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Tem série de samurai no AMC? Tem, sim senhor! E se reclamar, tem muita porrada!

Into the Badlands é o novo drama de ação do canal que se destacou por oferecer o cult com qualidade. Em regra, o canal acerta nas suas produções originais, e podemos dizer que essa série produzida e protagonizada por Daniel Wu é mais um acerto. Bom, é um vórtice na curva dentro daquilo que a AMC normalmente apresenta, mas é uma produção bem feita, justificando sua existência e seu status de alta qualidade.

Em um tempo onde não existem mocinhos e apenas caras maus, as armas de fogo foram banidas, e todo mundo resolve tudo na porrada. Ou no fio de corte da espada. A proteção virou uma servidão para muitos, e nem todos podem se proteger de forma adequada. Na verdade, em Badlands, todo mundo tem que se proteger de todo mundo, e eventualmente atacar quem aparecer pela frente.

Sunny (Daniel Wu) é o mais leal servo do Barão Quinn (Marton Csokas), que é o cara que manda em tudo ali. O mais mortal soldado de Badlands é habilidoso com várias armas, e tem no seu currículo mais de 400 mortes na região, de forma fria e impiedosa. Porém, até ele tem uma dose de moralidade. E ela está combinada com um certo mix de medo e mistério.

Afinal de contas, qual será o grande poder por trás do jovem M.K. (Aramis Knight), que ele encontra em uma dessas idas e vindas da vida. O rapaz tem a impetuosidade da idade, a indisciplina da idade, mas concentra um grande poder. Algo fora do normal. Sobrenatural. Algo que Sunny rapidamente detecta. Ele logo entende que o rapaz precisa de orientação, mas já pensa em como tirar vantagem sobre isso. É prevenido que tal medida pode se virar contra ele, sem falar nas diversas influências externas que podem atrapalhar seus objetivos.

Não só para encaminhar M.K. em ser o guerreiro mortal e poderoso, mas não deixar que inimigos, adversários dentro do seu clã e até a mulher do Barão atrapalhem seus planos, que ainda não estão bem claros quais são.

Into the Badlands é muito bom naquilo que se propõe a ser: uma baita série de ação samurai. Não temos muito isso no universo das séries de TV. O mais próximo de samurai que vimos na TV recentemente foi a Michonne em The Walking Dead. Aqui, não: temos um cenário pós apocalíptico, onde os guerreiros são treinados por um samurai foda, com toda uma filosofia por trás dessa prática. Não é a mesma coisa de simplesmente sair na porrada com alguém. É algo mais complexo e melhor formatado.

Além disso, Into the Badlands é bem produzida. Aliás, impecavelmente bem produzida. Os cenários são bem feitos, os planos de câmera lembram uma espécie de mangá muito bem pensado e planejado, e as cenas de luta são simplesmente espetaculares. Todas as lutas são muito bem coreografadas, com uma riqueza de detalhes impressionante. É claro que tem umas mortes que se resultam em bizarras e inusitadas, mas não é algo que comprometa a produção ou o seu bom desenvolvimento.

A série tem potencial de se desenvolver com um plot bem construído e bem formatado, com tramas bem definidas e nada muito bobo. Podemos dizer que os fãs do gênero ficarão muito bem servidos com Into the Badlands. Com a carência de séries desse estilo, ela pode preencher a lacuna deixada por décadas de descaso de todos os principais canais norte-americanos.

Eu, que não sou muito familiarizado com o assunto, gostei do resultado final de Into the Badlands. Ou seja, as chances dos especialistas no assunto apreciarem a série do AMC são muito grandes (imagino eu).