master

E a Band estreou o reality MasterChef, um sucesso entre os realitys culinários ao redor do mundo. Na falta de Gordon Ramsay, o programa conta com Ana Paula Padrão como apresentadora, e por mais que essa escolha possa ser estranha aos olhos de muitos (aos meus, inclusive), vamos olhas para o programa como um todo, vendo nessas primeiras impressões o potencial do mesmo como reality que pode envolver o telespectador.

O conceito geral do programa é o mesmo de muitos outros realitys do gênero: uma competição culinária, com tarefas das mais diversas, com prazo determinado para concluir os pratos, e eliminações semanais. Três grandes chefs (Erick Jacquin, Henrique Fogaça e Paola Carosella) são os jurados fixos responsáveis por manter ou eliminar os candidatos, além dos jurados convidados, que eventualmente vão dar os seus pitacos em provas específicas.

Por outro lado, os competidores não necessariamente precisam ser chefs de cozinha. Pessoas de qualquer idade, e dos mais diferentes segmentos profissionais puderam participar das seletivas. A primeira delas aconteceu diante do estádio do Pacaembú em São Paulo, onde os pratos tiveram que ser montados para a degustação dos jurados. De mais de 300 inscritos, só ficaram 50, que depois foram reduzidos no grupo que efetivamente vai disputar a temporada.

Os prêmios para o vencedor são até interessantes: R$ 150 mil para iniciar o próprio negócio, um carro zero km e um curso na escola de culinária mais famosa do planeta. Levando em conta que estamos no Brasil, e que nem sempre os prêmios são tão relevantes em realitys (digo, polpudos mesmo), está de bom tamanho. Além disso, a Band fechou parcerias com patrocinadores, que estarão presentes em vários “product placements”que poderão ser vistos ao longo das tarefas.

A mecânica do programa é interessante já no seu formato original. A dúvida então era saber se a produção nacional poderia ser minimamente interessante para atrair o telespectador, mesmo aquele que já viram o programa original. Eu sou suspeito para falar, pois adoro esse formato de programa, mas para o que eles entregaram nesse primeiro programa, o saldo foi bem positivo.

O trio de jurados é “do jeito que o diabo gosta” (brincadeira). É um trio exigente e irônico o suficiente para demonstrar onde os candidatos estão acertando ou errando durante o processo. Ainda mais pelo fato que o MasterChef permite que qualquer pessoa que acredita que pode se tornar um grande chef de cozinha participe do programa. E se eles já andaram distribuindo frases diretas, quase pancadas na cara de alguns candidatos, podemos imaginar que a exigência com aqueles que vão disputar o título será muito maior.

Sobre Ana Paula Padrão como apresentadora, foi menos comprometedor do que eu imaginava. Até porque a sua participação no programa não é tão extensa. A maior parte do programa é focada nos jurados, o que é uma ótima notícia. Nada contra a ex-companheira de William Waack no Jornal da Globo, e até acho que não foi tão ruim assim vê-la nesse papel. Só é estranho mesmo. Mas não compromete. Aliás, é bom ver ela de novo na TV.

Antes de terminar, um destaque todo especial para o super surtado do Mr. Lúdico, que com um suco natureba no melhor estilo “aplaudo o Sol ao final de cada dia”, surpreendeu ao trollar com um dos juízes, além de trazer um prato pronto, mas montar e servir apenas o suco orgânico. Sem falar que ele enterraria a metade de um boi morto e acenderia uma vela, no lugar de cozinhá-lo (nada contra os vegetarianos, mas o programa se chama MasterChef, e uma hora ele teria que cozinhar carne, certo?).

Lições valiosas que o piloto de MasterChef Brasil deixa para a audiência:

– Que o ego pode estar escondido no pequeno morango colocado em cima de um risoto
– Que não adianta fazer comida sofisticada se ela parece uma gororoba
– Que os jurados precisam ser muito bem pagos para experimentarem pratos que visualmente não são lá essas coisas
– Que todo mundo gosta de bolinho de arroz
– Que a melhor forma de aproveitar um animal morto é enterrando o mesmo. E acendendo uma vela

Por fim, se você gosta de realitys culinários, MasterChef Brasil vai agradar você. Entendo que a Band fez um bom trabalho na adaptação do programa, e fatalmente vou acompanhar a temporada toda. Até porque a parte mais interessante é que, diferente de Top Chef, onde todos os participantes são profissionais consolidados (ou não), que buscam o reconhecimento nacional, MasterChef é focado nos amadores que querem se tornar profissionais. O que torna a dinâmica do programa surpreendentemente interessante.