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O bom filho à casa torna. Será?

Uma das boas promessas da ABC para a temporada era The Family, drama investigativo que segue mais ou menos a linha da bem sucedida Secrets and Lies, com uma estrutura familiar complicada e um crime de complexa solução. Porém, parece que a ausência de Juliette Lewis ajuda, e a nova série me desperta mais interesse (se bem que não descarto ver a primeira temporada de Secrets… apesar do Ryan Phillipe…).

The Family conta a história da família Warren, onde a mãe Claire é a atual prefeita da cidade fictícia de Red Pines. Sempre foi política, ou seja, manipulava os fatos a seu favor para poder obter a visibilidade desejada. Seu marido, John, nunca concordou com isso, e estava de saco cheio de tudo. Mas o casal tinha mais problemas pelo caminho.

Seu filho Adam foi sequestrado durante a campanha de Claire. O rapaz tinha apenas 10 anos quando o crime aconteceu. Nem preciso dizer que ela utilizou o evento para se promover politicamente. As investigações foram inconclusivas, e o garoto foi dado como morto. Um dos vizinhos, Hank, é acusado pelo crime e é preso, julgado e condenado. Na época, a detetive Nina Meyer (quase… #24) fez a sua carreira dentro da polícia ao prender Hank pelo crime de assassinato, e hoje é sargento.

Vida que segue.

Dez anos depois dos acontecimentos, Claire, agora prefeita, está em plena campanha pela vaga de governadora do estado do Maine. Todos seguiam suas vidas, até que em um belo dia um jovem de 20 anos aparece todo violentado e maltrapilho, vai até a delegacia de Red Pines, pede para falar com Nina, e se apresenta como… Adam, o garoto desaparecido dez anos antes.

Nem preciso dizer que, após a comoção generalizada, Claire decide confirmar sua candidatura, utilizando o filho recém retornado como cabo eleitoral. Porém, tem um detalhe: todos estão em dúvidas se o rapaz que entra para o núcleo da família Warren é mesmo o Adam que foi sequestrado. Várias evidências mostram que pode se tratar de um impostor, ou um elemento de manobra até mesmo para uma vingança para corrigir injustiças cometidas no passado.

Sem falar que a volta de Adam também pode trazer à tona todos os segredos mais ocultos dos membros da família Warren, que podem estar envolvidos no desaparecimento do garoto, ou que esse incidente pode evidenciar os podres que eles tentam esconder deles mesmos (e do mundo, obviamente) a todo custo.

Tudo é possível, meus amigos!

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Tentei pegar leve nos spoilers porque gostei de The Family, e quero que você ao menos dê uma chance. É uma série com narrativa sólida, um argumento interessante, personagens interessantes e algumas alternativas que podem resultar em histórias paralelas que realmente podem prender ao telespectador que gosta de uma série onde ele brinca de detetive enquanto assiste. Um dos pontos positivos do piloto é que ele é acessível, ou seja,você não fica perdido diante dos acontecimentos porque eles são apresentados para você de forma muito evidente.

Por outro lado, esse fator também pode ser considerado um grande problema para os mais exigentes, pois tudo fica muito evidente e óbvio para quem espera ser surpreendido por algum fato novo e surpreendente. Mesmo assim, não descarto a iniciativa deles em oferecer algo que qualquer pessoa possa acompanhar, já que o que a ABC quer com The Family é o mesmo que todo e qualquer canal de televisão deseja: a audiência.

No final das contas, temos uma série bem produzida, bem esquematizada, madura, que sabe a história que quer contar. Sabe exatamente o que fazer com seus personagens, oferece um bom texto, com interpretações dos protagonistas que não comprometem tanto (com evidente destaque para Joan Allen, que naturalmente se sobressai em relação aos demais), e uma estrutura narrativa que consegue prender de forma mínima para ver o próximo episódio.

The Family pode vingar sim. Aliás, até torço para vingar. A ABC precisa mesmo emplacar essa sua linha de séries investigativas com temas mais pesados e polêmicos. No caso dessa série, essas polêmicas dos motivos do sequestro de Adam aparecem em momentos pontuais, mas que sabemos que são o principal combustível para as motivações de muitos dos personagens. E é isso o que torna a série bem interessante: pode sim tratar da polêmica da violência infantil, e até inserir o assunto em um viés mais ‘burocrático’ (dentro da política), mas ainda assim permitindo que o grande público veja e fale sobre o assunto sem ser algo muito chocante.

Fico na torcida para que a série vingue. Ou para que a audiência da ABC compre a ideia.