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Eu sei que a gente não devia passar as impressões de um piloto que vazou na internet 6 meses antes da sua estreia. Mas como eu acho que o piloto definitivo não será muito diferente do que vimos, acho que nesse caso vale a pena. Supergirl foi o primeiro piloto que “vazou” da temporada 2015-2016 – e coloco “entre aspas” pois já é difícil de acreditar que isso foi um acidente -, e por ser uma das grandes apostas da CBS para a próxima temporada, vale a pena dar alguns pitacos sobre os 46 minutos desse primeiro episódio.

O piloto conta os primeiros passos de Kara Zor-El/Kara Danvers (Melissa Benoist) como Supergirl, seguindo assim os passos do primo mais popular, e o seu destino como heroína. Aos 24 anos de idade, Kara vive em National City, e se cansou de ser apenas uma funcionária de um conglomerado de mídia comandado pela excêntrica Cat Grant (Calista Flockhart), e quer algo mais na vida. Sente a necessidade de contribuir positivamente com a humanidade, e decide ser uma heroína.

O que Kara não sabe é que, junto com essa decisão, um mundo novo de possibilidade se abriria diante dos seus olhos. Sem falar no mundo novo de problemas que ela teria que encarar. Uma dessas possibilidades está diretamente ligada ao fato de não apenas salvar vidas, mas a necessidade de proteger os mortais dos segredos que envolvem as suas origens.

Um desses segredos são os prisioneiros/inimigos dos Kryptonianos que encontram a sua localização na Terra, e prometem não dar trégua. Com sede de vingança, eles vão tentar de tudo para destruir a filha daquela que prendeu todo mundo. E todos estão à mando da própria tia de Kara. Sim, amigos… sangue do sangue dela querendo ver o sangue dela jorrando…

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Porém, Kara vai contar com a ajuda da própria irmã humana, Alex Danvers (Chyler Leigh), que dedicou a sua vida a compreender como o corpo e a mente de sua irmã alienígena funciona. Isso fez com que ela se tornasse funcionária do DEO, um departamento do governo que monitora aqueles com poderes especiais. Eles não só sabiam da existência – e dos poderes – de Kara, mas também que criminosos de outro planeta se aproximaram da Terra.

Na série, vamos a curva de evolução da Supergirl, onde ela vai aprender a lidar com os seus poderes e com ela mesma, nessa nova fase da vida como um todo.

O piloto de Supergirl é bom. Muito bom. Surpreendentemente bom. Muita gente subestimou a série por conta do promo, que poderia dar a entender que seria ‘uma série de menininha’. Sério, tem gente que é chata pra c*r*lh* nesse mundo: estamos falando de uma personagem que tem apenas 24 anos de idade. Logo, algo que seria absolutamente normal. Mas não é bem assim.

É claro que Kara vive alguns dos dilemas típicos de sua idade, principalmente quando ela conhece um certo James Olsen (ou melhor, Jimmy Olsen), novo fotógrafo da editoria…. mandado pelo primo Superman para acompanhar as ações da moça. Kara tem uma quedinha por ele. Será que engata o romance entre os dois?

Não apenas isso. Logo de cara, Supergirl já cita a necessidade do herói em ter que superar as derrotas, para voltar mais forte e proteger as vidas inocentes. Rapidamente a protagonista se dá conta disso, e do quanto isso se alinha ao seu desejo de salvar vidas.

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Mas um dos pontos mais legais abordados no piloto é a questão do papel da mulher na série. Em Supergirl, as mulheres são poderosas, e isso não fica subentendido apenas nos papéis que elas ocupam. Duas cenas da série deixam isso muito claro, onde citam que o fato de uma mulher ser jovem, bonita e feminina não quer dizer que ela não tenha poder. Ela pode ser tudo isso e muito mais.

Aliás, esse é um recado claro dos produtores e roteiristas da série aos discursos machistas que apareceram logo após o projeto de Supergirl ser anunciado pela CBS. Algumas pessoas de mente mais fraca acham que uma ‘menininha’ não pode ser uma boa heroína. Tolos! As pessoas se esquecem que ‘força’ é algo que vem de dentro. É uma motivação que não se define pelo exterior, mas sim pela capacidade de suportar as dores, de reagir às dificuldades, e pelo desejo de transformar a sua vida em nome de um bem maior.

E tudo isso não se define pelos músculos que você tem no braço. Ou pelo fato de você ainda ouvir One Direction no seu iPhone.

Falando dos aspectos técnicos, a CBS deu uma caprichada nos efeitos visuais desse piloto. Salvo uma coisa aqui e outra ali, você não fica chocado/traumatizado com a estética e os efeitos visuais (diferente da ABC, o pessoal da CBS/Warner parece que sabem utilizar o Chroma Key sem parecer um bando de amadores que querem me cegar).

O roteiro também merece elogios. Tudo é explicado de forma bem didática, os diálogos são ágeis (e, em alguns casos, divertidos), e o piloto não cansa. Não perde o ritmo. É tudo feito na medida certa, para um resultado final bem ajustado. Nesse aspecto, Supergirl vai bem, e deve agradar até mesmo os mais chatos exigentes.

Por fim, muita gente se perguntou por que o projeto de Supergirl foi para a CBS, e não para a CW – canal que já tem algumas séries da DC e que, teoricamente, seria mais adequada para a temática de um herói protagonista -. O piloto da série é a resposta: porque Supergirl é boa demais para a CW (sem ofensas).

Não dá pra dizer que será um megahit instantâneo, mas entendo que levando em consideração todos os riscos envolvidos, o piloto de Supergirl justifica a sua presença na grade de programação da CBS nas noites de segunda-feira a partir do mês de novembro. Acredito que a maioria ficará satisfeita, e que a série tem boas chances de dar certo no canal. Vamos ver se consegue manter o ritmo ao longo da temporada.

Fico na torcida para que sim.