Enfim, a criança nasceu! Depois de quase dois anos planejando a série, a Fox estreou Terra Nova, produção de Steven Spielberg em conjunto com um time de produtores e roteiristas de um monte de séries badaladas (como 24 Horas e Lost). Muito bem, duas horas de episódio depois, eu digo: “eu não devia ter visto esse episódio em alta definição”.

Uma das coisas que me incomodam em séries de ficção científica é a produção empregada nessas séries. Já são histórias difíceis de serem contadas, que precisam contar com a boa vontade do telespectador para embarcar na história. Agora, fica complicado quando você mistura cenários digitalizados com selvas cenográficas e cenários naturais. A combinação precisa ser equilibrada e convincente para não cair no ridículo. Mas, calma. Ainda não cheguei na parte dos dinossauros. Por isso, vamos falar do ridículo daqui a pouco.

Antes de qualquer coisa, temos que estabelecer uma regra básica. Para assistir Terra Nova, você precisa esquecer por completo a regra do “alterar o passado modifica os acontecimentos no futuro”. Um exemplo claro disso que estou falando é um episódio de The Simpsons, onde o Homer inventa uma máquina do tempo a partir de uma torradeira, volta ao tempo dos dinossauros, mata “acidentalmente” uma borboleta, e no final, Springfield é dominada por uma horda de Ned Flanders. Em Terra Nova, é basicamente a mesma coisa, só que o futuro DA HUMANIDADE (afinal, eles voltaram nada menos que 85 milhões de anos no tempo) que se lasque, já que eles acharam um buraco no tempo para ir para um “passado que não altera o futuro”. Ou seja, universo paralelo. Tá, mas… de novo isso? Já vimos isso em Battlestar Galactica, Heroes, Lost, Fringe, e tantas outras… Seria mais fácil me dizer que o futuro que eles viveram (e ferraram com tudo) jamais existiu. Universo paralelo com apenas algumas palavras. E olha que eles tinham tecnologia para voltar no tempo, mas não para salvar a Terra. Mas, tudo bem, deixa pra lá.

Através de uma “fenda” no espaço/tempo no estilo Stargate, a família do futuro volta ao passado alternativo. Lembrando mais uma vez que eles abandonam um planeta Terra que, no futuro, eles conseguiram ferrar com tudo, com “ganância, egoísmo… e um terceiro filho”. E o que eles vão fazer no passado? Ferrar com tudo desde o começo! Olha só que genial! É o plano perfeito!

Sobre a família que é o que motiva a trama, o que posso dizer é que ela é bem Jason O’Mara. Não dá pra se apegar ao drama do “tenho um filho a mais, logo sou preso” desse piloto, e não creio que isso vai mudar ao longo dos próximos episódios. Mesmo porque, se eles forem espertos, eles não vão se prender ao grande drama do “pai, não quero saber de você porque você ficou três anos preso. Logo, para te contrariar, vou beber com os amigos que acabei de conhecer na terra prometida, já que eles me chamaram para brincar de Garotos Perdidos, ok?”.

Mas nem tudo está perdido em Terra Nova. Afinal de contas, os humanos, que vão fazer cagadas no passado, precisam de um inimigo para disputar o poder da terra prometida. E não há inimigo melhor para o ser humano do que… outro ser humano! Viajantes do tempo dissidentes resolveram brigar com aqueles que chegaram primeiro, e resolveram entrar na porrada pra ver quem é que manda. E os dois grupos contam com um inimigo comum: os dinossauros.

Aliás, chegamos ao momento que você estava esperando! Os dinossauros digitalizados!

Não poderia ser algo de Steven Spielberg se não existissem os dinossauros digitalizados. E eles são o motivo pelo qual eu me arrependo de ter visto esse piloto em HD. Como é que a Fox gasta uma grana para um resultado final tão porcaria nesse aspecto? Elementos virtuais mal feitos, vergonhosos, que me fizeram rir de nervoso. E mesmo no momento “meiguinho” do episódio (que precisa estar presente em uma produção de Spielberg), quando a menininha começa a alimentar o dinossauro pescoçudo, fica evidente que o resultado final do negócio ficou longe do aceitável.

Por fim, Terra Nova tem a difícil missão de disputar audiência com o Dancing With The Stars, com o futebol americano de segunda-feira, e com a boa vontade do telespectador. É o tipo de série segmentada, focada nos fãs de ficção científica, que convenhamos, é uma parcela pequena do telespectador nos EUA. E, dentro dessas variáveis, vai precisar convencer esse grupo que vale a pena viajar para o passado toda semana. Como se não houvesse o amanhã.

Afinal, quem se importa com o futuro, não é mesmo?