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Modern Family é, hoje uma das séries mais importantes e relevantes da TV norte-americana. Goste você ou não. Venceu cinco Emmys consecutivos pelas suas primeiras cinco temporadas (essa sequência foi interrompida em 2015 por Veep), e apesar de muitos considerarem que a série perdeu fôlego e timing de comédia nos últimos anos, tem uma audiência sólida e consolidada, algo que todo canal deseja. Principalmente a CBS.

Oferecer uma série que pode ser assistida por qualquer pessoa, que fale sobre família de uma forma dinâmica e criativa, e com uma linguagem moderna e que prenda o telespectador pela identidade das situações apresentadas. Modern Family conseguiu tudo isso, e agora a CBS tenta (de novo) oferecer à sua audiência uma série familiar com uma família moderna. Com isso, temos Life in Pieces, nova comédia do canal para a temporada 2015-2016.

A ideia geral de Life in Pieces é basicamente a mesma do piloto de Modern Family, só que em todos os episódios. Explico: são quatro pequenos segmentos, mostrando quatro núcleos diferentes de uma mesma família, com situações aparentemente distintas, mas que se encontram no último segmento, montando uma história única. Na verdade, é uma única história, mas com quatro perspectivas diferentes, que se combinam no último segmento do episódio.

Essa mecânica se repete em todos os episódios, mostrando as diferentes personalidades, perspectivas, situações e emoções diante de um mesmo tema. A ideia geral é que a audiência identifique que, apesar dos pedaços da família estarem separados na maior parte do tempo, elas podem se unir em um único evento, onde no final das contas, família é tudo igual, só muda de endereço.

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Bom… o que dizer de Life in Pieces?

Eu entendi a ideia geral de Life in Pieces, apesar de ser uma fórmula que, se não for bem feita, vão mostrar quatro segmentos a esmo a cada episódio. O elenco tem nomes conhecidos do público, como Colin Hanks, Betsy Brandt, Thomas Sadoski, James Brolin e Dianne Wiest, e tem um texto ágil dentro de cada segmento. E precisa ser assim, já que como a série tem um comercial a mais que as outras, os acontecimentos precisam acontecer de forma mais dinâmica dentro dos 20 minutos de episódio (em média, cinco minutos para cada fragmento de história).

E esse pode ser o grande problema de Life in Pieces. Tudo feito às carreiras, correndo, como se tirasse a mãe da forca.

Eles repetirem a fórmula do piloto de Modern Family em todos os episódios nem é o grande problema. O que deixa tudo muito complicado para a comédia da CBS está no fato que a comédia da ABC fez isso apenas uma vez, e de forma impecável. O piloto de Modern Family  é muito bem construído, onde o desenvolvimento da trama acontece de forma orgânica, e o final do episódio, onde acontece a revelação que aqueles três núcleos fazem parte da mesma família, é algo simplesmente espetacular. O “fator surpresa” aparece, funciona de forma perfeita, e coloca esse como um dos melhores pilotos de comédia dos últimos 10 anos.

Já no caso de Life in Pieces, além do fator surpresa simplesmente não existir (uma vez que a premissa geral da série revela o que você pode esperar dela), os segmentos resultaram sem a mesma empatia que a que detectamos na comédia da ABC. Algumas piadas até que funcionaram em momentos pontuais, mas tudo soou muito “a CBS quer ter o seu Modern Family de qualquer maneira”, e isso tirou boa parte do interesse que a série poderia ter.

Nas últimas temporadas, já me acostumei a ver uma comédia nova da CBS fracassando miseravelmente, e tudo indica que a bola fora da vez do canal é mesmo Life in Pieces. O que é uma pena. Nem achei a ideia da série tão ruim assim, mas é impossível não terminar o piloto sem ter aquela sensação do “já vi isso antes”, e não se apegar aos eventos ali apresentados.

Se é para ser assim (uma tentativa forçada de cópia), prefiro ficar com Modern Family, que já está aí a sete anos, e está de bom tamanho.