Queen of the South

O que aconteceria se uma mulher fosse a líder do maior esquema de tráfico de drogas do Ocidente?

Da série “a criatividade morreu na TV norte-americana”, temos Queen of the South, série do USA Network que é uma adaptação da novela La Reina del Sur, que foi exibida no Brasil pelo canal de TV por assinatura +Globosat. Levando em conta que é uma série com temática latina, recebemos exatamente aquilo que poderíamos esperar: todos os exageros e melodramas latinos, em um piloto que até cresce do meio para o fim, mas…

 

Do que se trata?

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Queen of the South conta a trajetória de vida da narcotraficante Teresa Mendoza (Alice Braga), a “rainha de tudo” do tráfico de drogas do sul dos Estados Unidos. A série contará suas memórias, já que logo no piloto sabemos qual é o seu destino (é tipo o mesmo que Wagner Moura contou recentemente sobre Pablo Escobar em Narcos). Mas como bem Lost nos ensinou, “chegar até uma igreja de luz não é o mais importante, mas sim a viagem que percorremos até chegar nessa igreja”.

A série começa com a origem humilde de Teresa, como laranja no México, e em como ela conhece as pessoas que vão ajudá-la na sua ascensão no mundo do tráfico. Mostra também como a nossa heroína era sozinha nesse mundo, e como as poucas pessoas com quem ela podia contar foram caindo uma a uma por conta também do envolvimento com o narcotráfico, e como essas perdas tornaram Teresa uma mulher mais forte para tomar suas decisões e seguir em frente.

Aliás, uma importante metáfora que a série mostra é justamente ver como a Teresa do futuro, a mulher poderosa e bem sucedida, orienta a ingênua Teresa do presente, como uma espécie de metáfora da intuição da personagem central, indicando como o futuro seria se ela tomasse as decisões corretas.

 

Vale a pena?

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Queen of the South é uma bela sambada na cara da sociedade que o USA Network está oferecendo.

Não é uma série galhofa, mas é novelesca em vários momentos. Como esperado, tem todos os clichês latinos que você pode esperar ou imaginar. Mais até: por se tratar de uma série com um tema mais adulto, tem algumas cenas um tanto quanto esquisitas, como por exemplo a nossa protagonista correndo a toda velocidade com um sapato plataforma, ou um carro que explode sozinho depois de um acidente.

É claro que tem também a beleza de Alice Braga para o deleite dos telespectadores do sexo masculino (e algumas do sexo feminino, por que não?).

Algumas cenas são bem novelescas, com diálogos melodramáticos e caras e bocas dos envolvidos. No final das contas, isso é cafona, mas não prejudica tanto a série. O que poderíamos esperar de uma série com temática latina? A maioria cai na mesma fórmula de apelar para o contexto “latin pride”. Quem fugiu disso nos últimos tempos foi Narcos (Netlix), mas estamos falando de outro patamar.

De qualquer forma, Queen of the South não é de todo ruim. O piloto vem em uma crescente, onde o episódio vai ganhando ritmo conforme avança. As interpretações não comprometem, e tem aquilo que muita gente quer ver em uma série desse tipo: várias cenas de consumo de drogas (cheirar cocaína é o novo “eu fumo para me acalmar”…), violência explícita, estupro, ameaças, intrigas e algumas falas em espanhol, porque ninguém é de ferro.

Posso até recomendar Queen of the South, por conta da sua curiosidade. Mas muito provavelmente não verei os próximos episódios, pois tudo leva a crer que a série vai me cansar. Não tenho muita paciência para esse tipo de plot. E, por fim, essa série não é Narcos, que é a minha série preferida sobre o narcotráfico.

Mas acho que vale pela curiosidade pura e simples.