lucky-ladies-reality-show

Eu sei! Demorou quase uma semana para esse post ir ao ar. Mas por um motivo muito simples: eu precisei ver o piloto de Lucky Ladies pelo menos três vezes para absorver tudo o que foi apresentado. Até porque nas duas primeiras vezes que eu vi me faltaram palavras para descrever o que eu senti. E como o blog é feito de textos que, por sua vez, são compostos de um conjunto de palavras… enfim, vamos lá.

Lucky Ladies é a versão brasileira de um reality que já existe em outros países onde os canais Fox estão presentes. Nesse caso em específico, o canal escolhido foi o Fox Life, e por um motivo muito simples: a premissa geral de ‘estilo de vida’ que o canal abraça, onde os programas de realidade ficam concentrados lá (enquanto que o canal principal da Fox se concentra nas séries roteirizadas).

Não concordo muito com isso, mas ao menos a tática funcionou: acho que a estreia Lucky Ladies entregou para o Fox Life uma de suas maiores audiências de sua história. Se não foi a maior. O programa bombou com facilidade.

Também, pudera: quem não quer ver Tati Quebra Barraco orientando outras cantoras de funk no desenvolvimento de um projeto musical único, onde seis funkeiras com estilos e personalidades diferentes vão formar a primeira ‘dupla de seis’ do universo? Todos amam desde já tal premissa, não é mesmo?

Pois é… a onipresente Tati Quebra Barraco conta com a ajuda do produtor musical e ex-VJ da finada MTV Brasil Rafael Ramos para treinar e orientar as cinco escolhidas para o projeto: MC Sabrina (É no sapinho), MC Carol (Bateu uma onda forte), Mulher Filé (Tá calor, tá quente), Karol K (Pedra preciosa) e Mary Silvestre (Suave é viver). Sim, filtramos as músicas ‘Minha Avó Tá Maluca’ e ‘Striptease’, porque ainda somos um blog de respeito (mesmo não parecendo).

A ideia é extrair o melhor dessas moças, colocando todas elas para conviverem juntas (na difícil missão de uma não matar a outra de alguma forma), explorarem os seus respectivos potenciais artísticos e evoluindo nos aspectos que podem ser melhorados, para desenvolver um projeto musical que tem como principal objetivo tornar o funk uma realidade musical do Brasil.

É claro que tanto Tati quanto as moças escolhidas terão alguns desafios. Além da comunicação comprometida pelas gírias, cada uma delas deverá deixar o seu ego de lado para não enfiar a mão na cara da outra, sem falar em respeitar a ‘mamãe Quebra Barraco’ em tudo o que ela disser. Até porque ela não busca boniteza, mas sim, talento.

lucky-ladies-reality-show-02

Lucky Ladies tem muito potencial. Você pensa que Mulheres Ricas e Quem Quer Casar Com Meu Filho? foram realitys com potencial enorme para a bagaceira espontânea, mas ver um grupo de funkeiras todas trabalhadas no recalque é um prato cheio para quem quer ver a realidade nua e crua (exceto é claro no caso da MC Carol pois, convenhamos…) nesse desafio de treinamento de talentos em potencial. Ainda mais do mundo do funk.

Uma das coisas mais legais de Lucky Ladies é que Tati Quebra Barraco está bem longe de ter o perfil ‘maternal’ que uma pessoa no papel dela no programa teria. Pelo contrário: se ela tiver que esculachar alguma dessas meninas, ela não vai medir esforços para isso. Vai fazer sem dó nem piedade. O único freio moral de Tati no programa (e eu desconfio que ele será mal sucedido nessa missão) é Rafael Ramos, homem que ficava berrando durante 60 minutos no Quiz MTV no final da década de 1990.

Já temos as preferidas e as odiadas pelo público. MC Sabrina parece ser a mais odiada do público (e, ao mesmo tempo, uma das preferidas de muita gente, de forma estranha), já que faz muita força para ser a vilã da temporada. MC Carol, apesar do jeito pouco sutil de dizer as coisas, parece ser uma das preferidas da audiência. Tal efeito colateral com a audiência é algo absolutamente normal, ainda mais se levarmos em conta que estamos falando de pessoas que (teoricamente) são mais ‘reais’ do que participantes do BBB.

Se bem que algumas ali certamente se perfazem quando uma câmera aparece.

De qualquer forma, Lucky Ladies é vida. Lucky Ladies é amor. Se você gosta de realitys onde tudo pode acontecer (principalmente o barraco), é um programa que tem todo o potencial do universo em converter algumas horas de trabalho árduo de mulheres guerreiras querendo fazer história na música brasileira em diversão garantida. Até porque o Ego (que é aquele pequeno argentino que vive dentro da cabeça de cada um de nós) será o grande protagonista desse excelente reality.

Vale a pena conferir Lucky Ladies. Tem tudo para ser uma das melhores experiências sociológicas da história da TV brasileira.