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Ser nerd está na moda – e você que lê o SpinOff sabe disso desde 2008, pelo menos -. Logo, não é surpresa ver tantas séries onde os geeks, nerds e esquisitos (porém com mentes brilhantes) são os protagonistas de séries dos mais diferente estilos. Nesse caso, a CBS quis aprovar o grande sucesso de The Big Bang Theory e lançou Scorpion, que aposta em uma pegada um pouco diferente. Para dizer o mínimo.

A série tem como personagem central Walter O’Brien (Elyes Gabel), um prodígio dos computadores e redes, que no passado, usando o nickname Scorpion, conseguiu hackear a NASA. O governo dos Estados Unidos decidiu recrutar Walter – mesmo ele sendo uma criança – para que ele desenvolvesse softwares para diferentes setores governamentais. Porém, Walter foi enganado, e seus códigos foram utilizados pelo Exército dos EUA, para atacar civis no Iraque.

Walter se sentiu traído, mas seguiu em frente. Apesar do seu presente não ser nada promissor (não passa de um técnico de redes, que conserta o WiFi de lanchonetes fuleiras), ele segue com a sua mente brilhante, conduzindo a sua “startup” (se é que podemos chamar um galpão cuja iluminação é feita com fonte de luz clandestina) com os seus amigos igualmente inteligentes, cada um com diferentes especialidades (matemática, psicologia e tecnologia).

Tudo ia relativamente bem e tranquilo. Até que os quatro amigos são abordados pelo Agente Cabe Gallo (Robert Patrick), que no passado, recrutou (e enganou) Walter para as atividades para o governo norte americano. Gallo está desesperado, pois uma falha nos softwares de três dos principais aeroportos dos Estados Unidos podem resultar em uma queda de mais de 50 aviões em pouco mais de duas horas. Ele entende que a única pessoa que pode resolver esse problema no prazo é justamente Walter.

Depois do problema solucionado (sim, eles resolvem, mas da forma mais absurda possível), Gallo oferece para Walter e seu time um emprego no departamento de defesa dos EUA, onde a missão do time é gerenciar as eventuais situações de crise futuras. Walter aceita (até porque sem isso não tem série) e, de quebra, encontra um novo estímulo para seguir em frente: a bela Paige Dineen (Katherine McPhee), garçonete da lanchonete onde Walter resolveu a crise dos aviões, mãe de um garoto que tem um comportamento que revela as mesmas capacidades de raciocínio do nosso protagonista.

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Bom… o que dizer do piloto de Scorpion?

Podemos dizer que o piloto é bem mais legal do que aquilo que os promos mostraram. Pelo menos entrega tudo aquilo que eu entendo que os fãs da série querem ver: geeks especialistas em tecnologia, computadores, teorias para adentrar sistemas e toda a parafernália tecnológica que amamos ver em séries com essa proposta. Até aí, tudo bem.

Scorpion realmente erra nos exageros e absurdos apresentados no piloto. Para começar, Walter e sua equipe estão em uma situação de crise extrema, com menos de duas horas para resolver um problema sério (evitar que aviões comecem a cair do nada, é sempre bom lembrar), e em vários momentos os envolvidos em evitar esse desastre são pegos “de papinho”, conversando tranquilamente sobre a vida, sobre o filho da garçonete, sobre qualquer outra coisa… isso incomoda.

Além disso, eu bem sei que o alcance do sinal analógico de telefonia tem um alcance maior do que os sinais digitais que utilizamos hoje. Porém… alcançar os 36 mil pés de altura? Mais: contando com a ‘sorte’ que um dos passageiros era um senhor de mais de 80 anos de idade, com o celular ligado? Tá, ok, os idosos raramente trocam de celular. Mas… precisava ser um telefone do final da década de 1990?

Os exageros continuam quando vemos um carro popular, caindo aos pedaços e sem muita estabilidade costurar os carros no tráfego de Los Angeles, no melhor estilo ‘Velozes e Furiosos’.

Mas o pior é a cena final do piloto, que envolve uma Ferrari, um avião comercial, um laptop e um cabo de rede. Sério, vocês não vão acreditar no que vão ver.

Por fim, eu vou passar Scorpion. Nada contra os exageros apresentados pela série no piloto. Acho isso até divertido – vide o espetacular piloto de Z Nation -, mas diferente das séries de zumbis do Syfy, a CBS quer apresentar Scorpion como algo mais sério e crível. Se ao menos fosse minimamente divertida, dava até para encarar todos os exageros. Como não consegui rir de muita coisa, não vejo muitos motivos para continuar com a série.

Mas os nerds, geeks e derivados podem gostar do que vai ver. Talvez os absurdos citados possam ser o ponto que definitivamente vai conquistar esses segmentos citados. Ao menos não é uma porcaria: acho que Scorpion é totalmente assistível para aqueles que gostam de séries do tipo “missão do dia”, mas com o diferencial de não contar com um agente fodalhão para resolver a ação.

Até porque, cá para nós: é uma vitória quando um nerd dirige uma Ferrari em um aeroporto. Certo?