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A nova série da Showtime aposta em um casal em crise, diálogos recheados de palavrões, drogas, sexo, violência, e um homem que resolve problemas. Na verdade, ela é toda centrada no homem que resolve qualquer tipo de problemas… menos aqueles que os rodeia diretamente. Ray Donovan só estreia no dia 30 de junho nos Estados Unidos, mas como uma alma caridosa disponibilizou o piloto na internet, eu já conferi o que acontece, e conto os detalhes para vocês.

A série é centrada no seu protagonista, Ray Donovan (Liev Schreiber), que é uma espécie de “Mr. Wolf” de Los Angeles (quem viu o filme Pulp Fiction sabe do que eu estou falando). Ray é especialista em resolver problemas de celebridades em Los Angeles (também conhecida como “vila dos malucos”), e não mede esforços para cumprir de forma exemplar as missões que lhe são dadas. Até porque ele recebe muito bem para fazer o que faz.

Por exemplo: só no piloto, Ray livra um atleta de se envolver com uma overdose de uma desconhecida, livra um ator de ser pego pelo TMZ por envolvimento com travestis, ajuda um caso antigo a se livrar de um stalker (pintando o cara de verde, e mesmo assim, ele precisa utilizar um taco de baseball para convencer o pervertido), entre outras excentricidades dos famosos californianos. Como disse antes, Ray é capaz de ir até as últimas consequências para livrar os malucos de seus problemas absurdos.

Porém, Ray se vê diante de um problema muito pior que todos esses, e que ele mesmo não vê muito como contornar: o seu pai, Mickey Donovan (Jon Voight), sai da prisão depois de 20 anos, para “acertar as contas” com Ray. Mickey praticamente acabou com toda a sua família, deixando sequelas entre os seus filhos, menos Ray. E vai aproveitar o momento de crise no casamento de Ray e Abby (Paula Macomson) para arrasar com a família feliz do nosso protagonista.

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O piloto de Ray Donovan é bom, como a maioria dos pilotos feitos pela Showtime. É uma série recheada de palavrões e temas adultos, mas sem deixar de ser uma série familiar (mesmo com os filhos de Ray serem descartáveis e inexpressíveis). Apesar dos temas “sexo” e “drogas” estarem presentes na série, não são o motivo principal da trama. São complementos da narrativa que ajudam a traçar o psicológico dos personagens.

Mais uma vez, aplaudo de pé Jon Voight. Ele é o ator perfeito para fazer personagens (com todo respeito, mas esse é o melhor termo que encontrei para defini-lo) que são GRANDISSÍSSIMOS FILHOS DA PUTA. Se Ray, que mais parece um Robocop, tem receio que sua família seja destruída por ele, você pode ter certeza que ele é o sinistrão da trama. E é Jon Voight que dá o tom certo entre o canalha e o cínico do personagem.

Aliás, a série Ray Donovan tem até alguns pontos onde você dá algumas risadas, principalmente nas excentricidades dos ricos e famosos de Los Angeles. Você pode ver o quão ridículos podem ser os famosos, com suas esquisitices. E o quão Ray precisa se desdobrar para abafar os escândalos dessas pessoas fúteis.

Pontos negativos? Sim! Justamente o protagonista. Ou melhor, o ator que interpreta ele.

Eu entendo que Ray Donovan tem que ser uma pessoa misteriosa, calada e sinistra. Você percebe rapidamente que, quando menos falar com os seus clientes malucos, é melhor. O problema é que Liev Schreiber mantém o tempo todo aquela cara de “eu sou fodão”, com aquela voz de Batman com dor de barriga, aquele andar de Robocop, e todo um conjunto que tenta mostrar que nada o atinge. Com os clientes, tudo bem. Mas com família e filhos, ele bem que poderia relaxar.

Mas aí eu acho que o problema é bem mais do ator do que do personagem. Talvez eu até me acostume com isso com o decorrer da série (ou o personagem se mostre mais humano com o pai tentando ferrar com ele), mas pelo menos de começo, a impressão que passa é mais de canastrão e robótico do que “eu sou f*da demais”.

Resumindo: o piloto de Ray Donovan é bom. Me convenceu. Quero saber como esse “novelão” vai se resolver. Será que o pai, que ficou 20 anos preso, fingindo agora ser o avô bonzinho, vai acabar com a vida perfeita do filho? Ou o filho vai amassar a cara do pai com um taco de baseball? Ou pior: pintar o Jon Voight de verde? Isso seria, no mínimo, interessante. Além de inédito!