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O Canal Viva, que antes vivia de passar os flashbacks da programação da Rede Globo, decidiu apostar em sua primeira produção original. Meu Amigo Encosto é uma comédia que entra naquela cota de produções da ‘Lei da Ancine’, e diferente das séries produzidas pelos seus canais co-irmãos do grupo Globosat (Multishow, GNT, etc), a produção entra com facilidade nas categorias ‘gosto duvidoso’ e ‘por que gastaram dinheiro para produzir essa série?’

A série conta a história de Ivan (George Sauma), um fudido qualquer dono de uma loja de fantasias. O cara é divorciado, mas sua ex-mulher, Rita (Maria Joana) é mais presente do que nunca em sua vida. O cara é tão tapado, que não consegue perceber que sua única funcionária na loja, Rosimary (Amanda Richter) é apaixonada por ele. Tão apaixonada, que acha que nada na vida do Ivan dá certo por conta de uma única explicação: ele tem um encosto em sua vida.

Rosimary então procura um ‘encostologista’ (???), o Dr. Clint (Cadu Fávero), um charlatão de marca maior, que na base da c*g*d*, descobre que Ivan realmente tem um encosto: Janjão (Danilo de Moura), que só o próprio Ivan consegue ver, e é realmente o motivo pelo qual a sua vida não segue para frente. Sim, pois Janjão se alimenta de todas as viciações de Ivan, e se isso acabar, ele perde o seu posto de ‘encosto’, função essa que é coordenada por sua chefe, Yolanda (Márcia Cabrita), uma ‘profissional no encosto’, com mais de 2.500 anos de experiência comprovada.

O problema é que Ivan agora sabe que Janjão existe, consegue vê-lo e uma ‘linda amizade’ começa a ser construído entre os dois, algo que não poderia acontecer. E o mundo dessas duas figuras vai se colidir em várias situações um tanto quanto constrangedoras.

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Meu Amigo Encosto começou mal naquilo que deveria ser o seu forte: fazer rir. Apesar de tentativas de piadas bem sacadas (como por exemplo simpatias com a ajuda de um tablet), o plot geral da série é recorrente, e até um pouco sem graça. Já vimos filmes e séries no estilo ‘um espírito baixou em mim’, onde um dos personagens só é visto por outro personagem, e várias falas que são direcionadas para o espírito vão parar para o primeiro ser vivo que está na cena. Esse não é o grande problema da série.

O que incomodou nos dois primeiros episódios de Meu Amigo Encosto foi o fato de não conseguir rir de absolutamente nenhuma piada apresentada. Absolutamente nada. A série beirou ao bobo em vários momentos, com o personagem de Janjão oscilando entre o carismático, engraçadalho e babaca em um intervalo de três cenas. Nem mesmo as cenas que envolviam humor físico funcionaram (fantasiar alguém de galinha gigante é uma das mais óbvias fórmulas de humor da história).

O que é uma pena. O elenco da série é bom, com nomes que já foram bem em outras séries. George Sauma mandou muito bem em Toma Lá Dá Cá, e Márcia Cabrita dispensa maiores apresentações como a empregada Neide em Sai de Baixo. Mas nem isso conseguiu salvar Meu Amigo Encosto de uma mesmice que a colocou como uma produção que, pelo menos para mim, não teve os mesmos efeitos práticos de outras comédias lançadas pelo grupo Globosat.

É cedo para dizer se Meu Amigo Encosto vai dar certo ou não. Pode ser que a audiência do Canal Viva compre a ideia geral da série, ou que a mesma corrija os erros e engrene de vez. Fato é que não vou acompanhar para ver o que acontece. É claro que não podemos culpar o canal por essa primeira tentativa (justamente por ser a primeira). Mesmo assim, nesse caso em específico, ‘não colou’ (sem trocadilhos com Vai Que Cola que, bem ou mal, é um baita sucesso).