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Uma das estreias mais esperadas da temporada 2014-2015. E, para a nossa alegria, corresponde as expectativas. How to Get Away With Murder entrega o que promete: uma série ágil na sua narrativa, surpreendente em suas decisões e resoluções de argumentos, e uma protagonista poderosa. Uma trama que envolve o telespectador logo de cara, levantando questões morais das mais diversas, instigando o pior lado do ser humano para escapar de problemas sérios. Tudo isso, com Viola Davis no comando. Impossível dar errado.

A série é centrada em Annalise Keating (Viola Davis), professora universitária do curso de direito criminal, e uma poderosa advogada. Ela não se limita a ensinar o ofício de direito para os seus alunos: ela ensina ‘How to Get Away With Murder’ (ou ‘como se livrar de um assassinato’, em uma tradução livre). Annalise é uma mulher que todos temem: personalidade forte, decidida, e não mede esforços para vencer os seus casos. Nem que para isso tenha que passar por cima dos outros (ou ficar por cima dos outros na posição horizontal, se é que vocês me entendem).

No início do semestre, ela decide integrar alunos do primeiro ano para estagiar no seu escritório de advocacia. Essas vagas são disputadas a tapa: afinal de contas, nada melhor do que trabalhar com uma advogada fodalhona para aprender direito como ser um eficiente advogado criminal. Nessa busca, Keating se depara com cinco alunos com personalidades diferentes, mas com um único interesse em comum: não medir esforços para conquistar seus objetivos.

Cada um deles utiliza dos mais diferentes métodos para reunir evidências para livrar a cara da cliente de Keating no episódio piloto: transar com os outros, se esconder no banheiro para bisbilhotar conversas alheiras, pesquisar incessantemente na internet para adicionar suspeitos ao caso… enfim, toda e qualquer manobra lícita ou ilícita para obter tais evidências. Todos, menos um: Wes Gibbins (Alfred Enoch).

Wes entrou no curso de Keating faltando poucos dias para o semestre começar. Ainda tem muito o que aprender (principalmente sobre a escola da vida), e é o único que ainda preserva alguma boa índole entre os escolhidos para o estágio. Porém, acaba se tornando o mais próximo da professora: pelas idas e vindas da vida (aka abrir portas sem avisar), ele acaba descobrindo certas peculiaridades da vida de Annalise, o que naturalmente aproxima os dois.

No meio desse mundo de intrigas, um novo caso aparece na vida deles todos: um corpo de uma jovem desaparecida é encontrado no câmpus da universidade onde Annalise leciona, e a temporada vai contar como esse caso será investigado e julgado. Suspeitos para isso, não faltam, e o piloto mostra vários deles, para atrair ainda mais a atenção do telespectador.

Mas o que realmente vai fazer você ficar ligado na temporada da série é que, três meses depois do curso iniciado, um importante personagem do universo da série é assassinado. E os nossos amigos estagiários estão diretamente envolvidos (reforçando LITERALMENTE a piada do ‘a culpa é do estagiário’).

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Tentei me segurar ao máximo nos spoilers desse post, para que você possa aproveitar o piloto tanto quanto eu. Mas o que eu posso dizer é que How to Get Away With Murder já é um dos melhores pilotos da temporada. São 43 minutos que não cansam de jeito nenhum, e o trabalho realizado por Pete Nowalk (sim… NÃO é uma série de Shonda Rhimes, que só atua como produtora executiva; Nowalk é o roteirista/criador da série) é digno de aplausos.

O piloto é dinâmico, envolvente, com uma pegada ágil, e com várias assinaturas de roteiro que já vimos nas séries onde os nomes de Rhimes e Nowalk estiveram envolvidos (aka Grey’s Anatomy e Scandal). Aliás, a boa notícia do piloto é que ele não é 100% centrada em Annalise Keating, onde os alunos que se envolvem na trama central são tão importantes quanto a professora para o enredo da série. Tudo bem, alguns deles lembram personagens de séries da CW – aliás, algumas cenas também lembram uma série da CW, principalmente nas cenas em uma floresta no meio da madrugada, cheio de névoas -, mas isso não é um ponto de crítica. Pelo contrário: a série consegue fazer isso sem cair no óbvio/estúpido.

São personagens interessantes, que criam empatia ou antipatia com facilidade. É uma pena que está bem na cara que alguns deles não terminam a primeira temporada (na boa: já tem duas mortes logo no piloto… imagine a matança que será ao longo da temporada?).

Mas a melhor parte de How to Get Away With Murder está em como a série é competente o suficiente para que, de forma prazerosa, ela entrega aos poucos os detalhes sórdidos dos personagens, adicionando em doses as informações, para que o telespectador possa degustar e digerir tudo com calma. É praticamente uma sambada a cada bloco do piloto.

Enfim, se dependesse só de mim, How to Get Away With Murder já estava aprovada no segundo intervalo. Sem medo de errar, é um dos melhores pilotos da temporada, e é sucesso garantido na grade da ABC. Conseguiu uma audiência estrondosa no piloto (derrotando o futebol americano na CBS no seu horário de exibição), e as críticas dos sites norte-americanos são as melhores possíveis.

Por fim… parabéns, Shonda Rhimes! Sua macumba capacidade em perceber grandes histórias diante dos seus olhos foi comprovada mais uma vez! Longa vida para a Shondaland na ABC!