Não adianta. Toda vez que eu ver Hayden Panettiere na tela, eu vou dizer para mim mesmo: “Save the cheerleader, save the world!”. Independente de qualquer coisa, Nashville era a série musical que a ABC precisava ter. Afinal, depois de Glee, todo canal que se preze precisa ter a sua série musical para se dar bem. E, nesse caso, a ABC decidiu explorar um escopo muito maior, e com maior abrangência nos Estados Unidos: a música country.

Nos Estados Unidos, você tem Nova York na costa leste, Los Angeles na costa oeste. No meio de tudo isso, um grande pasto formado por, basicamente, caipiras e interioranos. E não falo isso como crítica. No Brasil, a coisa é um pouco mais popularizada. Lá, mesmo falando em Dallas, que é uma capital, a mentalidade deles é do típico morador caipira do interior. E isso tem um reflexo muito forte dentro da cultura do norte-americano médio. Lá, a música country simplesmente domina as paradas de sucesso há décadas, sendo mais popular que qualquer outro segmento musical no país. Logo, a aposta em explorar a música country é, no mínimo, metade do caminho para o sucesso.

Nashville conta a história de duas cantoras de música country, Rayna James (Connie Britton), a veterana, que é lenda desse segmento musical, mas que não acompanhou a evolução do mercado como um todo. Seus shows não lotam mais, seus CDs não vendem, e sua gravadora entende que esse é o momento dela se reciclar, se renovar. E entendem que a melhor forma de Rayna buscar um novo público é abrindo os shows da turnê de Juliette Barnes (Hayden Panettiere), a novata, que já é a #1 das paradas norte-americanas, e que não vai medir esforços para se manter no topo, indo até às últimas consequências para isso. Literalmente.

Rayna se vê visivelmente incomodada com essa possibilidade. Por outro lado, se recusa a entender como as coisas funcionam no mundo da música de hoje Tudo piora por causa do momento que vive na sua vida particular: o seu marido faliu, e é ela que precisa manter o padrão de vida atual da família, enquanto o marido busca recuperar o seu êxito pessoal na carreira política, por indicação do pai de Rayda (algo que ela não apoia, por sinal). Por outro lado, Juliette usa da sua juventude (literalmente) para conseguir o que quer, mas tem que lidar com o drama de sua mãe, dependente de drogas. A série equilibra bem as qualidades e defeitos das duas personagens, e logo de cara, não dá para escolher de qual lado ficar, uma vez que as duas erram e acertam em suas atitudes em doses praticamente iguais.

Sobre o piloto, ele é bom. Ok, sempre vamos ter a impressão que a ABC vai passar a fazer grandes novelões em forma de série, e Nashville também passa essa impressão. Mas, como série musical, ela consegue ser mais coerente e crível que Glee, por exemplo. Na série da ABC, falamos mesmo dos bastidores da indústria musical, e como as coisas estão funcionado nesse momento nos Estados Unidos. A série é bem atual no tratar dos fatos relevantes do mercado fonográfico (ninguém compra mais CDs, as cantoras teen estão em alta, shows rendem mais dinheiro que vendas de CDs e downloads em MP3, etc), e esse é um ponto muito positivo da produção, que por sinal, é bem feita. Isso, sem falar nos pequenos detalhes que envolvem essa indústria, como descobrir novos talentos nos bares mais desconhecidos do interior do país.

É claro que existem as subtramas, para dar o tom de “novela” à série. Até porque nem tudo será o embate entre Rayna e Juliette. Tem o marido que vai tentar ser prefeito da cidade de Nashville, para perpetuar o poder do atual prefeito na cidade, o drama da mãe drogada, as novas estrelas da música que serão descobertas e desenvolvidas ao longo da série… enfim, as pequenas tramas paralelas que precisam ter para que a história se complete.

Enfim, o piloto de Nashville é tudo aquilo que o promo prometeu. É bom, bem feito e competente em sua proposta. Para quem gosta de séries musicais, e principalmente, música country, é diversão garantida. E sim, essa é uma das nossas apostas de renovação garantida para a próxima temporada. Tem tudo aquilo que a maioria dos americanos gostam de ver. E ouvir.