E finalmente estreou o prequel de Sex and the City, no estilo CW de ser. The Carrie Diaries chega com a complicada (nem tanto) missão ser a série nova-iorquina do canal teen norte-americano, substituindo Gossip Girl na grade de programação. E olhando para o seu piloto, vemos coisas boas e coisas ruins. Podemos dizer que a quantidade de coisas boas são em maior número. E olha que eu não sou uma adolescente com 16 anos de idade.

The Carrie Diaries é baseada no livro homônimo de Candace Bushnell, e vai mostrar a história de Carrie Bradshaw (AnnaSophia Robb) no auge de sua adolescência. Mostra como ela efetivamente chegou à Nova York, como passou a conhecer a cidade e todas as armadilhas que ela oferece, e deve mostrar em algum momento como ela conheceu suas demais amigas, que no futuro, acompanhariam sua trajetória de escritora de sucesso. Aliás, Carrie só começa a escrever por causa dos diários em branco da mãe, recém falecida do câncer.

Pelo menos no piloto (e tudo indica que nessa primeira fase da série vai ser assim), vemos os demais amigos de Carrie na sua vivência colegial, o seu primeiro interesse amoroso, Sebastian Kydd (Austin Butler), a sua primeira nêmesis na vida, Donna LaDona (Chloe Bridges), seu pai, Tom (Matt Letscher), e toda a atmosfera de Nova York da década de 1980 (1984, para ser mais exato), e a nova amiga ultrastyle de Carrie, Larissa (Freema Agyeman), que está doida para levar a nossa amiga para o mal caminho o mais depressa possível. Tudo isso faz parte do início da fase de transição de Carrie da adolescência para a fase adulta.

O que falar do piloto? Bom, amigo leitor (ou amiga leitora), por favor, considere que quem está escrevendo esse texto é um homem, com 33 anos de idade, e que em condições normais de temperatura e pressão, não chegaria perto desse tipo de série. E só assisti para cumprir com esse compromisso que tenho com vocês que acompanham o SpinOff.

Dito isso… achei o piloto de The Carrie Diaries bonitinho… e é um elogio, acredite. O lado bom da série está na sua ambientação, que está muito bem feita. Roupa, cabelos, acessórios, carros, escritórios, adereços e principalmente, trilha sonora. Tudo realmente te transporta para a Nova York de 1984, que na época era uma cidade que misturava os yuppies, doidos para vencer na vida em Wall Street ou em um grande escritório, e os jovens com roupas coloridas e chamativas (ou os esquisitões que só se vestiam de preto), em uma era pós-punk e pós Andy Warhol. Além disso, a CW foi muito esperta, usando sem escrúpulos nenhum o acervo de imagens da década de 1980 que a CBS tem, e aos montes.

Talvez os personagens pareçam um pouco “bobinhos demais” para o meu gosto de série, mas convenhamos: estamos falando de uma série cuja personagem central tem 16 anos de idade. Logo, é completamente compreensível que ela fique embasbacada com a nova cidade que se abre diante dela. Nova York é um gigante pronto para devorá-lo, mas mesmo assim, ela acha tudo o máximo. Eu também acharia, se tivesse a idade dela. Logo, vale o desconto. Se bem que descobrimos que a Carrie Bradshaw de 1998 se veste mal desde os anos 80… mas isso é outra história.

A série tem todos os elementos que uma trama adolescente precisa ter: a personagem central, o seu interesse amoroso (o galã com cara de filme juvenil dos anos 80… ponto para vocês, CW…), a amiga super “pra frentex”, a melhor amiga insegura, o amigo gay (mesmo que ele fique dentro do armário por algum tempo), a amiga da cidade grande que quer desvirtuar a novata, a rival da escola e suas amigas “puxa-saco”… tudo está lá, prontinho para ser consumido pelo público-alvo da CW.

Então, qual é o ponto negativo de The Carrie Diaries? Justamente o interesse do público pela década de 1980.

A audiência inicial da série foi fraquíssima (1.61 milhões de espectadores, 0.6 na demo 18-49). A série não chamou a atenção do público cativo da CW, e nem daqueles que viveram os anos 80, ou mesmo dos fãs fiéis de Sex and the City. A década de 1980 pode ser interessante sim, mas… o quanto as pessoas estão interessadas em reviver esse tempo? Além disso, alguns argumentos iniciais da série (e suas respectivas subtramas) são típicos dos adolescentes (daquela época e dessa época), mas será que serão atraentes o suficiente para se manter no ar? Não sei… talvez o erro da CW dessa vez foi se focar no público entre 13 e 18 anos, e é difícil saber se eles vão comprar essa ideia de forma tão “água com açúcar” como foi apresentada.

Só o futuro vai dize se The Carrie Diaries pode se salvar. Se serve como termômetro, Emily Owens, M.D. estreou com audiência melhor que essa, e não sobreviveu. A CW promete trazer algumas das personagens “do futuro” para participar da série do passado. Só não sei se vai dar tempo. Mas… vamos fazer o seguinte: se você tem entre 13 e 19 anos, vale a pena ver o piloto. Acima disso, assista com um pé atrás. Se você viu Sex and the City, aconselho a não chegar muito perto. As chances de você sair xingando a Carrie de 16 anos e seus amigos são enormes. Mas, na média, é um ploto “ok”. Não saí com dor de cabeça depois de 42 minutos de episódio.