A NBC continua se antecipando em relação aos concorrentes, e apresentou de forma antecipada o piloto de Revolution, uma de suas apostas na nova temporada. Com o “dedo” de J.J. Abrams (Fringe, Lost, Alcatraz), é mais uma produção que lida com o assunto “e se…”, em um futuro pós-apocalíptico. Nesse caso, a pergunta é: “e se acabasse toda a eletricidade na Terra, não existindo a mesma em nenhuma espécie?”

Bom, para começar, eu não odiei o piloto, e nem achei uma porcaria, como acreditava que fosse ser com os promos exibidos até aqui. Mas também não vou me atrever a dizer que foi um piloto bom, pois está um pouco longe disso. Revolution confirma as previsões, sendo uma série que reúne elementos de várias séries exibidas nos últimos dez anos, mas que todas elas não tiveram resultado, por diversos fatores. De fato, o piloto da série faz o que tem que fazer: apresentar o argumento, os personagens, lançar algumas perguntas para prender quem vai assistir ao resto da temporada… tudo isso a série faz.

Colocando você no cerne da questão. Tudo seguia normalmente na Terra, até que, de repente (e não mais do que de repente), um blecaute acaba com todas as fontes de energia do planeta. Não só isso: todos os dispositivos que dependem de eletricidade para funcionar simplesmente param. Nada funciona. Mesmo. Acabou. Fim. E aí começam os problemas. Algumas pessoas sabiam do que iria acontecer, como Ben Matherson (Tim Guinee) e Rachel Matherson (Elizabeth Mitchell). Esse casal cuidou dos seus filhos, Charlie (Tracy Spiridakos) e Danny (Graham Rogers), que no futuro (15 anos após o fim da energia elétrica na Terra) virão a ser os líderes da tal “Revolução” (viu? Sacaram o título agora?).

Ah, antes que eu me esqueça: por que eles querem a “Revolução”? Porque, depois que acabou a luz na Terra, tudo isso aqui virou uma terra sem lei, ou melhor, é a lei do mais forte (ou para aqueles que conseguem matar 20 bandidos sozinho com duas espadas… falo disso mais para frente). Nisso, quem se deu melhor nessa história foi o capitão Tom Neville (Giancarlo Esposito), que virou uma espécie de “xerife sem lei” de Chicago.

Charlie se une à sua amiga (doutora, pois eles vão precisar) Maggie (Anna Lise Phillips), Nate Walker (ou, “a tensão sexual da série) (J.D. Prado) e  Aaron, o ex-executivo do Google (ou “a cota nerd da série”, ou “o Hurley da vez”) (Zak Orth), para virar esse jogo. Mas só de beleza e nerdice não se conquista o mundo, certo? Logo, eles contam com a ajuda de Miles Matherson, tio de Charlie (Billy Burke), que é habilidoso o suficiente com armas para fazer o trabalho sujo.

Ok, agora que você sabe de tudo isso… bom, esperava algo bem pior do piloto de Revolution. A série “grita” J.J. Abrams por todos os poros (principalmente na trilha sonora… de novo…), e como já imaginava, é o catadão de séries que não deram certo. Tem elementos que remetem à Jericho, Flash Forward, Terra Nova, The Event, entre tantas outras produções do gênero: garotos perdidos em uma Terra que não tem nada, onde tem os mocinhos e bandidos.

A série levanta algumas questões (que é o que vai prender o público) como, por exemplo: como é que alguém tem eletricidade em um mundo sem eletricidade, como os personagens ditos “chave” chegaram no ponto de liderança, qual o segredo por trás dos personagens que são líderes dos dois grupos, e a mais importante de todas… como é que o blecaute aconteceu?

Apesar das plantas invadindo toda a cidade (e eu continuo me perguntando se uma tesoura de jardim depende de energia elétrica para funcionar…) e alguns cenários digitalizados que me davam dor de cabeça, o pior da produção de Revolution foi que, eles ambientaram tanto o futuro pós-apocalíptico, que praticamente fizeram o planeta Terra voltar aos tempos do velho oeste. Bom, talvez fosse esse o real objetivo da série: mostrar que, sem nenhum tipo de eletricidade ou tecnologia, nós literalmente voltamos no tempo. Mesmo assim, ficou aquela impressão de série de bandido e mocinho clássica.

Ah, e vai ter pelo menos três coisas que vão te remeter à Lost de forma imediata. Duas são bem óbvias, e estão bem na cara de todos. Tanto que certamente você vai dizer: “meu Deus, isso aqui é Lost, sem tirar nem por!” (e você não vai gostar de ter visto isso). A terceira? “Todas as séries de J.J. Abrams tem que ter um avião caindo no piloto! TODAS!”

Outra coisa que me incomodou foi a personagem Charlie Matherson. Nossa amiga Tracy se esforça para mostrar ao tio que está sofrendo, que perdeu todo mundo, e que o mundo todo está uma merda, mas em nenhum momento sinto pena dela. Logo, se essa série quer vingar, precisa trabalhar mais na interpretação da protagonista, no quesito “preciso convencer as pessoas que sou uma menina frágil e que precisa de ajuda”.

Por fim, vou dizer para vocês que ao menos assistam o piloto de Revolution. Quem sabe cai no seu gosto. No meu, não caiu. Não pretendo acompanhar. Mas, ao menos, achei bem menos cretina do que o promo vendeu. Só não sei se essa história de misturar tantos argumentos de séries falidas possam finalmente render uma boa série. Particularmente, eu duvido. Mas, nunca se sabe como que os americanos vão comprar a ideia que nem saque em caixa eletrônico eles podem fazer.