LANDON GIMENEZ, FRANCES FISHER

Ao que tudo indica, a nova tendência da TV norte-americana é testar a sua fé. A NBC aposta nessa tática com Believe, e agora, a ABC vai mais a fundo nessa questão, com Resurrection. Afinal de contas, mais direto que o seu nome (“Ressurreição”) é impossível. E pode não parecer, mas mexe não só com questões científicas, mas também filosóficas, religiosas e morais. Não com tanta audácia, evidentemente. Mas dá algumas cutucadas. De leve.

A série acontece na pequena cidade de Arcadia, Missouri. O agente de imigração J. Martin Bellamy (Omar Epps) tem uma missão considerada bem simples: pegar o pequeno Jacob Langston (Landon Gimenez) no aeroporto, e levá-lo para um orfanato. Jacob foi encontrado no meio da China, no meio de uma plantação de arroz, cercado por chineses. E cheio de fome.

Porém, Jacob revela que tem uma família. Em Arcadia, Missouri. E lá vai Martin levar o garoto para os seus pais. Chegando lá, ele encontra o casal Henry e Lucille… Langston (Kurtwood Smith e Frances Fisher), que já estão na melhor idade, aproveitando o sossego da aposentadoria. Sossego esse que acaba imediatamente no momento em que Jacob aparece na frente do casal. 32 anos depois de sua morte. Vivinho da silva.

O mais bizarro é que não só Jacob aparece são e salvo, mas também volta com todas as memórias do passado intactas, revelando detalhes das pessoas ao seu redor, sendo que algumas dessas informações são de cunho íntimo e pessoal. Com isso, fica comprovado que o garoto não é uma fraude, e que a sua morte – e principalmente, a sua ressurreição – precisam ser investigadas, para que se descubra o que realmente está acontecendo no lugar.

Mesmo porque o “incidente” de Jacob não será um caso isolado em Arcadia.

O piloto de Resurrection não é esse lixo todo que andaram pintando nas redes sociais. Porém, também não é uma maravilha que possamos indicar ao Emmy Awards em julho. Ele está “na média”. Muitos vão achar o piloto um tanto quanto arrastado, com alguns personagens pouco carismáticos, e uma proposta geral que pode causar a indiferença em relação à causa dos personagens principais. Aliás, em um deles você até comemora quando um dos segredos do passado é revelado (também, pudera… o cara é um baita escroto…).

Por outro lado, Resurrection é, de longe, uma das propostas mais adultas que a ABC apresenta em anos. Tudo bem, a série até parece que foi produzida por Tim Kring, o que assusta um pouco (fiquem tranquilos, pois não é… mas tem Brad Pitt no desenvolvimento e co-produção). Por outro lado, pelo menos ela levanta duas questões incisivas e até polêmicas para muita gente:

1) A questão da ressurreição em si. Acreditar ou não nela quando acontece na nossa frente? Lembrando que o símbolo máximo do Cristianismo passou pelo mesmo processo.
2) A questão da fé como um todo. Um dos personagens da série diz uma das frases mais legais do piloto: “Eu passei os últimos 10 anos da minha vida rezando por milagres, e quando ele acontece diante dos meus olhos, eu não quero acreditar. Por que?”.

Particularmente, não acho que Resurrection vai mudar a vida das pessoas. Acho que a maioria dos leitores do SpinOff não vão dar a mínima para a série, e acho muito difícil que a ABC repita nos próximos episódios o mesmo excelente desempenho do episódio piloto (13.9 milhões na audiência geral, 3.8 na demo 18-49 anos – em uma noite de domingo). Mas como já está provado que o perfil do telespectador do canal compra esse tipo de série com mais facilidade (mais que a NBC, com certeza)… quem sabe?  Com a companhia de Revenge nas noites de domingo, pode ser que dê certo.

De qualquer forma, Resurrection é o caso do “só o tempo vai dizer”. De novo: a maioria vai achar a série bem boring. Mas… seu pai, sua tia, e aquela sua avó bem carola de igreja tem muitas chances de se apegarem ao drama dos ressuscitados.