Madam Secretary

Nina Tassler, a mulher que manda na CBS, entendeu que The Good Wife precisava de uma companhia na grade dominical do canal. Por isso, aprovou o projeto de Madam Secretary, protagonizada por Tea Leoni – que também é produtora executiva da série. E mesmo sem ser focada no ambiente jurídico, pode cumprir com o seu papel de fazer com que a audiência sintonize no canal uma hora mais cedo, para ver mais uma forte mulher lidar com situações de crise.

A série acompanha a vida de Elizabeth Faulkner McCord (Leoni), uma professora universitária em Virgínia, que tem uma vida aparentemente comum, com uma família comum composta por um marido – Henry McCord (Tim Daly), também professor universitário – e dois filhos adolescentes, que passam mais tempo mexendo nos smartphones do que dialogando. Ela vive a sua vida de forma simples, sem muitas frescuras, cuidando dos animais, fazendo as compras do mês e corrigindo provas de alunos relaxados.

Até que em um belo dia, o avião com a secretária de estado dos Estados Unidos desaparece a caminho da Venezuela. Como é necessária uma substituta para o cargo, Presidente dos Estados Unidos (Keith Carradine) pessoalmente procura Elizabeth para convidá-la ao cargo. Aqui, a “regra Derek Shepherd” se aplica (não se recusa um convite do Presidente dos Estados Unidos), ela aceita o cargo, e se muda de mala, cuia, marido e filhos para Washington, para viver a vida de “apagadora de incêndios” do governo.

A escolha de Elizabeth não é por acaso: ela possui treinamento especial da CIA para resolução de crises, e é especialista em política internacional. O Presidente entende que ela possui as habilidades necessárias para gerenciar os conflitos com chefes de estado (ou secretários de estado) dos países que contam com relacionamentos diplomáticos com os EUA, além de contar com uma visão diferenciada por ser uma dona de casa aparentemente comum.

A situação de Elizabeth se complica quando ela percebe que depois de dois meses no cargo, ela ainda não conquistou a simpatia dos seus colegas de trabalho, que não estão muito dispostas a reconhecê-la no posto. E só piora quando ela se dá conta que existe uma conspiração que tem como objetivo eliminar integrantes do governo norte-americano. Quem sabe para, no final, eliminar o próprio Presidente dos Estados Unidos.

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Apesar de não ser a minha praia, eu gostei do piloto de Madam Secretary. A produção é bem feita, o texto é ágil e bem escrito, mas ao mesmo tempo apresentam toques de humor que são bem vindos (atenção: toques de humor não quer dizer que a série é engraçadalha, mas sim que ela tem piadinhas pontuais, que ajudam a deixar a trama bem acessível). Aliás, colocando em paralelo com The Good Wife, a série tem uma proposta um pouco mais leve do que o drama jurídico.

A série tem a assinatura de qualidade da CBS, tanto nos aspectos técnicos como na história geral. Madam Secretary tende a não ser algo sonolento por conta do twist apresentado no final do episódio (que deve ser a trama a ser desenvolvida ao longo da temporada, impedindo que a produção se limite a ser o ‘caso do dia’ puro e simples), e a aposta em Tea Leoni não é tão questionável como muitos alegavam no período de exibição dos promos.

Enfim, para o que se propõe e para os objetivos a serem alcançados, Madam Secretary tem uma missão relativamente fácil: preparar a audiência para os episódios de The Good Wife, apresentando um drama que possui similaridades pontuais. Levando em conta a sua concorrência no horário, e o contexto que até se alinha com o momento atual dos Estados Unidos (em guerra com a Síria), o novo drama da CBS pode ser uma aposta quase certa de renovação logo de cara. Só é cancelada se o roteiro ferrar demais.

O que, convenhamos, tem que ser alguém muito estúpido para fazer isso (abraço, Kevin Williamson).