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Temos aqui mais uma adaptação de uma produção de outro país que a TV norte-americana traz para o deleite de seu telespectador (até porque a criatividade definitivamente acabou). Secrets and Lies vem da Austrália, e mais uma vez investe no mistério e no drama investigativo para chamar a atenção de quem está assistindo. A pergunta é: será que é possível se importar com esse drama todo?

A família Crawford tem sua vida transformada em um inferno quando, por infelicidade do destino, Ben Crawford, que saiu para correr em uma floresta sinistra, encontra o filho da vizinha desacordado. Até aí, beleza. O primeiro grande erro foi tentar ajudá-lo, tocando no moleque – que estava morto -, contaminando a cena do crime ao máximo.

A detetive do caso, Andrea Cornell (que está doida para prender Ben apenas pelos indícios óbvios), busca provas com a mesma fome que um mendigo tem quando encontra um prato de comida. Questiona Ben por diversas vezes, pergunta coisas absurdas para amigos e familiares, engana o suspeito apenas para vasculhar sua casa sem mandatos de busca… enfim, é o pior pesadelo na forma de ser humano.

De qualquer forma, a ideia da série é mostrar que, a partir dessa morte (que AINDA não é tratada como um assassinato – pelo menos no ponto que o piloto parou) vai revelar uma série de segredos e mentiras das pessoas próximas ao garoto e, em alguns casos, pessoas que nem tão próximas são, mas que acabaram se envolvendo por tabela com tudo o que aconteceu nesse tal passado obscuro.

Todo mundo na série tem cara de ‘eu sei alguma coisa que ninguém pode descobrir’, o que pode deixar tudo meio artificial. Mas se a ideia da série é tentar instigar o telespectador, para que o mesmo busque junto as respostas para as perguntas lançadas pela trama, talvez isso possa funcionar.

Ou não.

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Particularmente, achei Secrets and Lies pouco interessante. É um piloto com final um tanto quanto óbvio, com um plot twist desinteressante, e um argumento inicial que não me atraiu. É uma tentativa de ser a Broadchurch da Austrália (ou nesse caso, da ABC), já que a premissa inicial é praticamente a mesma (a morte de um garoto em uma cidade aparentemente pacata, que coloca todo mundo pra ficar esperto com os esqueletos guardados no armário… entendam essa metáfora, pelo amor de Shonda), com a diferença que temos apenas uma detetive (Juliette Lewis) e não uma dupla de investigadores.

Talvez o grande problema de Secrets and Lies é justamente esse: já temos (e tivemos) séries demais que iniciaram com essa premissa de ‘o crime começa tudo na história’. Não só Broadchurch, mas The Killing, Twin Peaks e tantas outras. Não é um plot original. E aí, tudo vai depender da estrutura narrativa, do texto e da força do elenco. E apesar de compreender que a narrativa da série não pode ser muito complexa por se tratar da TV aberta, comparada com outras produções, a impressão que dá é que o novo drama da ABC foi feito de forma tão simplória para alcançar as crianças de cinco anos de idade.

De qualquer forma, ver o piloto de Secrets and Lies pode não ser 42 minutos perdidos da minha vida, mas não vou continuar. Os fãs desse gênero de série podem até abraçar a causa da mesma, e até acho que não há pecado nenhum para aqueles que vão continuar. Só acho que é mais uma série tampão na programação da ABC, que definitivamente não vou me apegar.

De fato, o piloto quase me passou indiferente. Só não aconteceu porque tinha que escrever esse post para vocês.