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Afinal de contas… o que é o amor?

Acho que não vamos encontrar essa resposta em Love, nova série da Netflix. Idealizada por Judd Apatow, Paul Rust e Lesley Arfin, a produção já está renovada para uma segunda temporada, e pretende explorar as peculiaridades das diferentes perspectivas sobre os relacionamentos românticos a partir de um homem e de uma mulher com perfis e motivações bem diferentes.

Gus (Paul Rust) é um jovem adulto dos seus 20 e poucos anos de idade, que é consultor de uma série de TV. Ele recém terminou um relacionamento de longa data com aquela que ele considerava o grande amor de sua vida, Natalie (Milana Vayntrub), que em um ataque de raiva/tédio, revela que ela o traiu. Mais: disse para Gus que ele é pior do que um cara mau, pois ele é o “falso bonzinho”. Bom, nem preciso dizer que Gus ficou arrasado com isso. Mas decidiu seguir com a vida.

Mickey (Gillian Jacobs) é uma diretora de programação de uma rádio via satélite, e está em um “relacionamento ioiô” com Eric (Kyle Kinane), um viciado em cocaína que depende da mãe para tudo. Como Mickey entendeu que precisava de um relacionamento com um adulto e não com um adulto crescido (que achava mais legal ficar jogando videogames do que transando com ela), ela o abandona, mas sente um certo vazio, algo que nem os calmantes deram um jeito.

Antes do encontro que começa a mudar suas respectivas vidas, Gus e Mickey tem noites bem loucas, que de alguma forma devem ter ajudado aos dois a repensarem algumas coisas. Gus acaba se envolvendo no sonho de todo macho-alfa: transar com duas mulheres. Porém, ele pira quando descobre que as duas mulheres em questão são irmãs. Coisa de nerd freak, convenhamos… Já Mickey, depois de passar um dia tomando calmantes, recebe um telefonema de Eric, que queria se encontrar com ela. Quando ela chega ao local, achando que era um bar, ela descobre que está em um encontro espiritual, em um tipo de igreja alternativa.

Depois de tudo isso, na manhã seguinte, Gus e Mickey se encontram em uma das esquinas do destino, e começam a sua aventura em comum, que pode ou não terminar em um amor verdadeiro. Não sabemos. Vamos ter que assistir pelo menos a primeira temporada até o fim para saber.

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Love tem um piloto interessante. Aparenta ser uma série madura e bem definida na sua proposta de mostrar como essas perspectivas são diferentes, e como os opostos podem se atrair por conta das ironias do destino. Talvez o ritmo da série tenha me incomodado bastante ao longo do piloto, mas não diria que por conta disso é uma série ruim. Eu pelo menos não achei.

As situações propostas nos dois primeiros episódios (sim, vi os dois primeiros para escrever essa resenha) mostram como Gus e Mickey contam com personalidades bem opostas e bem definidas. Mesmo assim, rola uma simbiose entre os dois, que vão viver ao longo da temporada a experiência de se redescobrirem e se reconhecerem dentro dessa nova fase de suas vidas. A série tem um ar descolado que me agrada. Um texto descontraído que se aproxima do público jovem/adulto.

Love não é uma série bobinha. Pode ter situações meio nonsense, mas no seu pano de fundo te faz pensar sobre os contrastes comportamentais e existenciais, algo que muita gente já passou e passa até hoje. Afinal de contas, uma das coisas mais difíceis que podemos fazer é se relacionar com o próximo. É muito difícil entender o que se passa na cabeça do outro, quais são suas perspectivas e seus anseios dentro de uma relação. Talvez a série não mostre o que é o amor verdadeiro, mas nos convença de que não somos os únicos a achar que um longo namoro é um saco, mas que tem salvação quando vemos o quão complexo é conviver com alguém emocionalmente diferente de você.

Em linhas gerais, Love está na média. Vou conferir a temporada até o fim, pois o plot me interessou bastante. Recomendo para aqueles que ao menos buscam algo um pouco diferente do convencional.