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A HBO Latin America estreou a sua primeira série bilíngue, O Hipnotizador. Um drama sombrio, com clima noir, que te coloca no começo do século passado com vários recursos técnicos, e uma história que é necessária uma boa dose de saco paciência para sobreviver aos longos 56 minutos do seu piloto.

O Hipnotizador é centrado na história de Arenas (Leonardo Sbraraglia), o hipnólogo que viaja de cidade em cidade para apresentar a sua ‘arte’ (ou charlatanismo para alguns). Porém, por onde ele passa, ele deixa rastros. Todo mundo sabe que ele é um sujeito sinistro, com poderes que a maioria não compreende. Mesmo assim: como colocar contra a parede um sujeito que, quando ameaçado, pode fazer você se matar?

Aliás, vida e morte são dualidades constantes na vida de Arenas. Sua própria existência é atormentada por conta das visões que ele tem durante as noites. Ele simplesmente não consegue dormir, já que por onde ele passa ele ‘se conecta’ com alguém que precisa de sua ajuda. Isso faz com que ele veja fragmentos dos pesadelos dos outros, e só a sua hipnose pode ajudar a desvendar a verdade.

Porém, não é todo mundo que quer saber a verdade. E não são todos que querem que a verdade venha à tona. Tem muita gente com cadáveres escondidos por aí (literalmente), e Arenas pode ser uma grande ameaça para essas pessoas. Segredos que até então estavam muito bem guardados podem ser revelados por um forasteiro que, quando entende que sua missão ali está cumprida, pode simplesmente virar as costas e ir embora. Sem olhar para trás.

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Por partes. O Hipnotizador é mais uma série que mostra a excelência da HBO nas suas produções. É muito bem ambientada, colocando o telespectador dentro de um universo que lembra mesmo o começo do século passado, tanto nas vestimentas como nos cenários. OK, temos muitos ambientes digitalizados, o que dá uma forçada de barra no negócio todo, mas ainda assim, é de se perdoar esse aspecto.

Por outro lado, não dá para dizer que O Hipnotizador é uma série acessível para todos os tipos de público. Apesar de oferecer um plot bem simples, e seu piloto ter uma resolução nada complexa para uma série que se propõe a desvendar ‘casos importantes’, a sua narrativa é excessivamente lenta e arrastada. Os diálogos não fluem com tanta naturalidade, e para aqueles que preferem uma série mais movimentada e ágil no desenvolvimento da trama, as chances de você pegar no sono ao longo do piloto são enormes.

Some o tal clima ‘noir’, onde até a fotografia é preparada para que tudo tenha uma estética dos tempos da sua bisavó, com uma trilha sonora calma, onde em várias partes temos apenas um violino tocando… em cenas com segundos intermináveis sem falas. Como ‘cereja do bolo’, temos um protagonista que hipnotiza pessoas com as frases de código que todo mundo já sabe quais são (‘você está com sono… suas pálpebras estão pesadas…’).

O resultado? Vontade de dormir mesmo!

O Hipnotizador é uma série feita para o chamado ‘público selecionado’. Para muitos, vai soar uma série ‘pedante’, onde tudo ali foi pensado para que os ditos ‘especialistas’ digam para os meros mortais: ‘você é burro, e não entende o lirismo da metalinguagem adotada pelos criadores da série’. Bom, nesse caso, prefiro ser burro e economizar alguma coisa na conta de luz, pois mesmo entendendo bem o piloto, não é uma série que vale o meu tempo gasto.

Mesmo assim, o piloto não é ruim nos aspectos técnicos. É bem feito, bem produzido, e reforça o conceito “It’s Not TV, It’s HBO”. Mas não é para todo mundo, inclusive para mim.

Se vai seguir em frente, boa sorte. Te desejo o melhor, de verdade.