Eu poderia poupar o meu (e o seu) tempo dizendo isso: Ringer (CW) é a novela A Usurpadora. Mas…

Não posso dizer que a nova série de Sarah Michelle Gellar me decepcionou. Mesmo porque não esperava nada mais do que vi no seu piloto. O promo da série foi mais auto-didata sobre o seu enredo do que um episódio do Teletubbies. Logo, não esperava nada que me surpreendesse. Muito menos algo diferente de um enredo de novela mexicana adaptada para o núcleo rico de Nova York. Logo, nesses aspectos, Ringer não me decepcionou. Entregou tudo aquilo que o promo prometeu. Infelizmente.

Me desculpem os fãs de Buffy, que deram a expressiva audiência de 2.74 milhões para a estreia da série na CW (a maior audiência na estreia de uma série do canal em 2 anos), mas Sarah tem parte da culpa da ruindade da série, já que ela é co-produtora executiva. Apesar de parecer bem intencionada na sua produção, com cenários bonitos, apartamentos ricos e uma baleia gigante dentro de um teatro em uma ópera (???), o piloto escorregou feio nas cenas em alto mar, que claramente foram feitas em um estúdio, sem externas, com o uso de uma piscina para fazer o barquinho boiar.

A não ser que Sarah Michelle Gellar tenha alguma fobia em relação ao alto mar, jamais (e eu disse JAMAIS) eles deveriam ter feito a cena daquela forma. Sério, ficou parecendo esquete de A Turma Do Didi (quando eles usam um bote e um monte de plástico para simular a água). Mas os problemas de produção podem ser “consertados”. História ruim, não.

Ringer não tem gosto nenhum. É claro que tem gente que vai gostar (imagino minha mãe e minha avó, que adora novela, assistindo Ringer). Talvez eu não sou o público-alvo da produção, mas não consigo mesmo qualificar como “bom” uma série que é bem previsível, se observarmos os seus detalhes. Um exemplo: a nossa amiga fugitiva do FBI fica paranoica porque vê uma manchete de jornal sobre “um corpo encontrado na praia”. Porém, quando aproximam a câmera, mostrando parte da manchete, vemos claramente que a mulher encontrada é uma senhora de 62 anos, com um nome que nem chega perto de ser o de Shioban Martin.

Ou seja… era só ler, e relaxar. Mas não! Fico nervosa para a cena fazer sentido.

O plot da pessoa que simula a própria morte para poder fugir de toda a confusão que deixou “em vida” também incomoda. Faltou originalidade para contar essa história, e isso já foi visto em (repito) A Usurpadora (se vocês não viram a novela, os fatos são inéditos, mas…). Os personagens não são interessantes, as interpretações são fracas, o enredo é insípido. Não chega a dar sono, mas se comparado com Revenge (ABC), me faz querer fazer a série da ABC ser indicada ao Emmy.

E, antes que eu me esqueça: Nestor Carbonell… o que você não faz para ganhar uma grana! Você foi Richard Alpert em Lost (o que não quer dizer lá grande coisa), e foi cair nessa novela mexicana adaptada? Que vergonha!

Enfim, Ringer é mais uma série que não vou perder os meus 42 minutos semanais para saber o que vai acontecer com a vida da fugitiva que, agora, é uma ricaça cheia de podres e traições. O piloto explica muito bem porque a CBS se recusou a aprovar essa série. Pode ser que dê certo na CW. Mas, se der certo, reforça a teoria que o público da CW é “diferenciado”. E ao meu ver, diferenciado para menos.