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Confesso que demorei para escrever sobre o piloto de Looking, da mesma forma que demorei para concluir os 29 minutos do mesmo piloto. Não me entenda mal, amigo leitor. Não achei o piloto da série ruim. Só que esperava bem mais.

Looking mostra o cotidiano de três amigos homossexuais em San Francisco. Patrick (Jonathan Groff) é o mais bem sucedido deles, atuando como um desenvolvedor de videogames. Ao se dar conta que os seus outros dois amigos, Agustín (Frankie J. Álvarez), um artista assistente, e Dom (Murray Bartlett), um garçom, estão começando a se virar na vida e nos seus respectivos relacionamentos amorosos (bom, naquelas, já que na prática nenhum deles conseguiu juntar as escovas de dentes com alguém), Patrick começa a pensar no seu futuro, e no futuro do seu coração.

E tudo começa na busca que um novo colega de quarto. Tá, ele começa procurando no site OkCupid (para fazer um “combo” no quesito “preenchimento de suas necessidades”), que não é o melhor lugar para você começar essa procura. Mesmo assim…

Direto ao ponto? O piloto de Looking me decepcionou. De verdade. A série, que se vendia como algo mais adulto ou ousado, acabou sendo relativamente leve. Trata de temas adultos sim, mas pelo menos no piloto, a impressão que tive foi que o roteiro foi o tempo todo trabalhado com o freio de mão puxado.

Veja bem, eu não estou aqui defendendo a baixaria televisiva. Só estou dizendo que, para um canal cujo slogan é “it’s not TV, it’s HBO”, eles até que fizeram um piloto tranquilo. Sossegado. Acomodado. Acomodado até demais.

Foi um piloto para apresentar o trio central de personagens, mostrar um pouco do seu cotidiano, dos seus dramas, e como eles lidam com isso de formas diferentes. O “Looking” do título pode ser interpretado pela “comunicação no primeiro olhar”. O primeiro flerte de Patrick com o seu interesse amoroso da vez (um avulso que ele encontra no metrô) acontece pelo olhar.

Além disso, Looking pode dar uma visão 100% urbana do universo dos gays na cidade com maior concentração de homossexuais nos Estados Unidos. Nesse aspecto, pelos comentários que li nas redes sociais, o grupo GLBT parece ter aprovado a série. Só me preocupo com os esteriótipos que a série pode apresentar, ou da produção ficar marcada por ser uma série apenas de esteriótipos. E aí, eu conto com a comunidade GLBT para dizer qual é a real da série.

Pra finalizar, achei o piloto de Looking comum. Eu espero que a série, ao longo de sua temporada, aborde temas mais contundentes e presentes no cotidiano de qualquer pessoa (hétero, homo, bi, trans, José Genoíno, corinthianos, entre outros), como por exemplo monogamia, doenças sexualmente transmissíveis, as dificuldades em viver em uma cidade de grande porte com pouca grana, preconceito, entre outros.

Se for só a série do “ai, bofe… te achei uma delícia… deixa eu abrir o zíper de sua calça?”, será uma grande perda de tempo.