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Quem te persegue nessa vida? Quem você persegue nessa vida? E quando todo mundo persegue todo mundo? Essas e outras questões são levantadas no piloto de Stalker, novo thriller procedural que a CBS estreou nessa semana. E o que podemos dizer logo de cara sobre essa nova série? É que ela tem uma boa notícia, e algumas más notícias. A boa notícia é que o primeiro episódio conseguiu empatar em audiência com a sua predecessora, CSI – e isso pode ser considerado uma vitória para Stalker. A má notícia? Todo o resto.

Stalker conta a história do detetive Jake Larsen (Dylan McDermott), que chega em Los Angeles vindo de Nova York para colaborar em uma nova divisão da polícia local, especializada nos perseguidores paranoicos. Passa a trabalhar com a detetive Beth Davis (Maggie Q), que lidera essa divisão. Os dois possuem personalidades bem diferentes: Jake é engraçadalho, mas muito perspicaz na hora de detectar as características de um crime – principalmente quando envolve um perseguidor. Já Beth é constantemente fechada, compenetrada – uma chata irritada mesmo -, que não mede esforços para pressionar seja lá quem for para concluir suas investigações.

Porém, nem tudo é tão simples na vida dos dois. Jake alega ser vítima de ser stalkeado pela ex-esposa, porém, se muda de Nova York para Los Angeles (supostamente para recomeçar a sua vida) para ser stalker… da própria ex-esposa! E como não? Um especialista em perseguidores, que tem cara de tarado/bandido sinistro, que se desloca de uma costa para outra dos EUA para perseguir a própria ex-esposa?

Mas isso não é tudo: nossa linda e aparentemente frágil Beth TAMBÉM É UMA STALKER, já que ela foi vítima de um no passado. Logo, ela compreende que a melhor forma de nunca mais ser vítima de um perseguidor é se tornando alguém que pode perseguir quem cruzar o seu caminho. É claro que isso tem um lado bom: ela fareja de longe um stalker em potencial (e, por conta disso, não vai com a cara de Jake nesse primeiro momento).

Por outro lado, Jake e Beth tem tudo para fazer o casal perfeito no futuro. Já pensou quando eles descobrirem que contam com essa ‘particularidade’ em comum? Várias cenas de sexo selvagem envolvendo os dois. Sim, pois não vai me surpreender se já existir uma tensão sexual entre os dois.

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Sobre o piloto em si, ele é menos pior do que tudo aquilo que minha criativa mente desenhou quando vi os promos, os cartazes promocionais e as confirmações dos protagonistas da série. Mesmo assim, não convence. Beira o óbvio em alguns momentos, e para a infelicidade de todos que esperavam uma trama psicológica com um roteiro mais elaborado, a péssima notícia para vocês é que Stalker é uma série assinada por Kevin Williamson, e ele deixa a sua assinatura de roteirista pobre de argumentos quando decide que (quase) todo mundo na série é um stalker.

Onde foi que já vimos isso? Em The Following (Fox), também assinada por Williamson, onde todos na série são seguidores de Joe Carroll.

É inacreditável como Williamson usa a mesma solução de narrativa já adotada em outra série, e que todo mundo sabe no que deu. No caso específico de Stalker, por mais que eu leve na conta de que vai ser um ‘pega pra capar’ geral quando todo mundo descobrir o que todo mundo realmente é, o resultado final não chega perto de ser aquele desejado ou imaginado pelo criador da série. Maggie Q não é carismática nesse papel, e você deseja que ela seja a próxima vítima do mascarado que joga gasolina nas pessoas e, na sequência, joga fogo na vítima.

E Dylan McDermott, uma das ‘âncoras’ da TV norte-americana, que tem no currículo várias séries canceladas na primeira temporada? McDermott de novo mostra que não é metade do ator que ele acredita ser, mantendo o seu jeito de canastra, cara de sinistro, barba por fazer, mas com o mesmo poder de interpretação do controle remoto do meu receptor de TV por assinatura. E ainda acho que o meu controle é melhor, pois tem maior carga dramática quando as pilhas que ele usa se esgotam.

Enfim, eu sei que tem gente que vai gostar de Stalker, e não achei o piloto exatamente uma porcaria. Só achei fraco. E fica mais fraco ainda porque sei que esse negócio tem a assinatura de Kevin Williamson, um incompetente que conseguiu c*g*r com The Following, que contava com uma premissa muito mias interessante, mas que por conta de escolhas infelizes, se tornou um dos dramas com argumentos mais absurdos da TV norte-americana atual.

Por conta disso, não consigo comprar a ideia de Stalker, e entendo que os erros vão se repetir. Só me pergunto se a CBS vai ter a mesma paciência e desprendimento que a Fox possui. Logo a CBS, canal líder em audiência. Só o tempo (e os milhões de perseguidores que vão aparecer na série) vai responder essa questão.