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Alguns canais decidiram apostar nas comédias românticas nessa temporada de séries, e um desses canais é a ABC, com Manhattan Love Story. Uma série leve, descompromissada, buscando um público que quer assistir uma série para relaxar no final do dia… para depois ficar um pouco mais tenso com Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (é difícil compreender a mente de quem monta a grade da ABC…). Bom, vamos descobrir se a série consegue cumprir essa missão que, convenhamos, não é das mais fáceis.

A ideia de Manhattan Love Story é mostrar o mesmo relacionamento através de perspectivas completamente diferentes, usando a cidade de Nova York como pano de fundo.

De um lado, temos Dana (Analeigh Tipton), uma jovem de uma cidade pequena, recém chegada em Nova York para tentar vencer na vida, em um novo emprego – onde ela acha que todos a odeiam, mas na verdade, é apenas o ‘estilo nova-iorquino de ser’, em ignorar completamente os forasteiros -, e tem uma situação amorosa indefinida (aka solteira). Do outro lado, temos Peter (Jake McDorman), um típico cidadão da Big Apple, que não acredita nas pessoas, misógino, metido a pegador e engraçadalho (que fique claro: não acho que todo nova-iorquino se porte dessa forma, mas sim especificamente o nosso amigo Peter).

Os dois vivem mundos e momentos de vida completamente diferentes. Peter não quer se envolver com ninguém, e continua a estabelecer recordes de mulheres que ele anda pegando (fazendo avaliações constantes enquanto ele faz um passeio sem maiores compromissos). Já Dana quer encontrar o grande amor na sua vida na cidade, ao mesmo tempo que busca realizar os seus sonhos (um deles é encontrar a bolsa perfeita para o seu estilo).

A história de Dana e Peter começa a se construir no jantar arrumado pelos amigos de Peter, para que Dana conhecesse alguém. Uma lista de desejos da moça é o estopim para que os acontecimentos de um relacionamento mais próximo entre os dois se inicie. É claro que alguns obstáculos pelo caminho (como por exemplo o ego inflado e a incapacidade de falar as coisas certas de Peter, e a mania de Dana acreditar em qualquer pessoa de forma incondicional), mas sem isso, não há porque a série existir, não é mesmo?

Manhattan Love Story - Episode 1.01 - Pilot - Promotional Photo

E o que dizer do piloto de Manhattan Love Story?

Não é um piloto ruim. Talvez seja um piloto monótono para quem não suporta de jeito nenhum as comédias românticas, mas pode agradar aqueles que gostam do estilo de produção. Entendo que algumas pessoas vão se identificar com esse formato no estilo ‘mulheres são de Vênus, homens são de Marte’, pois a maioria dos casais funcionam dessa forma: com pensamentos, objetivos e perspectivas diferentes sobre a mesma situação.

Porém, em alguns momentos do piloto, a série passa a impressão de ‘dar uma forçada’ em mostrar dois protagonistas carismáticos, na tentativa em conquistar o telespectador, que pode ou não ficar na torcida para que o casal dê certo. Como esse é um critério muito subjetivo, e os resultados podem variar – e muito – de pessoa para pessoa. Logo, não sou eu que vou criticar ou elogiar esse detalhe.

O texto de Manhattan Love Story é bom. As linhas de pensamento dos dois protagonistas são interessantes, com diálogos ágeis e já vistos em filmes com essa temática. E talvez esse é o ponto que mais deixa interrogações nas pessoas: a série vai seguir apostando em elementos e manobras já vistas em outras produções, buscando o atalho mais rápido para conquistar o telespectador? Ou vai apresentar algo um pouco diferente em algum momento da série?

Se insistir na primeira estratégia, a ABC pode se dar mal. Manhattan Love Story já está na história do ‘canal do alfabeto’ (ao lado de Selfie) como a pior audiência de uma estreia de uma série de comédia da ABC, e pode ser ainda pior por cair no óbvio da trama “cara babaca se apaixona pela simplicidade da moça do interior, se transformando no príncipe/bom moço ao longo da série”. Se o caminho for esse, vai ser difícil conseguir audiência. Precisa mostrar algum diferencial para sobreviver.

De qualquer forma, vamos aguardar. A regra de recomendação aqui é bem simples e objetiva: se você gosta de comédias românticas no cinema (ou na Sessão da Tarde), assista ao piloto de Manhattan Love Story. Se você não é tão chegado assim, acho que não vale a pena arriscar. Se você detesta esse tipo de produção, me surpreende você conseguir chegar até o final desse post.

P.S.: Para quem viu o piloto… sim… Jade Catta-Preta (Amy) é uma atriz e comediante brasileira.