Pam Am (ABC) teve um promo decepcionante e um piloto que não é tão doloroso assim. Isso, se levarmos em conta que a série é uma proposta para os pais norte-americanos assistirem no domingo no final de noite, e levando em conta que nem todo mundo gosta de futebol americano no domingo à noite. Ou de The Good Wife (CBS). Ou das animações da Fox. Enfim, vocês me entenderam a essa altura do parágrafo.

A série tem como foco principal mostrar um pouco da vida das “glamourosas aeromoças da Pan AM”, companhia aérea que não existe mais, mas foi uma das mais famosas do mundo. A maioria de nós não viveu essa época, mas pesquisando rapidamente, ser uma aeromoça da Pan Am era sim um objetivo de vida, pois a moçoila tinha destaque pela beleza e eficiência profissional. Ok, é meio brega ter como objetivo de vida ser aeromoça, mas durante décadas, essas moças foram um dos primeiros símbolos da independência feminina nos Estados Unidos, e marcaram uma época na cultura do país.

Mas, mesmo assim, não é uma série que pretendo assistir regularmente. E não porque não gostei do piloto.

O piloto simples e direto. Mostra qual é o objetivo da série, que é mostrar detalhes da vida de quatro aeromoças da companhia, com histórias de vida diferentes e motivos diferentes para serem aeromoças. Apesar de alguns julgarem que elas serão “aeromoças e nada mais”, existem alguns pontos interessantes, como aquela que se envolve com um homem casado, a espiã do serviço secreto inglês, e até a que fugiu do casamento… para ser aeromoça! Tá, eu concordo com você. Esse é um dos motivos mais estúpidos para desistir de se casar com alguém. Mas, se essas coisas não acontecem, não temos série, não é mesmo?

O piloto apresenta bem esses personagens, e alguns deles são fáceis de serem identificados ao longo do piloto. Dois dos destaques negativos de Pan Am é o seu co-piloto canastrão (mas acho que na década de 1960, a maioria dos homens norte-americanos tinham esse perfil), e o piloto com cara de super-herói da Marvel. Particularmente, esperava pessoas mais “normais” ou “adultas” para pilotar um avião novinho. Mas, tudo bem. Isso não me feriu tanto quanto uma colônia de pessoas que pegaram uma fenda no tempo, indo para um passado alternativo… (é, tá difícil tirar a merda de Terra Nova da cabeça…).

A ambientação feita em Pan Am é bem feita, apesar de não ter o mesmo nível de produção de séries como Mad Men (e nem podemos exigir muito disso). O resultado final foi convincente nos detalhes. E, mesmo vendo que os aviões eram digitalizados, não ficou uma coisa tosca como, por exemplo… vou pegar um exemplo bem aleatório: dinossauros digitalizados! Enfim, Pan Am não escorrega na sua experiência visual, mantendo uma fotografia meio opaca, para te transportar aos anos 60 com estilo.

Por fim, Christina Ricci. Na boa, ela tem olhar de peixe! Parece que os olhos dela saltam a cada vez que ela vai fazer uma cena com ar mais enfático. A boa notícia é que a série não é centrada nela, e o piloto foi se revezando entre as quatro aeromoças, apresentando suas histórias de forma equilibrada. Se a temporada vai continuar assim, vai ser excelente. E tudo leva a crer que esse vai ser o tipo de série que não teremos uma protagonista, com as tramas da série acontecendo em paralelo com as quatro personagens principais. Com isso, muita coisa acontece no piloto, como um “tapa na cara da sociedade” logo de cara, alguns mistérios de alguns personagens, entre outras subtramas.

Por fim, Pan Am foi uma boa surpresa. Mais um piloto que é melhor que o promo, mas que não deve agradar a “geração internet” de séries. Deve agradar aos fãs de séries mais velhos e aos pais norte-americanos. O problema é que a série vai competir com muita coisa boa na TV no final da noite de domingo. Será uma missão complicada para a série se manter no ar. Se conseguir, será uma grande surpresa.

E Pan Am até tem potencial para render uma boa série. Basta trabalhar um bocado na sua proposta.