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E finalmente estreou a série do Demolidor. Marvel’s Daredevil marca também a estreia da nova fase da Marvel na TV, em parceria com a Netflix. A ideia é oferecer uma linha de séries que, por fim, se convergem, criando uma quinta produção onde esses personagens interagem no mesmo universo, compartilhando dos mesmos plots. E a série que estreia essa nova fase é a do Demolidor. Que não faz feio no piloto.

Eu sei que muita gente conhece a história do personagem, mas também tem muito mais gente que não faz ideia do que se trata. De qualquer forma, em linhas gerais, a série vai mostrar a saga de Matt Murdock em fazer justiça, seja pelos meios oficiais (ele é advogado dos fracos e indefesos, ou daqueles que não podem pagar por suas causas que ninguém quer assumir), seja pelos meios “alternativos” (dando porrada em todo mundo que ameace ou tente matar essas mesmas pessoas que não tem como se defender).

No piloto, vemos muito das origens do personagem: como ele ficou cego – e mesmo nesse evento, ele já estava propenso a salvar vidas -, as suas motivações para proteger os inocentes e, ao que tudo indica, a tônica da temporada é mostra a evolução do personagem até ele se transformar efetivamente no Demolidor propriamente dito. E essa é a parte mais legal: ele não começa de cara como o Demolidor. Veremos esse personagem se desenvolver e evoluir, o que é sempre bem mais interessante do que ver tudo pronto (e depois viver de um monte de flashbacks).

Não que não existam alguns flashbacks na série. Temos alguns sim. Mas poderia ser muito mais se o Demolidor já estivesse pronto e devidamente apresentado ao telespectador.

MARVEL'S DAREDEVIL

O piloto de Marvel’s Daredevil entrega tudo isso na medida certa. Vale lembrar que a série é da Netflix, mas é produzida pela ABC Sudios. E nessa, você fica se perguntando “Agents of SHIELD poderia aproveitar algumas coisas do Demolidor, não é?”. O primeiro episódio é bem redondo naquilo que se propõe a contar: apresenta os personagens, a trama central da temporada, os vilões (que não são poucos), o interesse amoroso de Matt (talvez?), a personalidade do herói, e outros detalhes que, combinados, resultam em um bom episódio.

Aliás, ajuda muito o fato de Charlie Cox mandar muito bem como Matt Murdock. O personagem é carismático, e não é difícil se importar com sua causa de trazer justiça ao mundo. A parceria com o seu amigo mais próximo e igualmente advogado Foggy Nelson funciona, rendendo um interessante alívio cômico para a série. E a menina Deborah Ann Woll está lá, para fazer a alegria das viúvas de True Blood.

A parte de produção de Marvel’s Daredevil é outro ponto positivo do piloto. Cenas com planos de câmera bem pensados, lutas bem coreografadas, um roteiro bem amarrado, várias e várias cenas de externas de Nova York, e uma estrutura estética que imerge o telespectador na proposta geral da série. A história do Demolidor é um tanto quanto sombria e, se você parar para pensar, um tanto quanto violenta em alguns momentos (a abertura da série deixa isso implícito).

Sem falar que temos que nos lembrar que o personagem principal é um deficiente visual. Talvez a ideia de deixar boa parte das cenas mais escuras pode ser uma forma de também colocar o telespectador em parte da perspectiva do próprio Demolidor. Não por completo, pois se assim o fosse, você teria uma tela preta por 53 minutos (não, não foi uma piada).

Entendo que o piloto de Marvel’s Daredevil deve agradar aos fãs do personagem nos quadrinhos e aqueles que nunca leram nada sobre o personagem, mas que gosta de uma série de ação com um herói central. Como todos os episódios já estão disponíveis no Netflix, creio que muita gente vai usar o final de semana para fazer a maratona da série, o que não é uma má pedida.

E é a Marvel dando sinais de recuperação. Sim, pois no que se refere às séries de TV, ninguém tem dúvidas que a DC está dando de dez a zero.