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Se você achou que Quantico poderia ser o “Grey’s Anatomy dos agentes do FBI”, você está redondamente enganado. Digo mais: errou feio, errou rude. A nova série dominical do canal do alfabeto tem uma trama envolvente, com várias possibilidades, onde vamos descobrindo as motivações e segredos de todos os envolvidos. Ok, tem o grande evento que liga tudo? Tem sim. Mas também uma conspiração sem precedentes.

Quantico começa “apenas” com o maior atentado terrorista na cidade de Nova York desde o 11 de setembro de 2001, onde a jovem agente de campo do FBI Alex Parrish (Priyanka Chopra) é diretamente envolvida no incidente. Alex é acusada injustamente pela autoria do atentado, mas não é tão inocente assim. Aprontou das suas no passado, como por exemplo matar o próprio pai, que abusava fisicamente da mãe. De qualquer forma, entre matar o pai e ser uma terrorista existe uma distância enorme, e ela foi envolvida em uma grande conspiração.

Conspiração essa que começou quando ela ingressou na divisão Quantico do FBI. Alex está no mesmo grupo de outros jovens agentes, com diferentes origens, com diferentes objetivos e, é claro, diferentes segredos a esconder. É claro que aqui você precisa ignorar que o FBI do mundo das séries é, historicamente, o departamento do governo norte-americano mais incompetente da história. Mas convenhamos: se tudo fosse perfeito, essa série não existiria.

Tem de tudo entre os “coleguinhas” de FBI de Alex: irmãs gêmeas se passando por uma, um gay que andou visitando a Faixa de Gaza por quatro anos mas não contou para ninguém, um maluco que engravidou menina de 14 ano que fez ela abortar em um país onde o aborto e crime (a menina morre e ele não conta pra ninguém), um falso “garoto de ouro” que só avançou no FBI por causa de sua beleza, e a loirinha que quer vingar os pais que morreram no 11 de setembro.

Ah, tem também um agente veterano disfarçado, Ryan Booth (Jake McLaughlin), que tem que ficar na cola de Alex a mando de seu chefe, Liam O’Connor (Josh Hopkins), que tem os seus próprios problemas emocionais e psicológicos para lidar – que envolvem Alex de alguma forma -. Meses depois, temos o atentado, e rapidamente descobrimos que nossa protagonista foi colocada ali como isca. Não só para a conspiração que emerge dentro dos departamentos de defesa dos Estados Unidos, mas nas altas esferas do poder.

E podemos estar diante de eventos sem precedentes.

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Quantico pode me enganar no futuro. A série pode se perder, cair no “mais do mesmo”, e no futuro eu posso vir aqui e xingar muito. Mas pelo menos no seu piloto, ela foi muito bem. Me arrisco a dizer que foi o melhor piloto de série dramática da fall season 2015 até agora.

Mesmo com algumas barrigadas (descrevi a principal delas nesse post: o FBI é um departamento treinado por Homer Simpson), Quantico apresenta uma trama interessante, onde apesar das tragédias pessoais dos personagens aparecerem, elas não vão dar o tom da série. O evento maior (o atentado) será o efetivo destaque, e não vamos ter aqueles momentos de “eu sofro mais que você porque minha mãe tem Alzheimer” como já vimos por diversas vezes em Grey’s Anatomy.

A conspiração criada em Quantico é maior do que as tragédias pessoais. E as aspirações e objetivos de cada um torna as coisas um pouco mais complexas e dinâmicas. Você termina o piloto com a impressão que qualquer um pode fazer parte daquela conspiração. Qualquer um deles – inclusive a própria Alex – pode estar envolvido nessa conspiração, que resultou no atentado terrorista.

Eu sei… posso ter sido fisgado pelo tal “desejo de revelar mistérios”. Mas só pelo fato do piloto ter me surpreendido em não cair no lugar comum (ou na falsa impressão que o promo deixou) já me deixou otimista em relação ao avançar dos seus eventos. Quantico tem um ritmo envolvente, bons diálogos, uma boa cena de ação, e os plot twists bem aplicados, que não só criam o efeito surpresa para o telespectador, mas que ajudam a apresentar de forma gradativa e consistente a personalidade dos principais personagens.

Mesmo que Quantico não seja essa série toda ao longo da temporada, é seguro dizer que a série ao menos começou bem, e eu pretendo continuar para ver onde essa trama pode chegar. E nem preciso dizer que a ABC tomou a melhor decisão dos últimos cinco anos (pelo menos) ao colocar essa série no lugar da “maravilhosa” e “espetacular” (já cancelada, se o mundo tiver alguma coerência) Of Kings and Prophets (aka “a série da Record na ABC”).