Não sei se é porque comi muito chocolate diet (que nem acho que chocolate é, mas é o que a minha diabetes permite), ou se a raiva por pilotos ruins está passando aos poucos, mas não consegui me incomodar muito com Suburgatory (ABC). Antes, muitas coisas nessa série me incomodariam. Hoje, parece que estou devidamente calejado, a ponto de poder falar desses problemas com serenidade, calma, e sem usar de verborragia. Vamos aos detalhes.

A própria proposta da série é estranha. Vamos ser sinceros e diretos: afinal de contas, em tempos de crise, qual pai iria gastar uma grana violenta para deixar a vida em Nova York, para se mudar com sua filha para um bairro do subúrbio, apenas porque encontrou uma caixa de camisinhas na gaveta do quarto da filha? Na boa, nos dias de hoje isso não faz o menor sentido! Nos tempos modernos, os pais não surtam, e sim conversam. Tudo bem, alguns surtam (pois deixam de ser “consumidores” e passam a ser “fornecedores”… se é que vocês me entendem), mas isso não é motivo para mudar de cidade (já que viver no subúrbio de Nova York é praticamente viver em outro mundo).

O pior dessa decisão é que a até a cliente/nova amiga/futuro interesse carnal do pai da garota (que parece ter saído de um episódio de The Real Housewives of alguma-cidade-norte-americana), que é a típica loira burra de meia-idade metida a MILF, entende claramente que seria melhor conversar com a filha e confiar nela do que colocar as coisas dela em um caminhão e tirar ela da metrópole perigosa. Rapidamente, eles descobrem que a mudança foi um erro mas… já foi, né? Vamos ficar por aqui, senão o canal cancela a nossa série.

Me incomodou fato do piloto voltar por diversas vezes para a “piada da lésbica”. Parece que o roteirista achou mesmo que essa seria a mina de ouro da série, onde todos ficariam felizes e contentes ao ouvir essa piada em looping. Teria sido melhor se eles tivessem explorado a filha da MILF (que, por sua vez, parece ter saído de um episódio de Jersey Shore), que faz a típica adolescente fútil, que é a bitch da escola, odiada, invejada e temida pelos alunos, pela sua combinação de microssaia (que foi cortada pela mãe para ficar mais curta) e maldade alimentada por Red Bull diet.

Engraçado… garota recém chegada na escola, com jeito diferente, será perseguida pela garota popular, porém metida (nos dois sentidos)… onde foi que eu já vi isso mesmo? Meninas Malvadas? Ah, tá… já dá até pra imaginar o que vem a seguir: a garota novata, que todo mundo acha que é lésbica, dá uma virada incrível na história, com direito a lição de moral publica contra a garota fútil e, de bônus, com possibilidades reais de ser a rainha do baile. Podem anotar.

Enfim, não pretendo acompanhar Suburgatory. Para aqueles que forem acompanhar, fica o pedido de me avisarem se a série melhorar um dia, pois até estou curioso para saber como os roteiristas vão desenvolver essa trama. Mas nem toda curiosidade do mundo vai me fazer voltar para ver o segundo episódio da série. É o tipo de série que pode até fazer sucesso, pois conta com elementos que você vê em Cougar Town, como séries que mostram o convívio entre os seus moradores. E os americanos gostam disso.

E quem somos nós para questionarmos o gosto deles, não é mesmo? #ironic