Heroes-Reborn-logo-topo

Em fevereiro de 2010, eu estava feliz com o final de Heroes. Estava chegando ao fim uma das maiores picaretagens da história da televisão, onde seu criador, Tim Kring, cometeu tantos erros absurdos nos rumos da história que ele estava contando, que teve que pedir desculpas publicamente. Por três vezes. Mas como o mundo dá voltas, e tem alguém na NBC que me odeia com todas as forças (de nada, Bob Greenblatt), temos Heroes Reborn para tornar a fall season 2015 algo ainda mais “interessante”.

Antes do piloto estrear, a NBC liberou seis pequenos episódios de 7 minutos cada no seu site (formando um episódio de 42 minutos), que serviu de prequel para os eventos da temporada. “Heroes Reborn: Dark Matters” basicamente serve para apresentar o personagem Quentin Frady (Henry Zebrowski) e suas motivações, os eventos que dão início aos acontecimentos da temporada, e o reposicionamento dos personagens que serão aproveitados de Heroes nessa nova temporada, além de atualizar algumas informações relevantes sobre a história como um todo.

Recomendamos aos mais corajosos que, se ainda não viram e querem mesmo levar a sério Heroes Reborn, que vejam os episódios. Será importante para ver o piloto depois.

Em linhas gerais, Heroes Reborn dá um salto no tempo, mostrando as consequências da revelação dos poderes de Claire Bennett (Hayden Panettiere) ao mundo. Aqueles que tem poderes são denominados EVOs, e são parcialmente perseguidos pela sociedade e entidades governamentais. Muitos fogem para países que são mais tolerantes com suas propriedades especiais (nesse caso, e de forma irônica, o Canadá), enquanto que outros sem reúnem secretamente para descobrir o que fazer e como se defender dos civis que querem fazer justiça com as próprias mãos.

Dois desses justiceiros são  Luke (Zachary Levi) e Joanne (Judith Shekoni), pais de um garoto de nove anos de idade que perdeu a vida no atentado em Odessa, onde vários EVOs se manifestavam na tentativa de promover a paz e a harmonia entre os grupos de diferentes origens. Não deu certo: tudo explodiu, um monte de gente morreu, e todo mundo culpou Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy) pela autoria do atentado.

O centro da ação de Heroes Reborn está em Noah Bennett (Jack Coleman), que estava em Odessa, no local onde supostamente Claire Bennett foi morta. Bennett saiu da Primatech quando a mesma foi adquirida pela Renautas, mas sabe que algo sinistro rola por lá. Mas como precisava se proteger – e, de alguma forma, proteger Claire, que pode estar viva ou não -, ele fez questão de ter sua memória parcialmente apagada pelo Haitiano. E seguiu a vida.

Enquanto isso, Quentin – que teve a sua irmã resgatada pela Renautas, e sabe que tem algo sinistro acontecendo por lá – encontra Noah, na tentativa de obter ajuda para descobrir o que está acontecendo, e como parar esse evento que pode mudar tudo.

Nesse meio tempo, vários eventos isolados acontecem, e todos devem culminar em um evento comum até o final da temporada acabar. Temos um novo EVO chave para a resolução de tudo: Tommy (Robbie Kay), um jovem que tem uma vida normal, mas que tem o poder de fazer as coisas que toca desaparecer. Do outro lado, Carlos (Ryan Guzman), um veterano de guerra, tenta ser um novo tipo de herói, mesmo não tendo poderes. Temos até uma EVO que tem o poder de se transformar em um personagem de videogame, que tenta salvar o pai no universo do jogo. Não será surpresa se o pai dela for ninguém menos que Hiro Nakamura (Masi Oka), mas não estou afirmando nada.

No final das contas, o objetivo dos EVOs não é apenas sobreviver em um mundo que é hostil em relação aos seus poderes, mas sim sobreviver à uma ameaça que está acima deles, e que envolvem poderes que todos ainda desconhecem. Quero dizer, quase todos: Noah Bennett já sabe o que vai acontecer. Só precisa descobrir tudo de novo.

Heroes-Reborn-Poster

E temos mais um piloto que grita Tim Kring por todos os lados, minha gente. Tecnicamente, Heroes Reborn é um bom piloto, e eu já previa isso – falei sobre isso por diversas vezes no SpinOff Podcast -, uma vez que é a tática perversa do nosso showrunner preferido: fazer um piloto para enganar os trouxas, para depois c*g*r bonito na sequência dos acontecimentos da série. E é por isso que eu digo: Tim Kring não vai me enganar dessa vez.

Mas, deixando a minha linha de raciocínio hater de lado, acredito que os fãs de Heroes Reborn vão se identificar com a estrutura narrativa da série. Não dá pra dizer que não é Heroes o que você está assistindo. É Heroes, tanto na proposta estética, como na narrativa, como no desenvolvimento dos personagens e acontecimentos. Não é um ritmo tão ágil assim, até porque Tim Kring abre tanta ponta nas histórias paralelas, que é preciso ter muita paciência para conhecer todos os personagens e situações propostas por ele.

Por outro lado, não posso dizer que não era o que eu esperava. Pelo menos nesse início, Heroes Reborn apresenta todas as suas tramas, seus personagens e suas aspirações. Tem alguns plot-twists interessantes, algumas coisas bem absurdas, e uma delas bem risível: um personagem que não abriu a boca em Heroes acaba falando em Heroes Reborn… mas só sobrevive na série por apenas três minutos… Sério, chamaram gente para voltar por TRÊS FUCKING MINUTOS na série… aí você vê como o personagem era “relevante”.

Mesmo assim, Heroes Reborn não tem um piloto pior do que – por exemplo – The Bastard Executioner, que tem a mesma 1h29 da série da NBC, mas que te faz desejar a morte a todo instante. Seja pelo entretenimento, ou pelo prazer sádico de ver tudo acabar em m*rda por conta de um showrunner que não sabe desenvolver uma série, o piloto de Heroes Reborn não é cansativo a ponto de fazer você desistir.

Acredito que quem gostava de Heroes voltou para conferir qual é a de Heroes Reborn, e deve ficar satisfeito com o que viu. A audiência nos EUA da estreia da série foi considerada “OK” (6 milhões na geral, 1.9 na demo 18-49 anos), onde a mesma audiência qualificada praticamente voltou para ver qual é a do piloto. Acho que essa audiência vai cair ao longo dos episódios – até porque é impossível bater de frente com Grey’s Anatomy na ABC e o futebol americano na CBS), mas qualquer coisa que tenha demo de 1.5 ou superior para essa série já pode ser considerado uma vitória.

Muito bem, crianças… Heroes voltou, em forma de Heroes Reborn. Eu vou acompanhar até o final, só pelo prazer de falar mal. Se for bom, eu conto para vocês. Mas de cara, eu digo: Tim Kring, você não me engana. Não vou elogiar você de graça. Vai ter que fazer muito para me convencer que realmente aprendeu as lições dos erros do passado.

Porém, se Heroes Reborn for renovada para uma segunda temporada, a minha surpresa será zero. Cantei essa bola antes mesmo da série estrear.