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The Grinder é a segunda comédia estreante da Fox na temporada 2015-2016. Aposta em uma ideia surreal e no carisma de Rob Lowe e Fred Savage para engrenar. É uma das comédias que muitos críticos norte-americanos apostam que será sucesso. Mas… será que é o suficiente?

The Grinder conta a história de Dean Sanderson, Jr. (Rob Lowe), ator que, por oito temporadas, protagonizou a bem sucedida série The Grinder, onde ele era um advogado inteligente e implacável em busca de justiça. Com a série encerrada, ele decide voltar para casa, em Boise, Idaho. Como a cidade é minúscula (e as pessoas são meio tapadas), ele vira a celebridade local. Mas isso não deixa ele feliz.

Dean quer buscar outros rumos na sua vida, e admira como o irmão, Stewart Sanderson (Fred Savage), consegue tocar a vida de forma eficiente e responsável. Curiosamente, Stewart e o pai, Dean Sanderson, Sr (William Devane) são advogados locais com relativo prestígio.

Stewart tem amplo conhecimento da lei, mas é inseguro. Precisa de cartões para fazer suas deliberações, apesar de já ter todos os casos e argumentos memorizados. Então, Dean olha para o irmão – e no seu ofício de advocacia -, e enxerga a forma perfeita de começar uma nova fase na sua vida. Como? Utilizando a sua experiência adquirida ao interpretar o advogado da série de TV por oito temporadas no mundo real.

É claro que Stewart acha essa a ideia mais absurda do mundo, por entender que Dean só quer aparecer (ou acabar com o tédio que sua vida se tornou). Porém, para a sorte de todos, a estratégia de Dean dá certo, uma vez que ele usa o seu charme e espontaneidade para defender qualquer tipo de argumento. Até porque, como eu disse antes, o irmão é uma celebridade local, e qualquer bobagem que ele fizer será bem visto pelas pessoas.

Stewart entende que a dupla com o irmão pode dar certo, e o dois começam a defender os casos mais absurdos da cidade, com métodos pouco convencionais.

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Eu fui ver The Grinder com certa expectativa, pois a premissa era interessante. Ou melhor, soava melhor na minha cabeça. Porém, ao final do piloto, ficou um certo gosto de decepção. Não que o episódio seja ruim ou péssimo. Mas eu esperava um pouco mais.

Rob Lowe está Rob Lowe. E Fred Savage está Fred Savage. Acho que era isso o que eu deveria esperar, e foi exatamente isso o que foi entregue. Você imagina Rob Lowe fazendo o papel de um astro de TV, já que ele carrega todo o esteriótipo para esse tipo de personagem. E você imagina Fred Savage fazendo o papel de uma advogado certinho, pois ele sempre carregou como característica de sua interpretação a timidez. Vide o Kevin Arnold de Anos Incríveis, que era (entre tantas coisas) tímido.

Está tudo certo aqui.

O problema é que The Grinder demora e muito para engrenar como série de comédia. O pai dos dois irmãos consegue ser apenas um idoso insuportável que gosta de tudo (detalhe: William Devane fez o secretário Heller em 24 Horas). Os filhos de Stewart são inexpressivos, e só servem de escada para as piadas de Rob Lowe. E até mesmo o texto, que tinha tudo para ser uma das coisas mais interessantes da série, se tornou apenas absurdo e cansativo.

O piloto só engata a quarta marcha nos últimos quatro minutos do episódio, quando você vê como vai funcionar a mecânica entre Dean e Stewart nos tribunais. A situação do julgamento é tão absurda, que você dá risada. Mas acho que é esperar muito tempo para finalmente rir da proposta que eles apresentaram.

Fora isso, The Grinder deixa a desejar. Precisa melhorar um bocado o seu timing para agradar. A série tem sim potencial para ser uma boa comédia. Nem precisa forçar muito. É só fazer alguns ajustes.

Quem sabe eu dê uma nova chance para eles nos próximos dois ou três episódios. Mas pelo menos nesse começo, eu vou compreender se algumas pessoas sentirem o mesmo gosto de decepção ao final dos 21 minutos do episódio piloto.