Uma das estreias mais esperadas nesse primeiro semestre pelos fãs de trillers policiais. Muita gente colocava muitas fichas de apostas em The Following, incluindo a própria Fox, que precisava de uma série nesse estilo. Pois bem, ela estreou nessa semana nos Estados Unidos, e estreia no Brasil (Warner Channel) em fevereiro. E passamos nossas primeiras impressões sobre a produção a seguir.

A série se centra em dois nêmesis. O serial killer e o perseguidor com sérios problemas do passado. Começando por Joe Carroll (James Purefoy), um professor de literatura inglesa, obcecado pela vida e obra de Edgar Allan Poe, que por ter tamanha devoção à essa obra, começa a reproduzir os passos do autor da pior forma possível: através de assassinatos em série, que na visão dele, são obras de arte. De fato, em cada assassinato, existe todo um simbolismo e uma certa profundidade em sua mensagem, que para a maioria, são apenas assassinatos cometidos por pessoas perturbadas e desequilibradas.

Só uma pessoa entende a mente de Carroll tão bem. Ryan Hardy (Kevin Bacon), que foi quem pegou Carroll pela primeira vez, em 2004, depois de 18 meses de investigação e estudo do serial killer. Ryan foi tão bem sucedido na empreitada, que decidiu compartilhar com todos a sua experiência em um livro (e tudo indica que Carroll levou isso como uma afronta pessoal… falo disso mais para frente). Porém, pegar o assassino em série não foi a melhor coisa que aconteceu na vida de Ryan. Pelo contrário. Teve o coração esfaqueado por Carroll durante a captura, e hoje vive por conta de um marcapasso. Foi afastado das ações de campo do FBI, não levou à frente um romance com a ex-esposa de Joe, Claire (Natalie Zea), e tem hoje uma grande dependência com o álcool.

Mas… oito anos se passaram desde a primeira prisão, e Joe escapa mais uma vez do presídio de segurança máxima onde ele se encontrava. Mas essa fuga não dura muito tempo. Joe foge apenas para concluir a história inacabada do passado, matando a pessoa que Ryan salvou em 2004. Porém, muita coisa mudou. A principal delas: Joe está alguns passos à frente de Ryan. Além de estudar o livro de Hardy minuciosamente (o que vai evitar que Joe cometa os mesmos erros do passado), o serial killer sabe que se tornou uma lenda no mundo lá fora: com a ajuda do livro que lançou, e que foi um fracasso comercial, e da internet (onde ele descobriu sites, blogs e fóruns de discussão que só falavam nele), Joe montou uma legião de seguidores malucos para dar continuidade à sua obra de assassinatos. O objetivo de Joe agora é manipular Ryan no seu propósito de escrever uma nova obra, onde ele pode ou não indicar ao seu nêmesis onde estão os seus seguidores, quando eles vão atacar, e como Ryan poderá pegá-los.

O piloto de The Following é muito bom. Sem exageros. Dirigido por um dos seus produtores, o competente Marcos Siega, a série cumpre com o que promete: imergir o telespectador no clima tenso e de suspense durante 44 minutos. É possível detectar no episódio piloto diversos elementos utilizados em tramas cinematográficas do gênero, e até recursos utilizados em clássicos do gênero em tramas cinematográficas. Um exemplo claro disso é que em todas as cenas onde Ryan sente o seu marcapasso “atuar” (com alguma alteração cardíaca mais séria, que debilita momentaneamente o ex-agente do FBI), é possível ouvir no fundo do áudio as batidas do coração de Ryan. Esse é um recurso de imersão utilizado no cinema por Alfred Hitchcock e Quentin Tarantino.

Outro aspecto positivo de The Following: voltamos a ver uma Fox altamente ousada na ilustração dessa história. É uma das produções mais sangrentas e com cenas explícitas de violência, tortura e morte já vistas na TV aberta norte-americana. E, se há um lugar onde isso tinha que acontecer, era na Fox. Só espero que os norte-americanos conservadores/chatos não fiquem de #mimimi por causa disso. Alguns pontos do piloto lembram outras produções mais recentes do cinema que envolvem o tema serial killers, como Seven e O Silêncio dos Inocentes, mas mais como uma referência mesmo. E isso tudo combinado faz com que você queira ver mais, mesmo que o grande temor de muitos aconteça, que é a série virar “série do caso do dia”.

E antes que eu me esqueça: Purefoy, de novo, excelente. Já Kevin Bacon está bem. Tem gente que critica por não ter a mesma empatia ou capacidade de interpretação de Purefoy. Eu digo: vocês se apegam a detalhes. Afinal, não dá para esperar muito do cara que fez Footloose, certo?

Por fim, The Following teve um começo muito bom, e recomendo que vocês assistam. É muito melhor do que a maioria das séries policiais que temos hoje no ar, justamente por criar toda uma trama, com algumas variantes que precisam se desenvolver, e que envolvem um fundo psicológico bem interessante. A inserção de referências literárias e todo o jogo mental que promete ser criado entre Ryan e Joe prometem uma trama que pelo menos tenta se distanciar das demais produções, sem ser apenas aquela série do cara que mata, do policial que corre atrás, e que passa 35 minutos caçando pistas para descobrir o vilão no final do episódio.

Mesmo porque, as principais perguntas a serem respondidas são: onde vai acontecer o próximo crime, e como ele será executado?