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Ser nerd ou geek está na moda. Os dois grupos nunca foram tão populares como é hoje, e isso se reflete no mundo das séries, com o sucesso de The Big Bang Theory, que é “apenas” a série mais vista da TV. Logo, por que não uma comédia focada no mundo dos geeks, das startups e das gigantes do mundo tech? Por isso, a HBO apresentou ao mundo Sillicon Valley.

A comédia faz clara referência ao Vale do Silício, região dos Estados Unidos onde se concentram as principais empresas de tecnologia e as startups (empresas pequenas e/ou iniciantes, compostas por poucas pessoas, mas com grandes ideias de soluções tecnológicas). A série tenta mostrar que, ao mesmo tempo que esse grupo de pessoas podem mudar o mundo com um novo aplicativo social ou sistema operacional revolucionário, eles são excêntricos e bizarros o suficiente para oferecer uma visão mais que peculiar sobre os responsáveis pelo próximo aplicativo que você vai utilizar no seu smartphone.

Sillicon Valley é focada em um grupo de desenvolvedores liderados por Richard Hendricks, que criou um site de buscas de música, que é capaz de entregar as músicas com alta taxa de compressão, mas mantendo a qualidade final de áudio. Isso poderia revolucionar a indústria musical, e essa ideia pode valer milhões de dólares. Porém, ele precisa lidar com alguns obstáculos pelo caminho para a sua ideia prosperar.

A primeira está nos seus próprios colegas programadores, que são menos centrados que Richard no progresso do site, desviando suas atenções para outras causas menos relevantes (não conseguirem pegar mulher, o último jogo lançado para o Xbox, etc). O segundo obstáculo está em Erlich Bachmann, o dono da “encubadora” que Richard desenvolve o seu projeto.

Bachmann é um esquisitão, que já teve sua ideia de aplicativo, mas acabou vendendo seu projeto para viver do nada. Quando o dinheiro acabou, criou a encubadora, na esperança que uma boa ideia aparecesse.

Por fim, Richard ainda tem que lidar com programadores concorrentes, que estão de olho no seu algoritmo, e nos CEOs das gigantes de tecnologia, que querem o seu algoritmo a todo custo, e não poupam esforços (e ofertas generosas de dinheiro) para seduzir nosso protagonista, que por sua vez quer garantir que sua ideia realmente torne a vida das pessoas algo melhor.

Muito bem, por partes.

Sillicon Valley se apresenta como uma boa série. Tem piadas bem sacadas, diversas referências que mostram que Mike Judge fez um belo trabalho pesquisando o mundo da tecnologia, e o tema pode render. Como já disse antes nesse post, o mundo geek nunca esteve tão em evidência, e isso pode se refletir na audiência da série (que foi boa nos dois primeiros episódios, levando em conta que uma queda no segundo episódio é algo natural).

Por outro lado, até eu reconheço que Sillicon Valley, assim como outras séries da HBO, é bem nichada. As piadas são muito específicas, onde você precisa ter um conhecimento razoável do atual cenário do Vale do Silício (e da história da informática e tecnologia de consumo como um todo) para sair gargalhando por aí das tirações de sarro com esse universo.

Nem todo mundo sabe como são os bizarros programadores e desenvolvedores de aplicativos e sistemas, ou onde fica Palo Alto (ou o Vale do Silício), ou como são excêntricos os CEOs das gigantes do setor. E sem conhecer detalhes desse universo, a série fica sem graça mesmo.

Logo, vejo que Sillicon Valley tem todas as chances de agradar o seu público alvo: os nerds/geeks que entendem do assunto. Para quem não está minimamente inteirado sobre o assunto, vai realmente achar a série um saco. E não posso culpar ninguém por tal efeito. Afinal de contas, Veep (que eu acho a melhor comédia da atualidade) sofre do mesmo problema: fala de política de forma muito específica. É até recomendado dar uma olhada na Fox News antes de ver a série da Selina Mayer.

Enfim, fica a dica: dê uma olhada em um bom blog de tecnologia antes de conferir Sillicon Valley. Caso contrário, as chances de você detestar o piloto são enormes.