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Antes, era a Branca de Neve (e suas descendentes diretas). Agora, é a própria Alice, que saiu do País das Maravilhas – e teve que voltar para lá. Once Upon a Time in Wonderland é a forma da ABC mostrar a sua ganância, buscando ir na esteira do repentino (e porque não dizer surpreendente) sucesso de Once Upon a Time, fazendo um spinoff baseado em Alice no País das Maravilhas. E eu digo: “na boa, era melhor deixar isso quieto”. Mas ninguém me ouve…

A história parte da seguinte questão: “o que aconteceu com Alice depois que ela saiu do País das Maravilhas e voltou para casa?”. Bom, os pais dela acharam que Alice (Sophie Lowe) ficou louca, e fez a coisa mais “sensata” que qualquer um faria quando sua filha volta para casa, depois de muito tempo desaparecida, dizendo que encontrou um coelho branco falante e um chapeleiro maluco: coloca essa filha em um hospital psiquiátrico.

Lá, Alice tenta esquecer o que passou, incluindo Cyrus, o Gênio da Garrafa, que foi o interesse amoroso dela em Wonderland, chegando até a dar três desejos para ela (em forma de pedras vermelhas… podiam ser esferas do dragão, pelo menos…). Porém, no momento mais feliz da vida dos dois, a Rainha Vermelha (Emma Rigby) elimina Cyrus da vida de Alice (mais ou menos). Alice é perseguida, e foge de Wonderland. E não volta mais, pois o seu pai acha que ela está louca.

Tempos depois, o Valete de Copas (Michael Socha) volta para o mundo dos mortais para buscar Alice, pois ele descobriu pistas do paradeiro de Cyrus. Então, ele e o Coelho Branco (digitalizado, com a voz de John Lithgow) resgatam Alice do manicômio, que volta para Wonderland, em busca do seu amado. O único que pode lhe dar pistas do paradeio dele é o Chapeleiro Maluco, que também precisa ser encontrado.

Ah, e não se esqueça do Jafar (Naveen Andrews), maior inimigo de Alladin (que uma hora deve aparecer na série, é claro), e do gato Cheshire (digitalizado, com a voz de Keith David), que serão pedras no sapato de Alice em sua jornada.

Pronto. Acabou a viagem de drogado que é a premissa de Wonderland.

Por onde começar? Olha, eu continuo com a mesma cisma de canais que pegam contos de fadas e repaginam sob efeitos da cocaína. É essa a impressão que Wonderland passa nesse piloto. E muito mais que Once Upon a Time. A melhor coisa do piloto é, disparado, a Alice, onde Sophie Lowe até faz com que a gente se importe com ela. E, até o momento, eu não consigo nem imaginar o motivo que decidiu a ABC anunciar em julho que esta série seria focada no Chapeleiro Maluco.

Nem faz sentido, ainda mais depois que vimos que Alice ficou no sanatório psiquiátrico, basicamente, porque quis (quando você ver a sequência de fuga, você vai entender por que), e mesmo assim, foi forçado e desnecessário (deixando o pobre Valete de Copas um inútil completo).

Fora isso, é uma série de fantasia “água com açúcar”. Até que o roteiro (de novo, com alguns furos) não é tão absurdo assim. O problema é que outros fatores atrapalham, como por exemplo, parte do elenco fazendo cara de mau, precisando passar aquele ar de “eu sou muito malvado”. Todos os vilões da série fazem cara de prisão de ventre para passarem essa impressão.

E a pior coisa de Once Upon a Time in Wonderland (e algo que já dava para imaginar pelo seu promo) é, sem medo de errar, os efeitos visuais da série. Tudo ali simplesmente berra “foi feito com a ajuda do fundo verde”. Praticamente todos os cenários do País das Maravilhas é feito por computação gráfica, e de forma tosca. E aí, você escolhe: ou não faça como eu fiz, e evite assistir a série em alta definição, ou você imagina que tudo é um videogame, e ignora tudo.

Se bem que não dá para ignorar o gato gigante digitalizado, que é horrível, então… bom, se serve de consolo, o melhor elemento visual criado por computador da série é o Coelho Branco, que até aparece bastante no piloto.

No final das contas, Once Upon a Time in Wonderland é tudo o que imaginamos: fraca, parecendo uma viagem de drogado, sem muito sentido para existir e, muito provavelmente, a caminho do cancelamento (pois começou com uma audiência considerada baixa para as pretensões da ABC). Sério, se você vai assistir a série mesmo com tanta computação gráfica, boa sorte. Mas não venha me dizer que está vendo “por causa da história”, que eu não vou engolir essa. Muito da experiência de Wonderland significa comprar essa proposta pela ambientação da mesma. E, nesse aspecto, a ABC fez um serviço de b*sta.

É só comparar com The Tomorrow People (CW), que você vai entender do que eu estou falando.