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A summer season começa com o ‘clube das muié dos astronauta’. Ok, estou brincando. The Astronaut Wives Club é baseado no livro de mesmo nome de Lily Koppel, e mostra a vida das mulheres dos primeiros astronautas do programa da NASA na conquista do espaço, com o objetivo final de chegar à Lua antes dos russos.

A série foi programada para estrear na temporada 2013-2014 (faz tempo, hein…), mas apenas em fevereiro de 2014 ela foi confirmada como uma limited series de 10 episódios, com estreia prevista para julho de 2014. Porém, foi adiada em mais um ano, para só estrear nos EUA em 18 de junho de 2015. Ok… vamos descobrir se a série levou dois anos para ir ao ar pelos motivos que já imaginamos, ou porque a ABC não tinha espaço para ela (colocando coisas horrorosas no ar no lugar, como Killer Women).

Como é baseada em fatos reais, os astronautas citados na série realmente existiram, assim como os acontecimentos relativos à NASA. Se tiver alguma mudança nos nomes e nas características das esposas, são muito sutis e em detalhes pontuais. Mas a tendência é que tudo seja contado tal como aconteceu, ou como foi descrito no livro. Dito isso, o que posso dizer é que The Astronaut Wives Club tem como principal ponto positivo contar uma história que poucos viram na época. E com uma riqueza de detalhes que impressiona.

Aliás, sempre e quando a ABC busca recriar o passado, eles o fazem muito bem. Não é a primeira vez que vemos o quanto eles são capazes de enriquecer de detalhes uma série de época na parte de produção e citações históricas. Vide o trabalho feito em Marvel’s Agent Carter. Logo, nesse aspecto, a série manda muito bem, e é altamente recomendada.

Sobre a trama, ela é um pouco insossa. O piloto engrena do meio para frente, quando deixa de lado a ‘barra de vida’ das esposas se mostrando umas para as outras, defendendo os maridos e os motivos para que eles sejam os primeiros a conquistarem a Lua, para enfrentar problemas minimamente relevantes para tudo o que envolve aquela disputa.

Por exemplo: para a NASA, conquistar o espaço antes dos russos não é o suficiente. Os astronautas escolhidos precisam ser modelos para a sociedade norte-americana, mostrando que o ‘american way of life’ deu muito certo e, a partir disso, vender esse modelo de vida ao mundo (mostrando que é muito melhor que aquilo que a União Soviética pregava).

Logo, ter um marido infiel é algo que as esposas precisam engolir, em nome do prestígio de ter um ‘herói nacional’ em casa. Como vocês sabem, poucas esposas na época se divorciavam dos maridos. E por conta disso vemos hoje tantos casamentos frustrados e fracassados. Mas no caso delas, isso tudo era irrelevante diante do generoso acordo feito com a NASA para passar a imagem de mundinho perfeito para o mundo.

O que não vai impedir que pelo menos uma delas tenha um caso com um repórter da revista Life. Bom, ainda não aconteceu, mas já está encaminhado esse plot.

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Eu não achei o piloto de The Astronaut Wives Club necessariamente ruim. Talvez eu esperava algo um pouco melhor, só isso. Eu terminei o piloto achando que ele foi bem feito, equilibrado, mas me perguntei: ‘o quão interessante pode REALMENTE ser a vida das esposas dos astronautas?’.

Talvez se a série explorar esses dilemas éticos (infidelidade, viver de aparências, mostrar aquilo que não é na realidade, etc), a série pode até engrenar. As esposas mostram as suas diferenças evidentes (se tornando competitivas em alguns casos), mas entendo que isso só será interessante quando cada episódios focar de forma mais enfática em cada uma delas.

Como disse antes, na parte técnica e de produção, The Astronaut Wives Club é impecável. A ambientação é muito bem feita, ajudando e muito na imersão do telespectador naquele universo. O que preocupa é se a série pode mesmo ser atraente quando os personagens que estão em evidência não são os ditos ‘heróis nacionais’, mas as mulheres que estão por trás deles. Não quero ver esposas vivendo em um mar de futilidades. Gostaria de ver mulheres fortes, inteligentes e especiais.

Talvez eu precisasse ler o livro de Lily Koppel para ter uma impressão definitiva sobre o perfil de cada uma delas.

Enfim, no final das contas, vale a pena assistir o piloto, pelo menos para você conhecer. Ok, eu sei que você tem uma certa bronca com a Joanna García (meu Deus, essa menina mudou de nome de novo?), e que ela pode afundar mais uma série que ela participa. Em compensação, temos também a linda Yvone Strahovski (saudades Chuck e 24 Horas…), além da moça Odette Annable, que é querida por muita gente.

Olha, aposte em The Astronaut Wives Club só pelo fato de ter apenas 10 episódios. Se gostar, espere a ABC mudar de ideia e ser renovada para seguir em frente. Combinado?