Ok, eu levei uma semana para ver o piloto de Made in Jersey, mas não me arrependo. Na vida, temos que ter prioridades. O novo drama jurídico da CBS é uma das tentativas mais descaradas que eu já vi de pegar o vácuo de outra série de sucesso, e em nenhum momento a série esconde isso. O pior é que, como está na CBS e o seu público adora esse tipo de série, pode até ser que dê certo. Mas, particularmente, acho que não.

Antes de explicar do que a série se trata, vale a pena explicar o porquê do nome Made in Jersey. Existe um bairrismo histórico e explícito entre a cidade de Nova York, conhecida como a “capital do mundo”, e a cidade vizinha, New Jersey, consideravelmente menor mas muito conhecida (por causa do Jon Bon Jovi e do New York Giants), que é conhecida como a “capital dos latinos”. O pessoal de Nova York limita os moradores de New Jersey como “o bairro dos hispânicos e ítalo-americanos de Nova York que virou cidade”, e os trata como verdadeiros caipiras.

Falando da trama, ela mostra como a advogada caloura Martina Garretti (Janet Montgomery), filha de New Jersey, com uma família típica de New Jersey, tenta sobreviver em um competitivo escritório de advogados em Nova York, com a sua jovialidade, força de vontade e, principalmente, poder de observação para os detalhes. Sofre as esperadas dificuldades que uma novata recebe em um ambiente competitivo, como o chefe que não te dá credito, a “colega” de escritório, que usa todos os tipos de esteriótipos possíveis para te intimidar, e o advogado bonitão, que te dá um voto de confiança para resolver o caso.

Ok. Agora, vamos aos problemas de Made in Jersey.

Ela é, descaradamente, a tentativa da CBS em oferecer uma “versão jovem e mastigada”  de The Good Wife para um público mais jovem. Ah, você quer provas de minha acusação? Vamos lá. Pra começar, Janet Montgomery é visualmente a versão mais jovem de Julianna Margulies. E calma, não estou dizendo em talento ou capacidade de interpretação. Estou falando de fisionomia mesmo. Se fizessem um prequel de The Good Wife, certamente usaria Janet para fazer a versão adolescente de Alicia Florrick.

A mecânica da trama dentro do escritório é similar ao que acontece em The Good Wife, exceto pelo fato de Martina não viver os dramas pessoais que Alicia vive. Do mais, tudo igual: a novata é subestimada, ela tem que provar que sua teoria de defesa está certa na base de teorias mirabolantes, e todas as pequenas subtramas conspiratórias que eu citei acima estão presentes.

O que torna Made in Jersey realmente diferente de The Good Wife é a proposta de ser feita para os adolescentes. Primeiro, passa em uma sexta-feira. Não que o público jovem assiste TV nesse dia, mas as séries com maior audiência entre o público abaixo da faixa de 18-49 anos passam na TV aberta nesse dia. Segundo, porque algumas das soluções do caso do piloto foram tipicamente propostas para se comunicar com o público jovem. Duas foram bem explícitas: o argumento da pintura de cabelo e a solução da mensagem de voz com um “recurso que só quem tem menos de 25 anos pode perceber”.

Para resumir a ópera: como disseram para mim no Twitter nessa semana, Made in Jersey é o “The Good Wife for Dummies”. Se bem que discordo um pouco da afirmação, uma vez que a série da Alicia Florrick é muito mais inteligente, ousada e bem construída do que a proposta jurídica adolescente recém estreada na CBS. Eu começo a acreditar que todo canal aberto dos EUA possui a sua série “da CW, sem ser da CW”. E Made in Jersey é a típica série que poderia ser exibida tranquilamente na CW. Em alguns momentos eu até pensei que ela poderia fazer um ótimo crossover com Hart of Dixie.

Um último registro: não achei o piloto horroroso, como em outras séries. Só achei fraca mesmo, e das estreias da CBS é, sem sombra de dúvidas, a menos promissora. Não pretendo acompanhar o restante da série, até porque já escolhi a minha série “caso do dia” da temporada (Elementary). Fico curioso se eles vão conseguir atingir o seu público-alvo: os adolescentes que estão no colegial, e querem uma inspiração para fazer a faculdade de direito. Se conseguir, acho que eles podem dizer “missão cumprida”.