Hart of Dixie foi a terceira estreia da CW. Ok, a gente tende a zoar a CW, mas uma coisa nós temos que reconhecer: pelo menos eles não jogam dinossauros gigantes em nossa cara (abraço, Terra Nova). E Hart of Dixie é a típica série da geração CW. Logo, deve agradar a geração CW (se contar quantas vezes tem CW nessa frase, ganha um prêmio).

Uma das grandes apostas do canal nessa série é a volta da parceria em Josh Schwartz e Rachel Bilson, que deu certo em The O. C., um dos últimos sucessos do finado WBTV. Schwartz foi produtor executivo da série, logo, sabe como trabalhar para extrair o melhor de Bilson diante das câmeras. Apesar de perceber uma Bilson bem mais contida do que o esperado. Mas essa deve ser apenas a primeira impressão de um piloto que, se não é espetacular, pelo menos mostra os rumos que a série deve tomar, de forma bem didática.

Alguns absurdos aparecem no piloto (e, se não tivesse esses absurdos, não seria uma série da CW), como, por exemplo, um ex-jogador da NFL como prefeito da cidade, e um jacaré/crocodilo (confesso que não me apeguei nesse detalhe) chamado Burt Reynolds. Além disso, nossa amiga médica mal chega na cidade e, depois de vários copos de vinho branco seco em copinho de plastico, acaba “finalizando” o vizinho que rouba a energia dela. Se bem que essa última até dá pra passar: em uma cidade que não tem nada de interessante, ou você arruma “alguma coisa pra fazer”, ou vai dormir mais cedo.

A história mostra a básica relação da médica mimada e perfeita que, por falta de opção, se vê obrigada a clinicar no interior do Alabama, em uma cidade que não tem nada, onde todo mundo conhece todo mundo, e mesmo a mais popular das solteiras locais acabam participando de uma quadrilha de “moças puras” da cidade (e não fiz nenhum trocadilho infame com esse termo). A médica precisa enfrentar os seus preconceitos em relação à toda a cultura local, e evidentemente, aprender algumas lições morais valiosas com a população simples e pacata do local.

Ok, já vimos isso antes. Logo, essa ideia não tem nada de original. Mas, vendo com os olhos da “geração CW”, a série cumpre o seu papel de ser entretenimento televisivo feito para adolescentes que assistem a CW. Apesar de ter um piloto um tanto quanto entediante, Hart of Dixie deixa bem claro qual é o seu principal objetivo. Os personagens estão lá, todos didaticamente apresentados, com as pequenas tramas estabelecidas, como a intriga com o médico local, com a filha do médico local, com metade da cidade por dar um exame de vista para alguém que não possui condições de dirigir, entre outras peculiaridades.

De quebra, você tem todo o exemplo de coragem apresentada na cena do parto da adolescente que não sabia que estava grávida (tem um programa nos EUA chamado “I Don’t Know I’m Preagnent”, que fala só de casos assim), onde nossa médica (que antes tinha nojo de tudo), resolve por a mão no bisturi e fazer a cesariana de alto risco no meio da festa de noivado da garota que será a sua maior inimiga na série. Porque, obviamente, a médica vai pegar o noivo dela. E, repito: sem essas pequenas pérolas de roteiro, você não tem série para mostrar.

Fora que todos os elementos para fazer da série uma típica produção adolescente estão lá: o interesse amoroso da médica, as canções pop em vários momentos do piloto, a capacidade de aceitarem a novata por causa da cesariana de alto risco. Está tudo lá, prontinho para o telespectador degustar sem maiores dificuldades.

Mesmo não sendo essa maravilha toda, o piloto é divertido e relativamente bem feito, pois não inventam nada de extraordinário na trama. Contam como a médica chegou na cidade e porque ela vai ficar por lá. Porém, fica a dúvida se a audiência da CW vai querer ver uma versão light de “Grey’s Anatomy encontra Gossip Girl no Alabama”. Pode até render uma boa história. Mas, só pelo fato de contar com o logo da CW no canto da tela, vou deixar passar. Mas é a série que, como disse antes, cai como uma luva para a audiência da CW, e para os fãs de The O. C..