Person of Interest (CBS) era uma das estreias mais aguardadas por todos os fãs de séries, e uma das poucas apostas de uma boa série nessa fall-season, que está lamentável em termos de estreias. Afinal de contas, nomes de peso como Jim Caviezel, Michael Emmerson e J.J. Abrams são motivos de sobra para os fãs de séries se empolgarem. E o piloto até que não faz feio. Mas não chega a empolgar.

Não me entendam mal. Eu gostei de Person of Interest, e pretendo continuar a temporada toda. Mas ela não chega nem perto de ser o blockbuster da próxima temporada. Bom, pelo menos nesse começo. Talvez ela melhore, e acho que há potencial para melhorar, e muito. Mas o piloto é linear e nada mais, o que é bom se comparado à tantas porcarias que vi até agora.

O piloto mostra melhor qual é a função de cada um na série, e qual é a proposta da mesma. Eu gosto de séries investigativas e que usam tecnologia para a resolução dos casos, e nesse aspecto, a série vai muito bem. Foi interessante fazer um link de um sistema de observação que separa os dados relevantes dos irrelevantes, com várias câmeras observando toda a cidade de Nova York, e que utiliza um mega sistema computadorizado para observar tudo e todos. Tá, um pouco forçado, mas necessário para dar o toque de charme da série.

O nosso herói vai combinar o uso da tecnologia com a força bruta para resolver os casos. Isso te lembra quem mesmo? Exatamente, Jack Bauer. Ok, ele não grita “damn it” ou “drop the gun”, mas a combinação é a mesma. A diferença é que Caviezel intimida em um tom de voz mais baixo, como quem não tem nada a perder. E usa ternos. Não é uma crítica. É legar ver na TV um personagem foda que seja diferente de outro fodão que apareceu há 10 anos. Pelo menos nesse piloto, Caviezel me convenceu a ponto de querer ver o próximo. Exceto é claro quando ele sai de um taxi com uma baita arma de fogo, sem ser questionado pelo motorista que o levava para pegar o bandido. Obviamente, na vida real, se tem um cara no meu taxi com uma arma que pode estourar meus miolos, mandaria um SMS para o 911 dizendo: “tem um maluco com uma arma que pode explodir os meus miolos”.

E Michael Emmerson? Logo de cara já compondo o personagem. Tinha medo que ele fosse simplesmente uma repetição de Benjamin Linus. Mas não. Um bom ator consegue mostrar nos pequenos detalhes como ele pode mostrar uma nova proposta. E acredito que ele vai desenvolver um ótimo sidekick para o Caviezel, sendo o chefe do justiceiro solitário. Mesmo com poucas falas, é empolgante vê-lo em cena.

O piloto tem alguns clichês que me incomodam: a policial que desconfia do justiceiro, um evento do passado do justiceiro ligado ao 11 de setembro, e até mesmo o lance do “exército de um homem só”. Aliás, fica o registro que Person of Interest não é uma série cabeça, para você decifrar mistérios. Muito pelo contrário. É bem rasa e objetiva. Uma típica série investigativa, onde o justiceiro solitário vai ter que resolver o caso do dia, lidar com os fantasmas do passado, atirar em 7 pessoas em uma sala com apenas uma arma, usando um babaca como escudo humano. Se você esperava um mega mistério a ser desvendado, pode esquecer, pois não há.

Por fim, Person of Interest vai se salvar fácil. Boa produção, bom elenco, história interessante, com o ritmo que o americano médio gosta. Se você gostou de séries como 24 Horas e The Shield, vai gostar de Person of Interest. Que é bom, mas falta alguma coisa que eu não sei ainda direito o que é. Espero poder identificar isso ao longo da temporada.