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A CBS tenta adaptar um sucesso do cinema para a televisão. Só que se esqueceu de vários detalhes no processo.

A franquia de filmes Rush Hour (no Brasil, A Hora do Rush) rendeu três filmes de muito sucesso no Brasil e em todo o planeta. Não reinventou a roda no formato, mas colocou dois esteriótipos que funcionaram bem juntos (o negro e o asiático), recheou de piadas, cenas de lutra bem coreografadas, cenas de ação muito boas, e pronto: um sucesso no cinema.

Agora, a CBS tenta adaptar esse formato para a televisão, em um remake com um elenco completamente novo, uma proposta um pouco diferente da original, mas com a premissa geral exatamente como a do filme de 1998. Porém, a tentativa peca em alguns pontos que considero vitais.

Mas, antes de falar dos erros…

A história de Rush Hour é praticamente a mesma daquela vista no filme, onde a substancial diferença é que, no lugar de uma filha de um imperador sequestrada, temos a irmã do detetive Lee como a vítima desse crime. Esse evento motiva o detetive asiático a ir para Los Angeles investigar o caso, e ser obrigado a ter como parceiro o detetive Carter, um policial negro todo malandro com fala mole, habituado a trabalhar sozinho apenas pelo prazer de violar as regras.

Os dois acabam trabalhando juntos nesse e em outros casos. Nos EUA, Lee descobre que sua irmã não é tão vítima assim, que Carter também tem qualidades (uma mira impecável), enquanto que ele terá que resolver os problemas com as artes marciais. Os dois formam uma combinação explosiva, que vai colocar Los Angeles de cabeça para baixo para resolver os crimes mais inusitados.

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Rush Hour tem um piloto ruim. É impressionante como Bill Lawrence pode ter produzido algo com falhas tão grosseiras. O piloto tem problemas sérios de produção e edição, algo que para uma série da CBS eu considero como imperdoável. Além disso, na tentativa de deixar a série com uma estética mais próxima daquela proposta pelo longa metragem, o resultado final visto na tela é meio tosco, o que me incomodou muito ao longo do piloto.

A série em si é rasa demais. Não poderíamos pedir mais do que isso. Algumas piadas até que funcionam, mas a grosso modo, você não ri de muita coisa (lembrando: estamos diante de uma comédia policial).

Mas o que mais prejudica Rush Hour em um contexto geral é a sua falta de carisma. Sempre vamos ter que lembrar que quem fez os filmes foram os ótimos Jackie Chan e Chris Tucker. E Jon Foo e Justin Hires, por mais que se esforcem, não chegarão no mesmo nível de empatia dessa dupla.

Hires até tenta. Dentro do que lhe foi pedido, ele até se aproxima um pouco do que Tucker fazia em tela. Mas o nosso amigo Foo… coitado… é um “robô vindo do futuro”, como o próprio detetive Carter propõe no piloto da série. Lee é sem expressão, engessado e sem qualquer tipo de carisma. É o oposto de Jackie Chan em praticamente tudo, inclusive onde ele não poderia ser igual de jeito nenhum: nas cenas de luta.

Chan era performático. Coreografava todos os seus golpes, e fazia ele mesmo suas cenas de luta, sem precisar de dublês (até porque ele começou no cinema como um dublê). Já Jon Foo não conta com a mesma desenvoltura, usou dublês e coreografou suas cenas ao extremo e, mesmo assim, não funcionou. Alguns lampejos e soluções propostas pelo seu personagem lembra vagamente algo que Chan fez nos filmes, mas… nada mais.

Para quem apostou que Rush Hour seria uma bomba, acertou. Pelo menos no primeiro episódio não registrou queda de audiência em relação ao último episódio de Elementary, série que ocupava o seu horário. Mas as chances dessa série flopar são enormes. Acho que nem a CBS será louca de salvar essa ruindade se o seu desempenho na audiência foi abaixo da série do Sherlock Holmes.

Não se apegue. E só assista tudo se a série tiver uma segunda temporada. E, mesmo assim, vá com um pé atrás.