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Por que, Senhor?

Sou mesmo obrigado, né? Enfim…

Uma das séries mais esperadas da temporada finalmente estreou. E essa espera não é pelo lado positivo. Todo mundo que eu conheço e escreve sobre o universo televisivo tem plena convicção que Of Kings and Prophets tem tudo para ser um retumbante fracasso na ABC. Acho que a própria ABC tinha certeza disso, quando tomou a sábia decisão de substituir essa série por Quantico nas noites de domingo.

Mais: quando o piloto INTEIRO precisou ser refeito, com outro elenco, já era um sinal claro que a coisa estava degringolada há muito tempo. O que mais dói é que o showrunner dessa série é Chris Brancato, o mesmo que estava envolvido na produção de Narcos (Netflix). Ou seja… o que o dinheiro não faz, não é mesmo?

Não quero perder muito tempo nesse negócio. Então, vou resumir que Of Kings and Prophets é uma série dramática baseada na história bíblica do Livro de Samuel, focando nos personagens Saul e Davi, mostrando suas famílias e respectivas rivalidades políticas. Apesar de se passar no reino de Israel, foi filmada em Cape Town (África do Sul). É uma das últimas decisões de Paul Lee, ex-CEO da ABC Entertainment, e provavelmente é o motivo de sua demissão.

É uma série bíblica, e se fosse produzida no Brasil, se chamaria Rei Davi. E me arrisco a dizer que a Rede Record fez um trabalho melhor em alguns aspectos. Mas basicamente a série da ABC fará uma releitura desses acontecimentos, mas dando ênfase para a violência e o sexismo que havia na época (não vamos ser hipócritas, havia tudo isso naquela época, ainda mais 1000 anos antes de Cristo). Não é uma versão romantizada da história da Bíblia, algo que fez o Conselho de Pais dos Estados Unidos já caísse na porrada em cima da série.

O que eu acho uma perda de tempo, já que Of Kings and Prophets é uma série que nasceu morta.

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Não estou exagerando. O piloto é absurdamente desinteressante em todos os aspectos possíveis e imagináveis. Apesar de ser bem produzida (o que já é uma vitória não me agredir visualmente), temos aqui um enredo bíblico novelesco que não chama a atenção por absolutamente nada. As traições, o sexismo e a violência não me impressionam. Até porque é o objetivo dos produtores da série: entregar isso e forçar os limites da ABC nesse aspecto.

A narrativa da série é chata, os diálogos são chatos, os personagens (com exceção de Davi e Saul) são pouco memoráveis e a série se encaminha para ser um mix mal ajambrado de Spartacus com Game of Thrones, já que quer desenvolver uma ‘mitologia própria’ dentro de um enredo que já existe, mas na apelação descarada, feita apenas para chocar.

A boa notícia é que nem a audiência norte-americana comprou o golpe que a ABC quis dar em todo mundo com Of Kings and Prophets. Apesar de ter muita gente cristã por lá, os 3.3 milhões de telespectadores na audiência geral (com 0.8 na demo 18-49 anos) mostram claramente que nem eles estão se importando com a série, que por sinal já é chamada de minissérie. Até porque é mais do que justo ter uma série ruim cancelada, mas não vamos perder a pose e dizer “nós planejamos o fim dela desde o começo”.

Anham… ok… finjo que acredito.

Não perca o seu precioso tempo com o Of Kings and Prophets. De novo: me arrisco a dizer que a Rede Record faz melhor (eu gostei de Os Dez Mandamentos – O Filme). A ABC estreou uma série absolutamente desnecessária, e que não fará diferença alguma na sua vida. Nem na sua, nem da sua mãe, e nem mesmo da sua avó, que é bem mais religiosa do que eu e você.

Pau Lee… sua demissão está mais do que justificada.