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Eu entendi qual é a ideia de The Brink. Só não sei se entendi sé uma ideia realmente engraçada. O piloto de 33 minutos foi, em partes, um desafio tão complexo quanto encontrar a paz em um país em crise. A série criada pelos irmãos Roberto e Kim Benabib tenta combinar humor com política. Não que isso seja errado. Mas… será que eles fizeram da forma certa?

Cada temporada de The Brink vai mostrar uma diferente crise política ao redor do planeta, onde os mesmos personagens principais estão envolvidos para resolver esse conflito. Nessa primeira temporada, temos um grave problema no Paquistão, com uma população que se manifesta de forma raivosa contra o exército local e os norte-americanos. E esse problema deve ser solucionado por pessoas que não são consideradas as mais aptas para a missão.

De um lado o Secretário de Estado dos EUA Walter Larson (Tim Robbins), um homem que odeia o seu trabalho, tem uma vida desregrada, que normalmente te traz problemas na hora de gerenciar as crises internacionais que ele precisa administrar. Por outro, temos Alex Talbot (Jack Black), que foi enviado para Islambad para ser o embaixador dos Estados Unidos no Paquistão. Tem um comportamento egocêntrico, e totalmente indiferente aos que estão ao seu redor, desde que os problemas não o atinjam.

Esses dois mundos em algum momento vão se encontrar, aumentando de forma considerável os problemas do presidente dos Estados Unidos, gerando situações de vergonha alheia constante, mas que no final devem resultar em uma solução pacífica. Ou não.

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Apesar de entender a proposta de dar uma visão mais escrachada e bem humorada ao sério tema de resolução de conflitos internacionais, eu achei o piloto de The Brink bem chato. Já entendo que o tipo de humor de Jack Black é de difícil assimilação, e no piloto, ele não pode fazer todas as suas caras, bocas e trejeitos de outras produções.

Porém, o que complica mesmo na série é o seu desenvolvimento geral. Algumas piadas são tão óbvias que acabam não funcionando dentro do contexto geral da série. Algumas propostas de humor são mais diretas, com piadas mais pesadas, mas na tentativa de beirar ao absurdo, ela fica sem graça e um pouco previsível.

Não que eu me incomode com piadas de sufocamento durante o sexo, ou de militares viciados em drogas (pois sabemos que isso existe na vida real). Mesmo assim, não é feito de uma forma tão espontânea como acontece em outra novata da HBO (Ballers, que já comentamos no blog). Tudo é meio jogado na nossa cara, e o fato da gente pensar que ‘é o Jack Black’ que está fazendo isso não ajuda muito.

E eu até gosto do Jack Black, que fique bem claro.

No final das contas, The Brink tem que mostrar a que veio. A audiência da estreia foi considerada ‘ok’, mas pode cair no esquecimento rapidamente se manter esse ritmo meio insosso. Ou não: as pessoas podem acompanhar por conta do ‘fator Jack Black’, e a série continua no ar sem muita razão de ser.

Se vai conferir esse piloto, faça-o com algumas ressalvas. Há boas chances de você não gostar do que vai ver.