A adaptação da série inglesa Prime Suspect (NBC) apresenta Maria Bello no papel que Helen Mirren faz na versão original. Exceto esse abismo (que, convenhamos, é uma covardia comparar Mirren com Bello, em todos os sentidos), a versão americana foi bem no seu piloto, dentro daquilo que se propõe, e justificando na tela as suas escolhas para o enredo da série.

Para começar, estamos diante de uma série cujo formato é o preferido dos norte-americanos: as séries investigativas. Em especial, Prime Suspect mostra a história da detetive que é transferida para um grupo de investigadores especializados em crimes hediondos. O problema é que ela se muda para uma unidade onde os homens predominam, com posicionamentos e opiniões tipicamente machistas e, para completar, o lugar de investigadora que ela ocupa é de um dos detetives mais antigos do local, que morre após uma parada cardíaca. Justamente por estar “enaltecendo as qualidades” da novata.

A série tem o formato de “caso da semana”, ou, pelo menos, é o que mostrou em seu piloto. Maria Bello está menos irritante do que o promo da série apresenta, e mesmo a sua irritação tem os seus motivos bem justificados. A mudança de emprego, os falatórios dos seus “colegas” de trabalho, que a acusam de ter obtido a transferência porque foi para a cama com um dos seus superiores, a constante necessidade de mostrar a sua competência, e até a sua decisão de parar de fumar (e a ausência da nicotina provocando efeitos diretos no seu humor) são motivos convincentes de seu comportamento.

A opção por Bello (e não por uma atriz na idade de Mirren) foi necessária na proposta da série. Estamos falando de uma policial que investiga crimes hediondos em Nova York, que é uma cidade que exige cenas de perseguição e correria pelas ruas. E isso acontece já no piloto. E, para tudo funcionar, precisamos de uma policial disposta a dar e receber porrada em algumas situações. Uma coisa que, obviamente, pode incomodar aos mais atentos, é o chapéu que Maria Bello faz questão de usar durante as investigações. Ao longo do episódio, ela coloca e retira aquele chapéu várias vezes, fazendo disso o “efeito colocar/retirar óculos do David Caruso (CSI Miami)”, irritando de forma considerável. Aquele chapéu é desnecessário.

Um ponto positivo da protagonista da série é o seu sarcasmo durante algumas situações. Os diálogos do elenco masculino da série são ótimos, sem meias palavras, e os roteiristas mandaram bem em colocar a protagonista para responder a altura, quando necessário, e se calar, quando oportuno. Isso fez com que Prime Suspect tivesse um piloto interessante o suficiente para que se queira ver o próximo.

O problema é que a série vai padecer com as comparações, que são inevitáveis. O que Prime Suspect pode apresentar de tão diferente, ou algo que já não tenha sido visto em The Closer ou Law & Order: SVU? Quem é fã dessas duas últimas tem muitas chances de gostar da série da Maria Bello, mas tudo aponta para que a nova série da NBC vai ser mais um drama policial, com caso do dia e com uma mulher mostrando que é bem mais detalhista e eficiente que os homens da unidade investigativa. Mas… o que Prime Suspect pode apresentar de especial para o telespectador?

Nesse piloto, a pergunta ainda não foi respondida. Mas, quem sabe uma temporada inteira justifique a escolha da NBC em trazer o sucesso britânico para as TVs norte-americanas.