Pilot

Finalmente! Chegou o dia! Depois de quase um ano de espera, especulações, promos, trailers e promessas absurdas de Isaiah Washington, The 100 estreou na programação da CW. A série que tem como missão revolucionar a CW como nós conhecemos, também está disposta a responder a enigmática questão: “o que acontece quando jogamos 100 delinquentes juvenis em uma Terra devastada por uma guerra nuclear?”. Mas vai além disso. Por mais inacreditável que pareça.

A premissa de The 100 é a seguinte: o ser humano ferrou com tudo aqui na Terra em uma guerra nuclear, deixando o planeta simplesmente inabitável. Quem pode, fugiu para uma estação espacial internacional, acreditando que todos os seus problemas estavam resolvidos. Ledo engano. O tempo passou, os humanos na estação espacial não pararam de ter filhos, e rapidamente eles se depararam com um “pequeno” problema: a falta de espaço.

A estação espacial é “governada” por conselheiros (que são os pais de alguns dos “delinquentes”) e o Chanceler Jaha (Isaiah Washingon) que é quem comanda toda a comunidade. Esses pais desajustados criaram leis rígidas e absurdas demais para quem vive em uma estação espacial. Por exemplo, se um casal tivesse um segundo filho, não só os pais são considerados criminosos, mas o segundo filho TAMBÉM. Só por ter nascido!

Ou seja, nem todos os adolescentes considerados delinquentes são criminosos de verdade. Muitos ali estão pagando o pato pelos pais. O que não quer dizer que não existam os bandidinhos de verdade. Aliás, tem alguns com cara de perigosos/sinistros, mas ao mesmo tempo (e de forma muito estranha) acabam sendo o ativador de feromônios nas menininhas da série. Sejam elas CDFs ou fúteis/rebeldes sem causa.

De qualquer forma, para começar a resolver o problema de superlotação da estação espacial, 100 desses adolescentes – cujos muitos pais não querem ver nem pintados de ouro – são enviados para um planeta Terra que não tem gente há 97 anos – por conta da guerra nuclear, é sempre bom deixar isso claro -, sem saber se vão sobreviver, sem ter certeza se existem condições de vida lá… enfim, foi todo mundo despachado no modo “te vira, moleque”. Feito o despacho, esses mesmos pais passam a decidir se matam mais gente dentro da estação espacial ou não, em uma mega conspiração sinistra, com alguns fazendo cara de mau o tempo todo.

Enquanto isso, na Terra, esse bando de adolescentes – na grande maioria, burros – começam a “se virar” no planeta. Literalmente, pois tal como a maioria dos adolescentes, eles começam a ignorar completamente as instruções passadas por Jaha. Todas elas. Inclusive aquelas que envolvem a sua própria sobrevivência. Em resumo: procurar comida pra quê?

Apenas cinco (ops, quero dizer, quatro) desses adolescentes começam a procurar modos de sobreviver em um planeta que tem um veado de duas cabeças (digitalizado, é claro), e uma mini Piranhaconda nadando em um lago que sequer constava no mapa. E assim, brincando de garotos perdidos em selvas de Lost feitas em estúdio, eles vão descobrir a fria em que se meteram.

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Bom, aqui eu já respondo a sua pergunta: não… Isaiah Washington está errado, e The 100 não chega nem perto de ser uma Arrow, que dirá uma Mad Men ou Breaking Bad.

Talvez já pensando na possibilidade de ser cancelada rapidamente, o piloto de The 100 queima alguns estágios importantes. O principal deles? Apresentação dos personagens. A série não te dá chances de você conhecer melhor os personagens antes de todos serem jogados na Terra. Só depois disso, você vê a personalidade deles, e no final das contas, você não se importa com nenhum deles, ou com os problemas que eles enfrentam na Terra. Afinal, eles simplesmente foram jogados lá.

Até porque os adultos não tem sequer certeza se eles vão sobreviver em uma Terra que, repito, foi vítima de uma guerra NUCLEAR. Eu não mandaria o meu filho para lá por nada!

Só aí a gente vê como os adultos da série são burros. Sem falar que, no núcleo adulto, rola uma mega conspiração contra o Chanceler, com pessoas fazendo cara de mega evil, e que no final das contas, apenas querem justificar o mote principal da série: matar pessoas à esmo. Por nada. Os adultos querem oficializar isso, e os adolescentes, ao que tudo indica, vão descobrir isso sozinhos, e rapidamente.

Mesmo porque eles já se juntaram em grupos, de acordo com o interesse deles. Tal como em qualquer colégio de ensino médio.

Do mais, os membros do elenco adolescente do piloto são fracos, alguns com cara de burros (talvez a ideia seja essa), e isso só contribui para que não haja apego com essas pessoas. Aliás, com o plot todo: The 100 é uma forçada de barra no argumento para produzir uma série de TV.

Não dá pra considerar o piloto como bom. Porém, eu tenho uma boa notícia para você. O piloto de The 100 é tão ruim, que “dá a volta”!

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Sem muito esforço, você começa a observar as trapalhadas que os adolescentes jogados na Terra fazem, e começa a dizer “um adolescente médio faria exatamente isso”. Aliás, The 100 é uma prova cabal de como um conjunto de pessoas (jovens, adultos, não importa) podem ser burras e superficiais em vários níveis. Se a ideia da série era passar essa mensagem, eu dou os parabéns para os seus criadores. Objetivo alcançado.

Sem falar nos pequenos detalhes de produção: selva cujas flores brilham no escuro (até vai… vai saber o que as bombas nucleares fizeram…), um cervo desformado digitalizado, a mini piranhaconda… tudo acaba sendo muito risível. E você dá mais risada ainda quando você lembra que o Isaiah Washington chegou a dizer a pérola…

The 100 vai mudar a CW como conhecemos. Será do mesmo nível que Mad Men e Breaking Bad!

De novo: não, Isaiah… essa é a CW que a gente já conhece, e principalmente: a CW que a gente ama! A CW moleque! A CW pé no chão! A CW roots!

Por favor, Isaiah Washington… pare de comer pedras de crark junto com o seu Sucrilhos no café da manhã! Por favor!

Por fim, eu me diverti com The 100. Me entregou o que prometeu: uma típica série da CW, com conflitos adolescentes, mas em um planeta Terra primitivo. É tipo um Lost pós apocalíptico, mas onde os perdidos são todos adolescentes. Mais uma vez: não dá pra chamar essa porcaria de boa…

…mas não vou te condenar se você assistir e se divertir. Aconteceu comigo.