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É um Grey’s Anatomy 2.0… mas nem tanto…

Impossível não ver similaridade de Heartbeat com a série de Shonda Rhimes na ABC. Porém, alguns diferenciais substanciais impedem que coloquemos as duas séries no mesmo universo, por mais que a NBC queira e muito que o telespectador faça a conexão entre as duas histórias.  De forma até escancarada, eu diria.

Cenas com planos de câmera abertos, mostrando os corredores do hospital, os internos seguindo a professora, as tensões sexuais entre os personagens e até um Derek wannabe pode ser visto no piloto da série. Isso tudo com certeza foi feito para que os fãs de Grey’s Anatomy se identificassem de alguma forma com Heartbeat e comprassem a ideia da série, mesmo que de forma intuitiva.

Porém, não estamos diante de uma série de Shondão.

De forma até surpreendente, a nova série médica da NBC não é um drama explícito. É uma dramédia, o que é uma boa notícia. A Dra. Alexandra Panttiere interpretada por Melissa George é um personagem pseudo-engraçado por conta de sua própria atitude dentro e fora do hospital. Durona, anti-social e estabanada, o grande ponto de equilíbrio de sua vida é a cardiologia. Todo o resto parece não dar certo, e esses já são os elementos para que sua personagem não tenha uma carga tão dramática assim.

Porém, a série tem os seus momentos e temas mais sérios. Apesar do piloto virar a chave várias vezes e de forma meio abrupta, é possível ver que, se quiser, Heartbeat pode ser um drama com contextos mais edificantes do que o plot da doutora que se veste como aeromoça para ser homenageada. Não que a série não precisa ter pontos de humor. Precisa sim. Deve. Só não pode errar na mão.

Outra característica que diferencia Heartbeat de Grey’s Anatomy é, talvez, o grande problema desse piloto: a superexposição de Melissa George.

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Compreendo que a história principal de toda a série está centrada em sua personagem. Mas foi cansativo ver que, ao longo de 41 minutos, ela aparece em (sem brincadeira) TODAS AS CENAS DO PILOTO. Dava para imaginar ela aparecendo em todos os frames possíveis. Nada contra a atriz (que até que cumpre bem o seu papel dentro do que é proposto), mas imagino que até para ela ficou maçante aparecer em todas as cenas de um episódio de 42 minutos.

Espero que nessa parte haja uma maior similaridade com a turma do Grey/Sloan Memorial Hospital. Que ao menos a série comece a diversificar, investindo em outros personagens. Se bem que, aparentemente, os demais personagens não são carismáticos o suficiente para carregarem nas costas um episódio alternativo. Mas o tempo vai confirmar ou desmentir essa impressão.

Heartbeat até que passa. Não é um ‘Grey’s Anatomy genérico’ (até porque a NBC já tem The Night Shift), e oferece alguns toques de diversão que são bem vindos. Resta saber se a audiência comprou a ideia. E essa sempre é a parte mais complicada do processo.