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Uma semana para escrever o review de uma série de Robert Kirkman. Mas valeu a pena.

O canal Cinemax nos Estados Unidos (e o canal Fox no Brasil) apresentam Outcast, nova série do criador de The Walking Dead, que é mais uma adaptação de uma de suas histórias dos quadrinhos (ou HQs, ou graphic novels, como preferir). Dessa vez, a série é uma adaptação desenvolvida por Kirkman em parceria com Paulo Azateca. E podemos dizer que o padrão de qualidade está mantido, pois estamos diante de uma história intensa, complexa e instigante.

A série gira em torno de Kyle Barnes, homem que, desde os primeiros anos de sua vida é afetado por possessões demoníacas. Os demônios tiraram a sua paz e sossego desde sempre, afetando de forma sensível a vida daqueles que os rodeiam. Logo, ele mesmo preferiu viver um tanto quanto isolado do resto do mundo, para que sua existência não afetasse outras pessoas.

Porém, o início de manifestações em outras pessoas faz com que Kyle vá em busca da verdade de sua existência, onde ele está disposto a descobrir a origem de sua maldição, com o objetivo final de resolver o problema de uma vez por todas. Ele pode acabar com a vida na Terra durante o processo, mas é um risco que ele precisa correr. Mesmo porque, nesse caso, o efeito moral tende a compensar o colateral (em partes).

Outcast é uma série difícil. Não por ter uma trama complexa – até porque nem é tão complexa assim -, mas sim por conta de oferecer uma proposta narrativa e estética pensada nos fortes e corajosos. A série trata de possessões demoníacas, logo, mais do que normal ter um festival de cenas de pessoas possuídas, exorcismo, bizarrices e outras esquisitices. Para quem já conhece a trama, ou já está acostumado com essa temática, vai se divertir bastante com a série, e não vai achar nada demais. Para os mais sensíveis, é melhor procurar o novo episódio de Peppa Pig agora, pois essa série não foi feita para você.

Acho que o bizarro é a melhor parte de Outcast. Isso faz com que a narrativa não seja cansativa, e que você acompanhe todos os acontecimentos sem desejar que o episódio acabe logo (apesar dos 54 minutos do piloto). A série não é maçante por conta dos seus acontecimentos, e também por conta dos bons diálogos e uma trama que aparenta ser bem estruturada. Os personagens principais são carismáticos e facilmente identificáveis, e tudo parece funcionar de forma bem coerente ao longo do piloto.

É inegável a alta qualidade estética que a série apresenta. O trabalho do Cinemax nesse aspecto foi impressionante, e mesmo as cenas onde a computação gráfica entrou em ação apresentou um resultado final muito bom, bem próximo ao crível que tanto queremos. Aliás, é de se imaginar que, justamente por causa do tema abordado, teremos um verdadeiro arsenal de efeitos visuais integrados. Mas nada que ofenda as minhas retinas, felizmente.

Por fim, Outcast está aprovada. Deve agradar em cheio o seu público-alvo, e tem tudo para ser uma das boas séries para serem vistas nesse início da summer season norte-americana. O que resta saber agora é se a audiência compra a ideia. Apesar de entender que a série conta com massiva distribuição internacional, essa é uma das produções que precisa de audiência doméstica para sobreviver.

Torcendo para os norte-americanos comprarem a brincadeira do garoto possuído que esmaga a barata com a cabeça para depois comê-la como se fosse um nacho.