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Estreou ontem (15) no canal FX a série Politicamente Incorreto, protagonizada por Danilo Gentili. Eu poderia muito bem passar batido pela série, mas como tenho que tocar a lojinha aqui A SÉRIO, decidi assistir ao piloto, para deixar as minhas primeiras impressões. Que já antecipo para vocês que são um tanto quanto conflitantes. Mas não muito.

A série recebe o mesmo nome do show de stand-up comedy que Gentili apresentava antes de se torar um repórter do CQC (Band) – aliás, ele apresentou esse espetáculo um pouco depois disso. Enfim, isso não vem ao caso agora. Politicamente Correto conta a história do deputado federal Atílio Pereira (Gentili), um não tão jovem político que está no seu quarto mandato, mas pouco fez pela nação (na verdade, nada fez), já que como a imensa maioria dos políticos brasileiros, ele não passa de um corrupto/ladrão/desonesto. Um belo dia, ele é flagrado em um vídeo que denuncia um grande esquema de corrupção, onde seus colegas são pegos com a boca no dinheiro vivo. Dinheiro público. Algo que já cansamos de ver no mundo real.

Porém, como Atílio é meio c*g*d* (em vários aspectos), nas hora que ele vai colocar a mão na sua parte do bolo, as câmeras registram ele recusando o dinheiro com veemência (depois é explicado por que ele faz isso). Quando as imagens vão para a imprensa, Atílio acaba recebendo automaticamente a imagem de “político honesto” (ou melhor, de “o único político honesto do Brasil… mesmo sendo um medíocre”).

O partido de Atílio rapidamente tenta tirar proveito dessa situação, e escolhe o “deputado honesto” para ser o seu candidato à Presidência da República. Porém, a missão não é nada fácil: além de desonesto nato, nosso amigo é realmente medíocre, atrapalhado, patético nas suas ideologias (que são quase nulas), altamente preconceituoso… enfim, um babaca completo. Logo, o presidente do partido escolhe uma assessora de imagem, a Duda (pegaram a referência? Hein? Hein? Ah, você é esperto e antenado em política… sei que pegou essa referência, vai…), que pretende conseguir o milagre de transformar Atílio no candidato ideal para ser eleito.

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Sobre o piloto, como série, é bem mais ou menos. Talvez o grande mérito da série é a proposta de, durante o período eleitoral, fazer um humor com tom de denúncia/crítica, falando sobre as práticas de corrupção que existem no Brasil, e que nós já estamos cansados de saber. Não creio que Gentili e os roteiristas de Politicamente Incorreto precisaram fazer qualquer tipo de laboratório em Brasília (para isso, basta ser uma pessoa antenada – alienados não se enquadram nesse aspecto, que fique claro).

Porém, o que me incomodou o tempo todo é o fato do meu cérebro ficar pensando o tempo todo: “Danilo Gentili não é ator”. E, de fato, não é. Era o próprio Danilo Gentili fazendo ele mesmo, mas como se fosse um político babaca. Nem sei se falo em tom de crítica, mas me beirou o “é o que temos para hoje”.

O texto também não ajuda muito. Algumas piadas deixam a impressão que a série fica aguardando a “claque”, típica em sitcoms (as risadinhas de fundo, para quem não está por dentro dos termos técnicos). Faltou timing para várias piadas, e foram poucas vezes que algumas sacadas funcionaram. Bom, também pode ser a minha primeira impressão, já pré-concebida por conta do que o protagonista da série realmente é (um comediante stand-up, e não um ator).

Provavelmente não vou continuar com Politicamente Incorreto. Entendo que é um dos casos de ideia bem intencionada, mas mal executada. Talvez melhore, porque não é de todo uma porcaria (acho que qualquer produto de mídia que use um discurso mais crítico para levantar a discussão sobre o quão ruim é a política brasileira merece algum crédito). Mas de largada, eu considerei fraca naquele quesito que deveria ser o mais importante para uma série de comédia: o humor.