande metáfora de The Last Man on Earth: um ‘Adão e Eva às avessas, mas do mudo moderno’. Ah, você acha que não? OK: é só trocar a maçã pelos tomates, e pronto.

Aliás, o que torna a série mais interessante é justamente a tentativa de ser filosófica, indo um pouco além das típicas piadas de situação presentes nas comédias tradicionais. Dificilmente a humanidade vai encontrar um cenário de caos como esse, mas… e se acontecer? Como você se portaria? O que você faria ou não faria para sair da solidão, ou procurar um pouco de felicidade? E como seria se a última mulher da Terra fosse uma chata comum e sem sal (e não a gostosa que beija você enquanto você está desmaiado?).

Não estou aqui afirmando que The Last Man on Earth é ‘sensacional, incrível, muito f*da’. Só estou dizendo que seu piloto me entregou muito mais que o seu promo. A estreia teve forte demo 18-49 anos, mas entendo que esse público só apareceu pela curiosidade mórbida, já que antes da série estrear ninguém sabia direito o que estava por vir. É a partir de agora que saberemos se os norte-americanos compraram essa ideia.

Entendo que não é um tempo completamente perdido os 42 minutos do piloto. Porém, é cedo para dizer se essa será a nova comédia a revolucionar a TV aberta. Até acredito que, se essa fosse uma série da HBO, ia ter gente chamando de ‘genial’ aos quatro ventos. Como é na Fox, muitos ficam na vontade, mas não falam. Porque pode pegar mal.

Vamos esperar para ver o que o futuro reserva para o último homem (e mulher) da Terra.