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Finalmente, chegou o dia! Antes de qualquer coisa… OBRIGADO, CW, PELA GRAÇA ALCANÇADA! Uma das estreias mais esperadas do ano, Jane the Virgin pode não ter surpreendido na audiência (mesmo porque The Flash já fez isso), mas surpreendeu no piloto apresentado. É claro que temos alguns tropeços detectados, mas nada que fuja muito da perspectiva criada em nossas mentes.

Jane Villanueva (Gina Rodriguez) é uma jovem latina que foi criada com uma família simples, mas que lhe deu muito amor e valores morais. Sua mãe Xiomara (Andrea Navedo) e sua avó Alba (Ivonne Coll) são as suas duas pilastras para tudo nessa vida. No final, as duas fizeram um bom trabalho: Jane é uma moça trabalhadora, educada, dedicada no trabalho, e aos 23 anos, ainda é virgem, algo que enche a avó de orgulho (ainda mais levando em conta que a mãe de Jane engravidou da mesma aos 16 anos de idade).

Jane trabalha em um buffet que promove festas nas casas de ricos e milionários. Em uma das idas e vindas da vida, ela acaba tretando com Rafael Solano (Justin Baldoni), dono do hotel onde acontece uma dessas festas. Rafael quase morreu no ano anterior, e para garantir que o seu gene babaca se propagasse no planeta Terra, ele guardou uma amostra do seu esperma, que curiosamente seria utilizado – sem Rafael saber – em sua esposa, Petra (Yael Grobglas) que para garantir um futuro economicamente estável, lançaria mão dessa cartada, para depois obter um polpudo acordo no processo de divórcio.

Fato é que avida dessas pessoas se cruzam de forma definitiva quando Jane e Petra vão tratar de suas vidas íntimas no mesmo consultório médico. O ginecologista titular das duas é substituído temporariamente por uma infeliz que foi traída no dia anterior, e simplesmente não está com a cabeça no seu trabalho. A ponto dela entrar na primeira porta que ela encontrou (onde Jane estava pronta para um exame de rotina), e praticar a inseminação artificial na paciente errada!

E assim temos respondida a pergunta de US$ 1 milhão: como alguém consegue engravidar acidentalmente por inseminação artificial?

A sequência de tudo isso gira em torno da decisão de Jane em ter esse filho, em como isso vai impactar na convivência com sua família, seus amigos, seu atual namorado (um detetive que já tem os seus esqueletos escondidos no armário, mas Jane não sabe) e o dono do hotel, que vê novas possibilidades na paternidade.

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Posso reclamar de uma coisa?

O piloto de Jane the Virgin foi meio ‘sem sal’. Eu imaginava uma coisa bem mais bagaceira. Algo tosco mesmo. Mas não: até que foi redondo. Não só eles explicam – e muito bem – como pode sim ser acidente, mas alguns plots subsequentes foram até bem amarrados para dar o tom de dramedia que a série se propõe a ter. Por exemplo, o dilema da Jane em ter ou não esse filho, as questões de paternidade levantadas por Rafael, as questões jurídicas desse acidente (quem vai levar a culpa disso), entre outros pontos que fazem com que esse piloto ultrapasse um pouco a barreira do ‘é tosco e nada mais’.

Bom, quero dizer… é claro que tem soluções apresentadas que são terríveis. Chroma Keys aos montes (mas, convenhamos… isso já era esperado) e uma tendência para forçar o brega que beira à construção de esteriótipos desnecessários. Por outro lado, isso não afeta a integridade da série. Em alguns momentos, algumas cenas e diálogos lembram um pouco (mas bem pouco mesmo) a saudosa Ugly Betty (ABC), onde era reconfortante ver a unidade familiar latina, com a família toda assistindo as novelas, e as discussões morais que sempre acontece em famílias que se amam (no objetivo de que os filhos sigam o caminho do bem).

Talvez eu esteja um pouco decepcionado porque eu esperava rir muito mais dessa situação da ‘gravidez por acidente’, mas não foi isso o que aconteceu. Na verdade, Jane the Virgin se assina como dramedia mesmo, com narração que acompanha toda a história com um tom irônico, e pequenas piadas pontuais (algumas delas que exigem um tom mais caricata). Mas prepare-se para se surpreender com alguns momentos em que a série se dispõe a falar sério. E diferente de outras produções, não caem no cretino ou ridículo quando apresentam essa seriedade.

Sobre Gina Rodriguez? Particularmente, não gostei. Mesmo. Seu sonho de ser a ‘Meryl Streep latina’ (sério, ela disse isso para o THR) ficou bem mais distante com esse piloto. É claro que ela pode melhorar ao longo da temporada, mas a primeira impressão que deixou não foi das melhores. Beirou uma atuação ruim em vários momentos do piloto. Mas vamos dar um tempo para a moça mostrar a que veio.

Enfim, nem eu acredito que terminei um texto de primeiras impressões de Jane the Virgin sem achar que a série cumpriu o que prometeu. Na verdade, entregou um pouco mais. E, por mais inacreditável que isso possa parecer, fiquei frustrado com isso. De qualquer modo, o piloto é bom em alguns aspectos, e acho que merece ser conferido sim. Não é a melhor história que você pode conhecer, mas talvez a série até te surpreenda.

Só espero que os membros da ‘família CW’ entendam a proposta geral da série. E esse post, se possível.