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Ah, as mulheres… o centro das atenções do mundo das séries. Principalmente na ABC. Veja bem: eles já mostraram a história das “donas de casa desesperadas”, estão mostrando no Lifetime a história das “empregadas diabólicas”, seguem a todo vapor com a história da menina que quer se vingar dos ricaços dos Hamptons, a história da filha da Branca de Neve… o que mais faltava contar? A história das amantes! Bom, quero dizer, faltava. Não falta mais. Conheça Mistresses!

Mistresses é baseada em uma série britânica de 2010, e mais uma vez usa elementos básicos que fazem sucesso na ABC: um grupo de quatro amigas, com diferentes temperamentos, que se unem em um ponto comum, envolvidas em um cenário de mistério, conflitos pessoais e traições. Nesse caso em particular, a trama adaptada por K. J. Steinberg está focada nas amantes. Veja bem: não estou falando de prostitutas, e sim, amantes. É uma categoria bem diferente. E em vários aspectos.

Falando um pouco das personagens centrais, temos quatro mulheres que ou são amantes, ou tem as suas vidas modificadas radicalmente por causa das amantes de seus maridos. Savannah “Savi” Davis (Alyssa Milano) é a advogada que não consegue engravidar, pois o seu marido sofre com o problema de espermatozoides incompetentes e defeituosos (sério: o médico explica no piloto a diferença entre um espermatozoide normal e um retardado). Logo, trai o marido com o seu colega de escritório de advocacia, Dominic Taylor (Jason George).

Karen Kim (Yunjin Kim) é terapeuta, e violando os protocolos de sua profissão, teve um caso com um de seus pacientes. Esse paciente morre, e como é muito natural, o filho dele, Sam Grey (Erik Stocklim), começa a pegar no pé de Karen, para saber o motivo pelo qual o pai foi infiel. Mais: descobrir quem é a fulana que fez com que a vida dele fosse um desastre.

Já Josslyn Carver (Jes Macallan) trai o marido por esporte mesmo. Incentiva as outras amigas a irem pelo mesmo caminho com piadinhas sexuais no smartphone. Aliás, um dos objetivos de Josslyn e fazer com que a única amiga que não é amante, April Malloy (Rochelle Aytes), consiga um homem para chamar de seu, depois da morte do marido. Porém, por ironia do destino, em um belo dia, a amante do seu marido bate à sua porta, com uma criança de uns 3/4 anos de idade não mão.

E vida que segue.

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O fato é que Mistresses é mais um novelão que a ABC tenta engatar. Tem todos os elementos básicos já vistos em outras séries do canal, mas que fizeram e fazem sucesso até hoje. O problema é que, diferente de produções como Desperate Housewives e Revenge, que conquistaram uma parcela do público de forma imediata, em Mistresses, você precisa fazer muita força para se importar com tudo aquilo que está acontecendo com as personagens centrais.

Não me entendam mal, mas os dramas pessoais dessas personagens não são enfáticos o suficiente para que você se comova com essas amantes. Aliás, nem mesmo os argumentos para se tornarem amantes são lá muito válidos. Em alguns momentos, a série beira ao machismo digno das feministas irem para a Paulista reivindicarem pelo direito de não ver a Alyssa Milano fazer séries de TV (ainda mais com a cena vergonhosa que ela protagoniza com Jason George).

A série não apresenta muitos erros de roteiro (felizmente), mas seus argumentos no final do episódio não são relevantes o suficiente para que você diga para você mesmo “eu preciso ver o segundo episódio agora”. Tudo é muito óbvio e previsível, e talvez até seja esse o objetivo da série. Mas, repito: as histórias de vida das protagonistas poderiam ser mais interessantes. Por tudo o que foi apresentado, alguns até vão pensar que são mulheres fúteis, com motivos torpes para se tornarem amantes. E essas pessoas terão a sua dose de razão.

Alguns vão gostar de Mistresses com uma certa facilidade, pois mais uma vez, ela vai no vácuo de outras séries de gênero. Eu não achei a série ruim. Eu simplesmente não me importei. É mais uma produção da ABC que posso viver muito bem sem. Se vingar na Summer Season, eu digo “parabéns”. Se for cancelada nesse período, não muda a cotação do dólar.